sábado

Tributo ao Jumpsuit

Sempre gostei de peças inteiras. Como tenho a perna constantemente num tom branco virginal assim a fazer publicidade grátis à pasta de dentes branqueadora, uso muitos vestidos no Inverno com a brancura devidamente encoberta pelos belos dos collants opacos. Já no Verão, os vestidos são substituídos no 1º lugar do pódio pelo jumpsuit. Hãan? respondeu o meu namorado quando lhe disse que tinha comprado mais um jumpsuit. Percebi que havia necessidade urgente de tradução. Expliquei que se tratava do nome técnico, ou melhor, um inglesismo, para definir aquilo que nós costumamos chamar de macacão. Pensei que com esta definição simples, ele criaria a imagem correcta no seu cérebro, mas a minha esperança caiu por terra quando ele contrapôs: então mas isso não é fashion! Fiquei extremamente ofendida. É verdade que tenho de lhe dar o desconto de ele ser homem e não perceber nada destes temas, mas quer dizer pôr em causa as minhas compras, isso é intolerável. Até que tive uma epifania e percebi que ele devia estar a visualizar mentalmente os macacões dos mecânicos.
Munida de alguma paciência, optei por tirar do saco o objecto da polémica e mostrar-lhe. Ahhhh! ( este foi um ahhhh positivo caso o leitor não tenha percebido ).
O jumpsuit é uma coisa maravilhosa. O único inconveniente ocorre quando a pessoa tem de ir à casa de banho e se vê obrigada a despir-se na totalidade. É lamentável, mas é assim, a mulher para estar no seu melhor tem de estar disposta a sacrificar-se. Se é pequena e quer ser alta, tem de caminhar sobre saltos com a altitude do Evereste, se quer o cabelo impecável, tem de passar um bom par de horas debaixo das brasas dos secadores, se quer o peito maior, tem de ir à faca. É esta a herança que Eva nos deixou quando resolveu insistir com o Adão para que abocanhasse a maçã.
Há jumpsuits para todas as ocasiões: os de algodão, confortáveis e simples, óptimos para se levar para a praia ou os feitos em tecidos mais elaborados, que até em casamentos, fazem sucesso. 
Aqui vão umas fotos de alguns. 

Jumpsuit Hoss colecção 2010

Jumpsuit Mango colecção 2011

Jumpsuit Lanidor

Jumpsuit Pepe Jeans

 

quinta-feira

Estudo científico 2

Após preenchimento do longo e por vezes polémico questionário do Censos 2011, penso que todas as portuguesas estão dispostas a responder a duas meras perguntinhas para um segundo estudo que estou a realizar. 
Sendo assim, aqui vai a primeira pergunta:
- Quantos pares de calças pretas possui no seu roupeiro / armário / closet?
Após a devida contabilização, responda à segunda pergunta:
- Para quê tantos?

Estudo científico 1

Sempre que se sentia deprimida, Holly Golightly, personagem interpretada por Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany's, tinha por hábito, tal como o próprio nome do célebre filme indica, tomar o pequeno almoço na Tiffany's. Munida de um café e de um croissant, a boneca de luxo ( título do filme em Portugal ), tomava a primeira refeição do dia em frente às montras da mais famosa joalharia de Nova Iorque. 
Reflecti sobre esta questão e concluí, passados 3 segundos que me pareceram intermináveis, que as minhas depressões não passam com as montras de uma só loja. Passam com várias. Não tenho uma preferida. Isso seria uma blasfémia, seria o mesmo que dizer aos meus filhos, caso os tivesse, que gostava mais de um do que dos outros. Mas gosto do conceito. Por isso, vou realizar uma pequena experiência de teor científico. Nas próximas manhãs de Sábado vou dar-me ao trabalho de comer um suculento croissant e um leitinho com chocolate ( será que já tem IVA a 23%? ) em frente de montras carismáticas como a da Prada, a da Louis Vuitton ou da Carolina Herrera. A ver se alguma se destaca e me causa mais arritmias que as demais. Feita a experiência junto das grandes marcas e após registo detalhado dos resultados em software criado para o efeito, vou ter idêntico comportamento, desta vez frente às várias e variadas lojas de chineses que existem espalhadas pela capital. Talvez descubra, graças a este estudo único no país e no mundo, que também se me ilumina o rosto com o poliester ordinário.  
Entretanto, já que a mencionei, aqui ficam umas fotos da colecção Primavera/ Verão 2011 dessa senhora que só sabe criar peças para tornar até a mais feia das mulheres, na personificação da beleza. Eis algum do trabalho de Carolina Herrera que se poderá usar nos próximos 3 meses:








terça-feira

A H&M também já está com reduções. Infelizmente o artigo que mais desejo, uma blusa linda cuja cor se situa na fronteira do rosa com o salmão, ainda não está mais barata. Não me resta outra opção senão aguardar com paciência e elegância ou não fosse eu uma lady ( por vezes um pouco forreta, é verdade ).
Entretanto já fiquei a saber qual a próxima colaboração da H&M com um designer famoso. Versace! Ah pois é! Donatella e a marca sueca vão unir esforços para nos tornarem mais belas.
Mais uma vez aguardarei elegantemente.

domingo

As promoções estão aí

Mango e Lanidor já estão a 50%. Agora meninas, é treinar os músculos para as placagens. Está a derrubar sem dó nem piedade quem se mete à nossa frente. É o vale tudo, até arrancar olhos, para se chegar àquele artigo tão cobiçado e que agora está a metade do preço.

