domingo

E continuando com o tema das crianças...

Uma antiga colega minha teve uma ideia simplesmente brilhante que já lhe deu honras de um artigo na Time Out. A Eunice tem duas filhas. Quando a mais nova nasceu, a mais velha não lidou muito bem com a situação e sentiu, por algum motivo que só as crianças sabem explicar, que os pais já não gostavam mais dela. Após várias tentativas sem sucesso, a Eunice decidiu contar-lhe uma história sobre uma criança que ia ter um irmão. De forma a tornar a história mais convincente a Eunice tornou a sua própria filha a protagonista da história e acrescentou alguns pormenores que fazem parte da vida real da família. E o problema resolveu-se. Assim, de repente, provavelmente devido àquela magia própria que as histórias infantis guardam em si.
Mais tarde a Eunice decidiu pegar naquela ideia e fazê-la chegar a mais pais com situações semelhantes. Diz o artigo da Time Out da autoria de Catarina Figueira:

" Com o problema superado, Eunice só voltou a pensar na ideia das histórias “terapêuticas” em Março deste ano, quando o trabalho na agência de Publicidade e Marketing onde estava empregada abrandou, dando-lhe tempo de sobra para escrever as primeiras histórias por encomenda. No blog que criou – Era uma vez a história que sonhou – dividiu-as em três categorias: Histórias que ajudam; Histórias para guardar no coração; histórias com Histórias.
As primeiras, as tais que lidam com as fragilidades da criança, são até agora as mais requisitadas; as segundas pretendem assinalar algo especial, como uma data a recordar (um baptizado, um aniversário), o agradecimento a uma avó ou a uma professora ou, no caso dos adultos, um pedido de casamento original ou o anúncio de uma gravidez; finalmente as histórias com História pretendem ser pequenas lições da disciplina fora dos bancos da escola. Eunice lembrou-se desta categoria quando andava à procura da história do Palácio da Pena para contar à filha e tudo o que encontrou foram datas, descrições e factos incapazes de prender a atenção de uma criança.
Depois de receber o briefing do cliente, Eunice senta-se ao computador e começa a idealizar a história à medida. Quanto maior for o volume de informação que tiver na sua posse (nomes, situações, detalhes familiares e de amizade), melhor. “Ao recriarmos o ambiente real da vida da criança há uma elevada identificação com o texto e com as ilustrações e isso potencia a concretização do objectivo da história”, explica a autora, que acredita que as histórias têm capacidade para gerar diálogo, expor fragilidades e criar cumplicidades.
Uma hora é em regra quanto basta para alinhavar o texto do livro, que em média tem oito páginas. Depois de aprovados os conteúdos pela pessoa que encomendou o serviço, é a vez de passar a bola à ilustradora Gabriela Bonito. No caso das histórias que ajudam, a situação é previamente exposta a uma psicóloga e psicoterapeuta de crianças e adolescentes, Rute Agulhas, cujas dicas e conselhos Eunice transforma em palavras, “usando um tom lúdico e nunca invasivo”. Sem pretender substituir-se a um especialista, admite que a maior recompensa é quando a sua história ajuda a resolver um problema que não ia lá com conversas.
Fã incondicional das palavras escritas, Eunice já imaginou uma Fada da Paciência numa história para uma menina que teve de estar várias semanas imobilizada em casa depois de ser operada aos tendões. Noutro livro pôs as conchinhas da Praia da Ericeira a ajudarem um menino a deixar as fraldas num livro a que deu o título de “O dia amarelo do Gui”.
Todas as histórias são enviadas aos clientes através de um link ou encadernadas em livro, que é expedido pelo correio no prazo de duas a três semanas. Os preços oscilam entre os 19,90€ e os 29,90€. Por estes valores, é garantida a recepção de uma história única, original e personalizada. Enquanto se ocupa a “costurar” histórias feitas à medida de outras crianças, Eunice tem à espera uma cliente especial: a filha Matilde, que reclama uma história sobre uma menina canhota que escreve da direita para a esquerda. Uma história feita à sua própria medida. "

Consultem o blog pois é fabuloso:

http://eraumavezahistoriaquesonhou.blogspot.com/
As grandes ideias merecem ser divulgadas.

Mães com estilo...

