No século XIX os irmãos Grimm criaram o mito do principe encantado com o conto Cinderela e o universo feminino nunca mais foi o mesmo. No século XX, nomeadamente nos anos 90, o cinema deu-lhe a cara e o corpo de Richard Gere em Pretty Woman e as mulheres reforçaram as suas convicções de que há sempre um sujeito bonito, rico, educado, inteligente, isto é, pura realeza, que vai aparecer para as salvar. No século XXI eis que tudo muda e a figura do princípe encantado é substituída pela do vampiro encantado na saga Twilight. Primeiro ponto em comum nos dois filmes românticos: ambos os protagonistas, o de sangue azul e o que gosta de sangue, dão pelo nome de Edward. Segundo ponto em comum: boa banda sonora. Terceiro ponto em comum: as protagonistas femininas são salvas devido à pronta intervenção dos seus heróis garbosos.
Hoje fui ver o Amanhecer ao cinema. Vi-me rodeada de adolescentes e não fosse a ausência de iluminação na sala, todos poderiam ter testemunhado o rubor nas minhas faces. Sim, confesso que senti alguma vergonha no início. No entanto, a coisa passou-me rápido. Gosto de mergulhar numa boa história romântica irreal, daquelas que têm menos credibilidade que uma mala falsa da Louis Vuitton. Gosto de pensar que ainda há autores que conseguem ter imaginação suficiente para criar algo que está tão distante da vida real como a minha conta bancária está de um apartamento de luxo no Chiado.
Adorei o Robert Pattinson a falar português nas cenas gravadas no país do samba. Não gostei tanto foi das cenas finais. Um pouco violento para o público juvenil por vezes ainda muito tenrinho para ver tanta mordidela e sangue.
Chegada a casa, eis que no Fox Movies, está a dar o Pretty Woman. Achei graça à coincidência, daí falar de ambas as longas metragens neste post.
Um aviso à navegação feminina: a ver o recente e a rever o antigo, mas atenção, há que manter os pézinhos bem assentes na terra, nada de andar por aí a sonhar com seres míticos.