sexta-feira

Sou oficialmente uma pessoa revoltada... Passo a explicar o motivo na esperança de ter por aí alguma solidariedade.
Na 4ª feira passada, deu na Sony Entertainment o último episódio da série Longe de Tudo, da qual já tinha aqui falado. Há minutos, sentei-me em frente ao computador para investigar se já havia 2ª temporada na calha. Eis senão que, para meu grande desgosto, revolta e outros sentimentos pouco cristãos, descubro que a série foi cancelada nos States. Acho mal! Uma vez que a produtora é a Shonda Rhimes, "dona" de séries famosas como Anatomia de Grey e Clínica Privada, acho que deviam apostar em pelo menos mais uma temporadazinha e não enfiar logo o projecto numa gaveta, só porque as audiências não atingiram as expectativas. 
Pergunto-me porque é que o Longe de Tudo não teve o mesmo sucesso que as outras duas séries da Shonda? Afinal, tal como elas,  também se trata de uma história de médicos. Terá sido porque os personagens não passavam a vida a dormir uns com os outros como acontece na Anatomia de Grey por exemplo? No outro dia dei-me ao trabalho de contar com quantas personagens femininas o Alex Karev já tinha dormido. Contas feitas e o resultado foram pelo menos 6. O George O'Malley só esteve em 5 temporadas, mas mesmo assim conseguiu dormir com a Grey, a Izzie, a Lexie e a Callie. A Addison saiu da Anatomia de Grey para a sua própria série, a Clínica Privada e entre uma e outra, já vai nuns 7 concubinos. E note-se que eu nem sigo esta, mas já percebi que basta fazer zapping e calhar num episódio, que lá está a Addison embrulhada com algum. No outro dia ouvia-a a dizer: "eu amo-te a ti e ao Sam e tu amas-me a mim e à Violet". Maravilhoso. Para quê estar-se envolvido num triângulo amoroso quando se pode estar num quadrado? Louvada seja a união do amor e das figuras geométricas. Quando tiver na menopausa quero estar envolvida num pentágono amoroso que é para ter o máximo de folia na minha vida.
O ano passado fui operada pela primeira vez. Enquanto aguardava para entrar no bloco operatório, lembro-me de ter pensado: será que anda por aí algum casal de profissionais da saúde a trocarem fluidos entre uma e outra cirurgia? Se é para aliviarem a tensão por mim tudo bem. Só quero é que quem venha operar-me, venha com a cabeça fresca que é para eu não pagar as favas.  

Poesia ou a voz do Morgan Freeman

Não me lembro de não ler. Não tenho qualquer memória pré-leitura. Foi como se o disco rígido do meu cérebro só tivesse começado a gravar registos a partir do momento em que o comecei a alimentar de livros. A Literatura esteve sempre presente na minha vida. Lembro-me de, na infância e na pré-adolescência, ter absorvido toda a colecção Uma Aventura da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães, alguns livros da Alice Vieira como o Rosa minha irmã Rosa, ou ainda a colecção Viagens no Tempo.  
Os livros foram sempre tão importantes para mim que estudei Literatura na Universidade. Hoje em dia, ironicamente, trabalho com números e não tanto com letras.
Quando digo que gosto de Literatura, não costumo mencionar o facto que este gosto se limita normalmente à Prosa. A Poesia não é, de facto, assídua na minha mesa de cabeceira. Um poema para me seduzir tem de ser mesmo muito bom. E se há um que me seduziu, ao ponto de o ter imprimido e colado junto da minha secretária no trabalho é este, escrito por William Ernest Henley, que ouvi, declamado pela voz maravilhosa do Morgan Freeman em Invictus, o filme de Clint Eastwood sobre Nelson Mandela.

Out of the night that covers me                      
Black as the Pit from pole to pole                  
I thank whatever gods may be                       
for my unconquerable soul                               

In the fell clutch of circumstance                       
I have not winced nor cried aloud                     
Under the bludgeonings of chance                    
My head is bloody, but unbowed                     

Beyond this place of wrath and tears                
Looms but the horror of the shade                    
And yet the menace of the years                       
Finds and shall find me, unafraid                       

It matters not how strait the gate                      
How charged with punishments the scroll          
I am the master of my fate                                
I am the captain of my soul                              

( Tradução )

Fora da noite que me cobre
Negra como o abismo de pólo a pólo
A qualquer deus, se acaso algum existe
Pela minha alma inconquistável, agradeço
     
Nas garras das circunstâncias
Não vacilei nem me ouviram chorar
Sob os golpes do acaso
A minha cabeça sangra mas permanece erguida

Para lá deste lugar de rancor e lágrimas
Eleva-se o terror das sombras
E no entanto, a ameaça dos anos
Encontra-me e encontrar-me-á, destemido

Não importa quão estreito é o portão
Quão carregado de castigos, o veredicto
Sou o Mestre do meu destino
Sou o Capitão da minha alma

Com a tradução perde-se um pouco a magia do poema. No entanto, a mensagem mantém-se inalterada: mesmo nas piores circunstâncias devemo-nos manter de cabeça erguida e continuar a lutar por aquilo em que acreditamos pois apenas nós dirigimos o nosso destino e comandamos a nossa alma.