"Dancem, dancem, ou então estamos perdidos" disse Pina Bausch e diz-nos o filme realizado por Win Wenders para a famosa coreógrafa alemã que morreu em 2009 aos 68 anos, vítima de um cancro que lhe tinha sido diagnosticado apenas 5 dias antes.
Sempre olhei com algum preconceito para a dança contemporânea. No entanto, as várias temporadas do So You Think You Can Dance fizeram-me perceber que as coreografias deste estilo quando conjugam muita imaginação e movimentos perfeitos, podem levar o espectador às lágrimas.
Pina Bausch foi inovadora e por isso, às vezes, polémica. Foi várias vezes acusada de não criar dança. Ela e a sua companhia passaram por Portugal, nomeadamente no Centro Cultural de Belém, diversas vezes.
Quando vi o trailer do filme, achei que era uma boa oportunidade para conhecer melhor o trabalho de um nome tão sonante da dança. Estava à espera de algo semelhante a um documentário. Mas de documentário tem pouco. É um filme que faz um tributo à beleza dos mais simples movimentos, à beleza de gestos que manifestam dor, amor, força, leveza ou alegria.
Os elementos da companhia falam de como Pina os ensinou a dançar mas também a viver. Contam-nos como Pina se sentava a um canto e os observava. Uma das bailarinas refere mesmo como Pina a observou durante mais de 22 anos, mais do que os próprios pais dela o fizeram. Outra bailarina, mais jovem, conta como se tornou a primeira criança a integrar a companhia, uma vez que era filha de um casal que fazia parte da mesma há muito tempo.
Quem gosta de bom cinema e quem gosta de dança tem de ver Pina. O uso do 3D é inteligente e necessário. A banda sonora é uma personagem e os locais onde decorrem algumas das performances são surpreendemente originais. Ninguém imaginaria que resultasse numa imagem bonita ver um casal dançar debaixo das linhas de um transporte público.
Deixo aqui o trailer do filme bem como a minhas coreografias preferidas do So You Think...



