Recentemente, uma amiga minha disse-me que em tempos de crise, as pessoas tendem a recorrer mais à imaginação para enfrentá-la e sobretudo, para contorná-la. Surgem ideias de poupança há muito guardadas nas gavetas da prosperidade económica. Por coincidência, ou talvez não, uma vez que a crise está sempre na ordem do dia, poucos dias depois de ter ouvido estas palavras que muito me fizeram pensar, deu na TVI uma reportagem sobre o modo como as pessoas de poucos recursos, isto é, salários baixos ou parcas reformas vivem as suas férias de Verão. A reportagem, intitulada "Aqui vou eu para a Costa" mostrava como muitas famílias portuguesas estão a trocar as viagens ao estrangeiro pelas praias nacionais. A imprensa , com esta peça, veio provar-me o quão sábios foram os comentários da minha amiga. Recorrendo de facto à imaginação, as várias famílias contaram para as câmaras, como substituíram os hotéis pelas tendas e atrelados dos parques de campismo, como optaram pelos piqueniques campestres em vez dos restaurantes.
Da minha parte, as ideias para o corte nos custos já estão em cima da mesa há muito. O passe do metro foi substituído por caminhadas diárias, sob chuva ou sol, para o local de trabalho. O ginásio deu lugar a essas mesmas caminhadas, pedaladas furiosas aos Domingos de manhã e um tapete de Yoga para os abdominais e para os alongamentos (a utilização de uma corda para saltar também está a ser considerada). Os sapatos mais idosos passaram a fazer um lifting no sapateiro em vez de serem substituídos por outros com aspecto adolescente. Alguns vestidos foram transformados em tops e túnicas nas lojas de arranjos de costura. Calças passaram a calções neste Verão. Livros e DVDs, ou são emprestados ou são de edições mais baratas. Cinema é à 2ª feira, ou com desconto do cartão Lisboa Viva ou ainda no Londres onde muitas vezes tenho o voucher " um bilhete grátis na compra de outro". A minha casa terá lâmpadas economizadoras e o aquecedor, no Inverno, será ligado apenas em situações de temperaturas negativas. Nas outras situações, o meu homem continuará certamente a gostar de mim se me vir em roupão grosso, pijama de flanela, pantufas, gorro e luvas sem a ponta dos dedos. Os banhos foram e continuarão encurtados. As refeições nos restaurantes têm perdido a prioridade para as salas de jantar dos lares dos amigos. Anseio ter a minha casa devidamente mobilada para poder retribuir. As viagens não são reservadas sem antes ter investigado quais os voos e hotéis mais baratos.
Neste momento estou em busca do orçamento mais em conta para a cozinha da minha casa. Já tenho 3 em mãos que não me agradaram por isso vou continuar a investigação até chegar aos valores que estou disposta a pagar (sem descurar a qualidade).
Pode ser uma hipocrisia todo este meu discurso face aos gastos que faço com trapos. Mas para os adquirir há que cortar algures, correcto? Pois aqui têm os cortes!!