... ainda bem que as há! Há uns dias fotografei uma que ainda transporta a sua respectiva criança. Esta cuja imagem hoje aqui coloco, fez com que 2 lindos meninos vissem a luz do dia há 2 anos atrás. Ontem foi a festa de aniversário e ela lá foi no seu melhor. E eles também, mas a máquina fotográfica estava sem bateria e não foi possível registar os outfits juniors. Fica então só a foto da progenitora para a posteridade.




sexta-feira

Ontem foi noite de Vogue Fashion's Night Out...

... e a meteorologia foi amiga. Quem chegou a temer não poder levar aquele vestido mais curto ou aqueles calções ainda por estrear guardados para a ocasião, respirou de alívio ao verificar que as temperaturas altas que se haviam sentido durante o dia tinham permanecido no pós lusco-fusco. 
Este ano, cedo me apercebi que a adesão aumentou em relação a 2010. E o valor das malas que as senhoras trouxeram para a rua também. Uma Birkin da Hermés passou mesmo à minha frente. Das duas, uma: se era verdadeira, estamos a falar de 6.000 Euros de mala, se era falsa, era uma daquelas falsas bem boas comprada em Chinatown e que mesmo contrafeita, deve ter custado à sua respectiva dona o valor gordinho de 300 ou 400 dolars. Também passaram por mim saltos com 1 mm de espessura e 15 cm de altura. Palmas para as respectivas atletas. Andar na calçada portuguesa com sapatos assim merece criação de modalidade nos Jogos Olímpicos. 
Eu levei saia comprida. Tive de recorrer várias vezes ao chamado gesto vitoriano ( tradução: erguer a saia ligeiramente e com delicadeza usando uma ou ambas as mãos ) para não me estender ao comprido, tipo prancha de surf, nas escadas da Armani ou da D&G. Tralhar e partir os dentes no Fashion's Night Out, definitivamente, não é sexy. 
Este ano, a crise manifestou-se. Nada de brindes milionários. Mas foi divertido na mesma. Foi a verdadeira festa a céu aberto. E foi sobretudo para muitos, a oportunidade anual de entrar e sair de lojas onde às vezes é intimidante  pôr o pezinho. Foi a oportunidade de se verificar os preços de alguns luxos ( atenção, nunca perguntar: quanto custa? o correcto é: como se chama? ). Ah que bela noite! A gente bonita, os concertos nas lojas, as montras vivas. A beleza de uma indústria que movimenta milhões. 
Comprar luxo pode ser caro mas sonhar com ele é de borla e pelo menos por uma noite, todos podemos sonhar.  

quinta-feira

Diálogo entre mim e o meu homem...

... ao telefone esta tarde:

O meu homem - Então mas já saíste do trabalho?
Eu - Já, já estou na rua... Ah que grande cabra!
O meu homem - Cabra? Quem?
Eu ( em surdina ) - Uma mulher que vai aqui a passar à minha frente. Leva uns sapatos e um vestido bem giros. E a mala também é gira!
O meu homem - Então e ela é gira?
Eu - Por acaso não!
O meu homem - Ah então não tem o mesmo interesse para nós os dois!

Moral da história: Um casal pode ser feliz mesmo tendo interesses diferentes.

segunda-feira

De regresso de Madrid

Fui com mamãe a Madrid este fim de semana. Ao entrarmos no aeroporto ela fez um comentário que eu achei muito interessante: "antigamente as pessoas vestiam a sua melhor roupinha para andarem de avião, agora já não se vê nada disso, muito pelo contrário". Nunca me tinha passado pela cabeça que andar de avião em tempos que já lá vão era considerado um luxo que requeria traje domingueiro. Na minha humilde opinião, viagens, seja em que tipo de transporte for, exige roupa confortável, simples e de preferência que não nos deixe a cheirar a cavalo suado. Não me imagino a fazer uma viagem de 11 horas de voo para Moçambique com vestido delicado, sapato de 10 cm de salto, 3 colares, 20 pulseiras, 6 aneis e sabe-se lá que mais. No way, José!
Assim que chegámos à capital espanhola começámos logo a laurear a pevide. Madrid descreve-se facilmente: é a cidade das 300 mil praças, dos 300 mil homens estátua, dos 300 mil Starbucks, dos 300 mil edifícios bonitos e das 300 mil tartarugas na Estação da Atocha. Achava que era igualmente a cidade das 300 mil Zaras mas curiosamente só vi 2, uma na Gran Via e outra no aeroporto. Suspeito que as outras 298 mil estão espalhadas pelas várias esquinas de Portugal. 







