Ontem, numa das minhas longas passeatas a pé, contei as várias lojas de compra de ouro que abriram nos últimos tempos. E não estamos a falar de ourivesarias. Falo apenas de lojas especializadas em comprar o metal precioso. Umas até parece que abriram durante a noite. Num dia às quatro horas da tarde não estava lá nada e no dia seguinte às dez da manhã, lojita aberta pronta para receber o primeiro cliente e a mercadoria tão cobiçada. Parece que este é o grande negócio da crise.
Nunca fui grande apreciadora de ouro, sobretudo do amarelo e sempre achei que era um pouco um mito, poder socorrer-me de uma ou outra peça em caso de dificuldade financeira. Para mim jóia comprada e usada, só para o seu respectivo proprietário tem valor ( já que foi o seu bolso que o custeou ) e com o passar dos anos, esse valor passa a sentimental e não monetário. Pois parece que afinal esta minha teoria tem falhas. Em troca daquele fio com o nosso primeiro dentinho na ponta ( tão na moda nos anos 70 e 80 ), há quem esteja disposto a dar um maço de notas, muitas vezes não tão gordo como se desejaria.
Desconheço a rota que depois irá percorrer o fio com o dentinho mas desconfio que vai acabar num forno de alta temperatura.
Já tive uma pulseira em ouro que chegou às minhas mãos sob a forma de herança. A pulseira era para lá de foleira. Feia, feia. Servia para tudo menos para a função que lhe competia, que era ornamentar. Um insulto ao meu pulso delicado. Solicitei autorização à minha mãe para vendê-la e adquirir algo que me agradasse mais. Ela, relutante, disse que sim. Acabei por trocá-la numa ourivesaria por um pulseira da Pandora para mim e outra para a minha irmã. O dinheiro ainda deu para adquirir muranos e outras peças de prata que deram às Pandoras um ar bastante composto.
A minha mãe ficou escandalizada com a troca. Ainda hoje olha para a Pandora com algum desdém. Trocar ouro por prata é algo inadmissível para alguém da geração dela.











