sexta-feira

Poesia ou a voz do Morgan Freeman

Não me lembro de não ler. Não tenho qualquer memória pré-leitura. Foi como se o disco rígido do meu cérebro só tivesse começado a gravar registos a partir do momento em que o comecei a alimentar de livros. A Literatura esteve sempre presente na minha vida. Lembro-me de, na infância e na pré-adolescência, ter absorvido toda a colecção Uma Aventura da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães, alguns livros da Alice Vieira como o Rosa minha irmã Rosa, ou ainda a colecção Viagens no Tempo.  
Os livros foram sempre tão importantes para mim que estudei Literatura na Universidade. Hoje em dia, ironicamente, trabalho com números e não tanto com letras.
Quando digo que gosto de Literatura, não costumo mencionar o facto que este gosto se limita normalmente à Prosa. A Poesia não é, de facto, assídua na minha mesa de cabeceira. Um poema para me seduzir tem de ser mesmo muito bom. E se há um que me seduziu, ao ponto de o ter imprimido e colado junto da minha secretária no trabalho é este, escrito por William Ernest Henley, que ouvi, declamado pela voz maravilhosa do Morgan Freeman em Invictus, o filme de Clint Eastwood sobre Nelson Mandela.

Out of the night that covers me                      
Black as the Pit from pole to pole                  
I thank whatever gods may be                       
for my unconquerable soul                               

In the fell clutch of circumstance                       
I have not winced nor cried aloud                     
Under the bludgeonings of chance                    
My head is bloody, but unbowed                     

Beyond this place of wrath and tears                
Looms but the horror of the shade                    
And yet the menace of the years                       
Finds and shall find me, unafraid                       

It matters not how strait the gate                      
How charged with punishments the scroll          
I am the master of my fate                                
I am the captain of my soul                              

( Tradução )

Fora da noite que me cobre
Negra como o abismo de pólo a pólo
A qualquer deus, se acaso algum existe
Pela minha alma inconquistável, agradeço
     
Nas garras das circunstâncias
Não vacilei nem me ouviram chorar
Sob os golpes do acaso
A minha cabeça sangra mas permanece erguida

Para lá deste lugar de rancor e lágrimas
Eleva-se o terror das sombras
E no entanto, a ameaça dos anos
Encontra-me e encontrar-me-á, destemido

Não importa quão estreito é o portão
Quão carregado de castigos, o veredicto
Sou o Mestre do meu destino
Sou o Capitão da minha alma

Com a tradução perde-se um pouco a magia do poema. No entanto, a mensagem mantém-se inalterada: mesmo nas piores circunstâncias devemo-nos manter de cabeça erguida e continuar a lutar por aquilo em que acreditamos pois apenas nós dirigimos o nosso destino e comandamos a nossa alma.  

terça-feira

Humanos pequeninos...

... aka bébés surgem cada vez mais na minha vida. Durante estes 4 dias de férias provocadas por feriados, recebi a maravilhosa notícia que uma das minhas melhores amigas vai ser mãe. Foram as palavras mais semelhantes a musica que ouvi nas últimas semanas. Não consegui ser discreta e refrear o meu entusiasmo. Todo o meu comportamento foi assim a roçar o histérico mas em minha defesa, tenho que dizer que se trata de alguém que faz parte da minha vida desde os 16 anos. Já lá vão quase 2 décadas de longas conversas telefónicas de corte e costura, idas ao mesmo ginásio, idas às mesmas aulas de dança, compras, viagens, lágrimas, gargalhadas, jantares de gajas. 
Muitas das minhas amigas já são mães e é muito bonito perceber que devemos ter cumprido à risca as sagradas regras da amizade para estarmos presentes na vida umas das outras nestes momentos. 
Um dia seremos todas octagenárias e mesmo de bengala, memória curta e reumático, continuaremos a dizer piadas inteligentes, comentar a vida alheia e sobretudo sonhar porque mesmo com uma idade avançada, sonhar é um prazer sempre permitido aos que insistem em ser audazes.   