Madrid nunca me cansa, sobretudo o Museu do Prado, onde descubro sempre um novo ( ou melhor, um muito antigo ) quadro que me capta a atenção. Desta vez os contemplados foram principalmente obras de Rubens. Quero começar por comentar As Três Graças. É de louvar o realismo nestes rabos. A celulite não foi apagada ou disfarçada pelo pincel do autor, o photoshop do século XVII. Ela está lá, bem visível nos traseiros das 3 deusas, provando às comuns mortais que nem as divindades são perfeitas.  

   
Segue-se o Nascimento da Via Láctea. Um deusa lança um esguicho de leite da sua maminha e eis que a Via Lactea se forma. Que revelação desfilou perante os meus olhos. Rubens era sem dúvida um atrevido. Que pensarão os cientistas desta versão romântica do fenómeno?


Rubens também sabia pintar a violência. Este Saturno Devorando um Filho provoca pesadelos a qualquer um. Diz o mito que Saturno, tomando conhecimento que um dos seus filhos o iria um dia expulsar do céu, exigiu à mulher que lhos entregasse. Devorou um deles, mas o outro, Júpiter, salvou-se e foi este que de facto mais tarde concretizou a profecia.


Por fim, os meus quadros preferidos. Juan Carreño de Miranda pintou a versão vestida e despida desta criança bem roliça e com ar de "que grande seca que estou aqui a apanhar a pousar para este senhor, vamos lá a despachar que eu quero ir brincar lá para fora". Adoráveis, ambos.





sexta-feira

Exposição da Barbie no El Corte Inglês

Acabei de sair do El Corte Inglês muito emocionada. Não ao ponto de chorar mas quase. No 7º piso encontra-se uma exposição comemorativa dos 50 anos de "vida" da Barbie. Os modelos de coleccionador são de nos deixar sem palavras. Há bonecas de personagens famosas do cinema, como a Cleópatra, há outras vestidas por estilistas de Alta-Costura como Christian Dior ou Chanel, há ainda umas que são uma homenagem a actrizes e cantoras famosas como Elisabeth Taylor ou Beyoncé. Há a Barbie e o Ken Harley Davidson. Há Barbies e Kens dos personagens do Senhor dos Aneis. Em suma,  é todo um mundo, minha gente. A ver por miúdas e graúdas. 
Prometo fotos mais tarde para vos deixar com o bichinho da curiosidade. 
O mais emocionante de tudo foi ter encontrado lá à venda um modelo agora considerado de coleccionador, visto que é um modelo de 1985. Esta Barbie não é outra senão a minha! e que ainda vive!
Barbie Lady forever!

quinta-feira

Fazer trapos

Hoje telefonei para a Escola Ideal de Corte e Costura para saber informações sobre os cursos. O ano passado comecei a alimentar a ideia de que se calhar era interessante saber fazer trapos já que gosto tanto deles. Esta tarde achei que a ideia já estava suficientemente nutrida e tomei uma atitude. Fiquei a saber que o próximo curso de costura começará quando houver inscrições suficientes, lá para Outubro, provavelmente. Estou entusiasmada. Espero ter jeitinho para a coisa. Se assim for, muito dinheiro vou poupar nas bainhas que mando fazer nas várias lojas de arranjos e transformação de roupa que proliferam por aí. Esta história de uma pessoa ser um meio corpo acarreta muita despesa. Não há par de calças ao qual não tenha de mandar retirar um metro de tecido. 
Quem se lembrou de criar um negócio de lojas de arranjos, foi genial. Tendo em conta que o número de avozinhas peritas na arte de manejar a agulha e o dedal tem vindo a diminuir nos últimos tempos, as pessoas não têm outro remédio senão recorrer a profissionais. Resultado, o negócio está de tal forma em força que para um simples arranjinho, por vezes tem de se esperar mais de uma semana. 
Estou ansiosa por começar. Vai ser o verdadeiro regresso aos trabalhos manuais, disciplina que eu tanto adorava nos meus tempos da escola preparatória. Espero criar grandes obras!