segunda-feira

Um Método Perigoso de David Cronenberg

Um filme interessante sobre as origens desse tratamento considerado inovador no início do século XX e que ainda hoje se mantém: a psicanálise. Uma forma de curar os males da mente à base de uma simples conversa entre médico e paciente em que nada deve ser mantido em segredo. Segundo o filme - que retrata a História - o tratamento foi criado por Freud mas foram os seus discípulos, nomeadamente Carl Jung e Sabina Spielrein, que o aplicaram e desenvolveram. Em "Um Método Perigoso" abundam os diálogos entre estas três personagens principais sobre a mente humana, por vezes muito difíceis de acompanhar, ou não fosse o tema tão complexo. Além de Keira Knightley e Michael Fassbender no elenco, David Cronenberg escolheu um dos seus actores preferidos: Viggo Mortensen ( o Aragorn de O Senhor dos Aneis ). Nos filmes imediatamente anteriores de Cronenberg foi o protagonista de Uma História de Violência e de Promessas Perigosas. Neste, foi no entanto, uma segunda escolha pois o cobiçado papel de Freud havia sido atribuído primeiramente a Christoph Waltz. 
Keira Knightley tem neste filme um dos melhores papeis da sua carreira, mas a mim não me conseguiu convencer, sobretudo nos ataques de histeria no início da história. Diz-se que esteve quase para recusar o papel devido a uma fortíssima cena de sexo sadomasoquista. A cena não me pareceu assim tão polémica. Aliás, muito fraquinha, quando comparada com algumas com que o realizador canadiano já nos habituou. Promessas Perigosas, por exemplo, está cheio delas.   
O último trabalho de Cronenberg mostra-nos sobretudo a relação romântica entre Jung e Sabina Spielrein e a relação de amizade, académica e quase paternal entre Jung e Freud. Ambas as relações se deteoram, sobretudo entre os dois médicos, uma vez que para Freud todas as neuroses tinham origem em traumas sexuais e Jung considerava outras hipóteses.
Um filme com informação histórica, bons actores e alguns bons momentos de humor concedidos pela presença de Vincent Cassel em algumas cenas. 


domingo

6ª feira foi dia de Black Friday nos EUA...

... e aquilo é que se pode chamar de consumo desenfreado. Nós por aqui também tivemos a Fnac a oferecer 10% de desconto aos que possuem Cartão Aderente e a Worten a oferecer 20% em talão mas não me parece que tenha havido pessoas a aguardar desde a noite anterior em tendas para serem as primeiras a entrar nas lojas e agarrar nos objectos de desejo. Melhor ainda, não me parece que alguém tenha chegado ao ponto de ir munido de gás pimenta com o intuito de afastar a concorrência.
São assim as histórias dos grandes armazéns americanos, onde aplicar placagens parece não ser suficiente.
Só tenho pena que a senhora do gás pimenta não tenha sido apanhada pelas autoridades. Já estou a imaginar o interrogatório:
O Agente da Autoridade: - Minha senhora, qual era a sua intenção ao transportar gás pimenta para dentro do estabelecimento comercial?
A senhora louca por compras: - Auto-defesa! Podiam querer roubar a Barbie que ia comprar para as minhas filhas! Ninguém tira o pão da boca delas!


quarta-feira

Tenho seguido com interesse o tema Duarte Lima. Pelo que pude até ao momento apurar sem grande esforço, estamos a falar de um senhor advogado, que já foi ministro durante o Governo de Cavaco Silva e que já teve a infelicidade de enfrentar uma leucemia, batalha que venceu. Até aqui, nada a apontar. Não sei se devido à doença quase fatal ou se porque foi sempre assim e só agora é que se lhe descobriu a careca (literalmente, ou não brilhasse aquela cabeça como um diamante lapidado), a verdade é que Duarte Lima resolveu tornar-se um rebelde. Primeiro, alegadamente, matou uma velhota achando que como foi do outro lado do Atlântico, não era importante. O móbil, parece, era deitar a mão às quantias astronómicas de dinheiro que a senhora tão religiosamente guardava nas suas contas bancárias. Mais recentemente, eis que é acusado de ter desviado 40 milhões do BPN. Ora, 40 milhões parece-me muito dinheiro. Mas perante todas as notícias que enchem as páginas dos jornais, concluo que, pelos vistos, para Duarte Lima não era suficiente. Vai daí e toca a encher a idosa de balázios para ver se cai mais algum.
A pergunta que me coloco é: quanto é que preciso amealhar de forma ilegal, isto é, quantos golpes são precisos até se achar que é tempo de parar e pedir a reforma? Ou será que isto não é uma questão de montantes, mas antes uma questão de adrenalina? Do tipo, se este golpe me correu tão bem, porque não um próximo mais ousado?
Isto lembra-me uma história que ocorreu tinha eu uns 13 anos. Numa viagem da minha escola a Paris, a cereja no topo do bolo deu-se quando chegámos às portas da Eurodisney. Foi a histeria total e durante horas, adultos e graúdos não pararam de se divertir. O problema começou quando alguns desses miudos resolveram deixar as montanhas russas e os carrosseis e dirigir-se às lojas dos brinquedos. Naquela altura, os artigos ainda não possuíam alarmes individuais e perante empregados distraídos, muitos resolveram aproveitar-se da situação. Bonecos foram trazidos para fora das lojas sem terem passado pelas caixas registradoras. Houve quem tenha chegado ao ponto de colocar um peluche bem grande debaixo do braço e sair descontraidamente. O mais espantoso disto tudo é que os objectos furtados não interessavam minimamente aos cleptómanos. Era tudo apenas pelo prazer de praticar um pequeno delito. 
Terá sido também a busca do prazer o principal motivo que levou Duarte Lima a cometer algumas falcatruas ou será que o que o moveu foi um imensurável desejo de figurar na lista dos 100 mais ricos do Mundo da revista People? 
No caso dos peluches furtados tudo foi devolvido umas horas mais tarde às prateleiras das lojas. A discreta devolução foi mais uma fonte de adrenalina. Bonecada saiu e entrou sem que ninguém tenha notado algo de estranho. E Duarte Lima, será que vai devolver tudo? Voluntariamente?