segunda-feira

A difícil tarefa de andar de salto alto pelas ruas de Alfama

A mãe da minha amiga Patrícia vive mesmo no epicentro de Alfama. Vai daí, o nosso grupo tem o privilégio de comemorar os Santos Populares no melhor dos spots. Ontem à noite, enquanto mordiscava uma bela bifana, um bom pedacinho de chouriço, isto é, tudo coisinhas do estilo "um minuto na boca, uma vida inteira nas ancas", tive a oportunidade de me sentar na primeira fila da mais importante das passereles, a que a própria rua nos oferece. Muita moça e muito moço se passeou perante a minha pessoa. Concentrei-me em observar os vários visuais femininos que desfilaram e que sem o solicitarem, por mim foram julgados, de tal modo se puseram a jeito. Infelizmente, não tenho fotos. Tereis de vos contentar com a minha pormenorizada descrição e criar vós mesmos as imagens na vossa mente. 
Os visuais podem assim ser catalogados nas seguintes categorias: 
- Visual "mama de fora conseguido através de Kit decote em bico até à cintura e soutien wonderbra número abaixo do normal que é para a peitaça ficar bem juntinho das veias do pescoço";
- Visual "vou casual porque a ocasião assim o pede mas...
a) ... levo a mala da Louis Vuitton porque sou uma mulher chic em qualquer ocasião e não me importo que a mala no fim fique a cheirar a sardinha assada"
b) ... levo o Kit mama de fora e junto-lhe um calção curtinho porque as ruas de Alfama vão estar cheias de homens saudáveis e uma pessoa tem de ajudar o Santo António na difícil tarefa que é arranjar-me marido"
c) ... afinal o que é isso de casual, vou mas é levar aquele vestido azul de seda lindo que comprei esta mesma manhã"
- Visual " disseram-me para não levar saltos altos mas eu só tenho um metro e meio e prefiro arriscar a torcer um pé do que a tomarem-me por uma criança com rugas"
Este é sem dúvida o meu visual preferido dos Santos Populares. Quem desconhece as ruas de Alfama, Castelo ou S. Vicente tem desculpa pois não sabe que não só a calçada mas até a estrada por onde passam os carros é cheia de pedragulhos irregulares. As meninas que, pelo contrário, já apalparam por diversas vezes o terreno, deviam era ter juízo, dar folga ao tacão alto e optar por uns ténis ou umas sandálias rasas. Vestir bem implica vestir para a ocasião. E a ocasião Santos pede beleza mas sobretudo conforto para se enfrentar as multidões, os encontrões, as pisadelas e o cheiro a comida. 
Para o ano prometo imagens, nem que sejam desenhadas à mão.
             

A incrível história de Poderosa e Destemida

Poderosa e Destemida são 2 bicicletas que pedalam pelo mundo sem medos e sem tabus. Quer dizer, pedalar pelo mundo é um pouco ousado, visto que se formos a analisar bem a coisa, a verdade é que só uma vez saíram do distrito de Lisboa, quando se atraveram a pedalar entre essa bela terra alentejana chamada Ponte de Sôr e essa bela terra religiosa chamada Fátima. As suas donas, entenda-se eu e a minha amiga Inês, acompanham Poderosa e Destemida por esses caminhos de Portugal em busca de adrenalina, aventura, flora e fauna desconhecidas, enfim, um sem número de experiências radicais e memoráveis. Poderosa e Destemida são veículos cheios de bons sentimentos que não hesitam em ajudar as suas condutoras na difícil tarefa que é evitar que tralhem de modo a que as belas moças possam terminar os passeios belas e frescas, sem nódoas negras, arranhões e outros dói-dóis inestéticos.  
Ontem a ideia era sairmos do Parque das Nações com destino a Vila Franca de Xira com passagem obrigatória pelo caminho de peregrinos para Fátima e Santiago de Compostela. Ficámos um pouco descontentes com a sinalização. Existem de facto várias plaquinhas amarelas e azuis, com os respectivos símbolos destes locais de peregrinação, mas às vezes são insuficientes. Há cruzamentos onde só recorrendo à técnica da adivinhação é que se escolhe o caminho correcto. 
O melhor destes passeios é que basta sair-se um pouco de Lisboa para se entrar na província profunda. Ora veja-se estas belas fotos ilustrativas do que acabo de afirmar:



      
Nas suas viagens, Poderosa e Destemida cruzam-se com cavalos, coelhos, cabras, ovelhas, espécies que já não têm propriamente livre trânsito nas ruas mais movimentadas da capital.  
Infelizmente, Poderosa e Destemida não estão equipadas com GPS e a verdade é que nos perdemos pelo menos uma vez. Chegámos a Alhandra mais tarde do que tínhamos previsto. No entanto, quando avistámos a famosa ciclovia na zona ribeirinha que une Alhandra a Vila Franca de Xira, sabíamos que o nosso objectivo estava prestes a ser cumprido. Foi o delírio, foi a loucura!




A ciclovia está muito bem localizada e só lhe posso tecer elogios. Dá vontade de a percorrer uma dezena de vezes. O piso está impecável e a banda sonora é o canto dos pássaros, rãs e sapos e outros animais com aspirações a artistas musicais.
Precisamos de mais umas quantas assim. A ver vamos se os Presidentes das Câmaras estão dispostos a investir em equipamentos para o culto de uma vida mais saudável. 

