Sou leitora assídua de várias revistas. A Vogue ou a Máxima por causa do tema da Moda, a Sábado porque tem reportagens interessantes sobre tudo e mais alguma coisa ( tendo substituído a Visão na minha lista de favoritas quando esta resolveu abusar no número de capas com a palavra "crise" ). Confesso que também leio a espanhola Hola ( não IHola, como muitos acham, pois o símbolo i antes do H é um ponto de exclamação ao contrário ) porque a minha mãe gosta de a comprar e há sempre um exemplar lá por casa.
Depois há a Exame, a única que me faz sonhar.
Mensalmente leio as entrevistas / testemunhos dos grandes gestores e dos seus feitos extraordinários para aumentar os resultados das empresas pelas quais são responsáveis. Mensalmente leio como este ou aquele teve uma ideia genial para iniciar um negócio e actualmente, não só as portas continuam abertas, como a empresa cresceu e já dá emprego a um considerável número de pessoas. Mensalmente leio como algumas empresas 100% nacionais já estão a pensar na internacionalização. Mensalmente leio casos de sucesso que me fazem pensar e lá está, sonhar. Sonhar que também eu um dia poderei ter uma ideia brilhante que resulte num negócio igualmente brilhante. Algo que implique um investimento de entrada pequeno para não desistir logo à partida. Algo que me traga um retorno rápido. Algo de que eu goste.
Ou então, esquecer os sonhos de criar a minha empresa e substituí-los pelos de estar à frente de uma que não minha, para que eu possa ajudar ao seu desenvolvimento, a ter sucesso, a se destacar cá dentro e lá fora. Porque isso seria igualmente bom. Para mim, é grande a satisfação que se obtém quando se ajuda uma empresa a ser bem sucedida. Criam-se postos de trabalho, gera-se a possibilidade de conceder a um determinado número de famílias, o acesso a algum conforto. Se são cargos bons porque os salários são altos? É verdade sim senhor. Mas também é verdade que as responsabilidades são altas. E que quem está disposto a assumi-las pode deitar-se todos os dias com valentes dores de cabeça: com o cliente x que já não paga as facturas há mais de 6 meses; com o fornecedor y que não entregou as matérias-primas a tempo e logo não será possível cumprirmos com os prazos com que nos comprometemos; com o colaborador z que coloca baixa atrás de baixa e os colegas reclamam porque é preciso fazer o trabalho dele.
Um bom gestor tem sempre trabalho de casa, tem sempre de zelar pelo sucesso da sua equipa para que ele próprio tenha sucesso, tem sempre de se lembrar que não é a empresa que é um ser vivo mas as pessoas que a compõem. E para que essas pessoas trabalhem satisfeitas, há que ouvi-las, há que respeitá-las, há que entender os sinais que elas enviam. E quando necessário, porque às vezes acontece, há que lembrá-las que estão ali para trabalhar e não para fingirem que o fazem, pois ao fazerem-no estão a colocar em risco todos os outros.