terça-feira

Chocolate, Moda & Solidariedade

A combinação perfeita aconteceu ontem no Hotel Real Palácio, onde durante esta semana se encontra a decorrer mais uma edição da Semana do Chocolate.
Até 26 de Novembro, irão decorrer vários workshops sobre este tema tão doce. Cada workshop tem um custo de 15 Euros por pessoa e metade do valor reverte a favor da Associação Aldeia de Crianças SOS. 
Hoje, reuniram-se no mesmo espaço os segredos da confecção de cookies, cupcakes e brownies revelados pelo Chef Paulo Fernandes  e os segredos das tendências de moda relacionadas com as cores do chocolate pelas mãos das Consultoras de Imagem da empresa Style It Up.    
Assim que me inscrevi no evento, percebi logo que o investimento tinha valido a pena. Para adoçar o largar do dinheiro, as participantes receberam um saco com dois belos brindes: uma caixa de bombons ( tão deliciosos que já vão todos a caminho de uma instalação eterna nas minhas ancas ) e um body lotion da Dove. 
Antes do início do workshop, tivemos direito à Garota de Ipanema tocada por um saxofone e bandejas com copos de leite achocolatado quente ou frio, que logo provei. Não fica bem a uma pessoa atacar logo a comida qual fera com cio nestes eventos, eu sei. No entanto, em minha defesa tenho de dizer, que o principal causador de polémica no que se refere a aumentos do IVA estava irresistível.  
A adesão foi maior do que a que estava à espera. O workshop de moda é que acabou por desiludir um pouco pois a informação foi pouca e as intervenções das pessoas um pouco tímidas.
Bom mesmo, foi a degustação final de todas as iguarias preparadas pelo Chef Paulo Fernandes. Muito degustei eu, meus caros!


Hoje uma amiga minha resolveu investigar na Internet se a sua recente relação tem futuro tomando como base a questão dos signos do Zoodíaco. Isto, porque desconfia, para sua grande tristeza e preocupação, que um Carneiro e um Peixes é união que não tem pernas para andar. Rindo às gargalhadas, solicitou a minha opinião sobre este tema tão "profundo". Eu reflecti e dediquei à questão alguns breves segundos. Munida de uma teoria que me pareceu sóbria, respondi:
- Ah, então o signo de um homem agora também é factor de exclusão? É que na sua busca pelo príncipe encantado, já é suposto as mulheres evitarem os salafrários, os agarrados, os padres, os gays e os namorados das melhores amigas, isto é, todos aqueles que são impróprios para consumo. Se vamos excluir também aqueles que têm signos que não nos agradam, estaremos reduzidas a uma amostra microscópica, não?
- Tens razão - respondeu a minha amiga - mas por via das dúvidas, vou ver o que encontro na Internet.
Profetizo que esta mania do mulherio complicar tudo só vai trazer problemas à Humanidade. É assim desde que Eva decidiu instigar Adão a dar uma mordidinha na maçã e vai ser assim até o último ser feminino desaparecer da face do sistema solar.  

domingo

Fuga no Teatro Tivoli

Há já muito tempo que não ia ao Teatro. O jejum acabou hoje com a peça Fuga que me atraiu sobretudo pelo elenco. José Pedro Gomes, Maria Rueff e Jorge Mourato são nomes constantes em peças humorísticas. Quem não se lembra do primeiro nas Conversas da Treta com o inesquecível António Feio ou em Arte, onde partilhava o palco mais uma vez com Feio mas também com Miguel Guilherme. Maria Rueff também dispensa apresentações. Herman José apresentou-a ao público português no início dos anos 90 e o humor no nosso país nunca mais foi o mesmo. O último trabalho que vi da actriz até esta tarde foi a brilhante imitação de Teresa Guilherme em "A Casa dos Degredos" e sabia que ela não me ia desapontar. Jorge Mourato participou em Caveman, onde explicou, sozinho em placo, através de metáforas capazes de arrancar gargalhadas aos mais sisudos, as grandes diferenças entre homens e mulheres. 
Admito que Fuga não vai figurar no meu Top 5 de peças de teatro preferidas mas saí do Tivoli satisfeita. Gostei mais da primeira parte, onde acho que a concentração de piadas foi maior. No entanto, admito que na segunda pudemos assistir a um maior enriquecimento da história com alguns factos surpreendentes.
Destaque para a questão tão actual da corrupção e do enriquecimento de alguns políticos que enchem a boca para dizer que dedicam a sua vida a servir o país.
Em suma, duas horas bem passadas e que me permitiram perceber que o teatro nao está em coma e que ainda atrai multidões. Com ou sem a maldita crise, o Tivoli estava cheio.


sexta-feira

Duas noções muito diferentes de aventura

Diálogo entre a minha pessoa e a minha colega e amiga Carla, esta manhã:

Eu:  - Estou a precisar de aventura na minha vida. Tenho tanta pena de não ter feito aquele mega passeio de bicicleta no fim de semana passado por causa da chuva ( passeio de 72 Kms na ciclovia que liga Pombal a Nazaré )
Carla: - Oh Isabel vamos aventurar-nos esta tarde! Que tal irmos arranjar as unhas das mãos?