A estação de combóios de Vila Franca de Xira
Um agradecimento à nossa condutora de apoio, Cacilda, que levou o carro não fosse necessário para alguma eventualidade, do estilo, Poderosa e Destemida sofrerem uma lesão.   
Próxima aventura: Oeiras - Guincho!

sábado

Ainda terei idade para isto?


Uma linda bandolete preta com um delicado lacinho. Aos 32 anos ainda se poderá usar este tipo de acessórios sem parecer demasiado infantil? Hum... dilema. Mas eu gosto tanto dela. Uma ocasião certa surgirá certamente.
Ah e para quem achou que dará uma boa prenda para uma adolescente de 16 anos, poderá adquiri-la pela escandalosa quantia de 4,90 €uros na Accessorize.  

Como resistir a um par de meias

As mulheres por norma têm uma tara. Há aquelas que têm tara por sapatos, há aquelas que vendiam a própria mãe por uma mala e essa mãe venderia a filha por um casaco. Há ainda aquelas que gastam metade do ordenado em cremes, tratamentos de beleza, cabeleireiros e afins. E depois há a minha amiga Filomena que não resiste a um par de meias, de preferência com risquinhas.
Hoje, no Chiado, entrámos na Blanco, a mais recente habitante da Rua Garrett. Adorei a colecção, sobretudo dos vestidos que são muito femininos, muito cintura marcada estilo anos 50. Ainda bem que a marca decidiu estar representada numa zona mais central de Lisboa além do Dolce Vita Tejo porque os preços são simpáticos e os artigos parecem ter bastante qualidade. 
Eu experimentei um casaco que teria levado para casa se fosse noutra cor que não branco. Estive para levar um vestido mas mais uma vez a cor traiu-me porque era azul escuro e o que eu tenho mais são vestidos azuis. 
A Filomena apaixonou-se por uma meias. Um parzinho às riscas cheios de cor e alegria que a encheram de uma felicidade pura, genuína. Claro que a Filomena reclamou para si a custódia das meias e depois de pagar o justo preço delas - 99 cêntimos - levou-as para casa. 
Estive a reflectir seriamente sobre o assunto e cheguei à inquietante conclusão que se todas as mulheres ficassem assim radiantes com um singelo par de meias, a Economia mundial sofreria um profundo e injusto golpe. Em Milão, por exemplo, a cidade do mundo onde mais se estragam cartões de credito e multibanco devido aos milhares de vezes que são usados nas lojas de luxo, essas mesmas lojas teriam de fechar portas. E com o fechar de portas, centenas de funcionários na rua, o aumento inevitável do desemprego. E as fábricas de texteis, calçado e marroquinaria?  Falência na certa com a súbita descida no número de encomendas.  
Mulheres deste mundo, não se intimidem e continuem a comprar. Façam o dinheiro circular. Sempre que alguém vos cansar a beleza com reprimendas sobre a quantia absurda com que contribuíram para o volume de negócios de um ou outro grupo têxtil, lembrem-se que estão a ajudar. Eu pelo menos penso sempre assim. É a reza que faço em silêncio sempre que chego a casa cheia de sacos e de culpa por os ter nas mãos. 
Cá vai uma foto das meias da Filomena:


E de alguns dos vestidos mais bonitos que vi na Blanco:




      

sexta-feira

Personagens entram e saiam das séries de tv mais famosas

Soube recentemente que a Cuddy vai sair da série House e o Mcdreamy da Anatomia de Grey. É o drama, é o horror! Pergunta: o que vai acontecer aos protagonistas? Resposta: a eles não sei mas sei o que me vai acontecer a mim. O House vai perder esta fiel espectadora. Ah pois vai!!
Este, meus caros, é o resultado do péssimo hábito que os produtores das séries têm, que é esticá-las até nos começarem a provocar enjoos matinais. 
No House, algo se passa com o elenco feminino. A Cameron saiu, a Thirteen fez uma longa pausa e entretanto já voltou. Agora é a Cuddy que vai abandonar o barco. Na Anatomia de Grey, já saíram uns 3 ou 4 actores principais. Recordo com especial carinho a Katherine Heigl que fazia de Izzie. Ambiciosa, trocou a televisão pelo cinema mas até agora não fez mais do que comédias de trazer por casa. Com a série ganhou um Emmy mas com os filmes, acho que não vai lá. A ver vamos se no futuro a troca será vantajosa.