domingo

Sobre Steve Jobs

Pergunto-me quantos livros sobre Steve Jobs estiveram a aguardar que ele morresse para serem logo de seguida editados. A biografia escrita por Walter Isaacson foi o primeiro que vi nas prateleiras da Fnac e da Bertrand. Hoje deparei-me com As Palavras de Steve Jobs de autoria de Helena Oliveira onde se encontram algumas das suas mais famosas citações e ainda O Método de Steve Jobs - iLeadership escrito pela mão de Jay Elliot e que tem como objectivo inspirar as novas gerações a inovar e a liderar.
Estou tentada a adquirir um dos três. Apesar de ser info-excluída, sou admiradora de histórias reais de self-made men.   




sábado

Amanhecer ou a história do vampiro encantado

No século XIX os irmãos Grimm criaram o mito do principe encantado com o conto Cinderela e o universo feminino nunca mais foi o mesmo. No século XX, nomeadamente nos anos 90, o cinema deu-lhe a cara e o corpo de Richard Gere em Pretty Woman e as mulheres reforçaram as suas convicções de que há sempre um sujeito bonito, rico, educado, inteligente, isto é, pura realeza, que vai aparecer para as salvar. No século XXI eis que tudo muda e a figura do princípe encantado é substituída pela do vampiro encantado na saga Twilight. Primeiro ponto em comum nos dois filmes românticos: ambos os protagonistas, o de sangue azul e o que gosta de sangue, dão pelo nome de Edward. Segundo ponto em comum: boa banda sonora. Terceiro ponto em comum: as protagonistas femininas são salvas devido à pronta intervenção dos seus heróis garbosos. 
Hoje fui ver o Amanhecer ao cinema. Vi-me rodeada de adolescentes e não fosse a ausência de iluminação na sala, todos poderiam ter testemunhado o rubor nas minhas faces. Sim, confesso que senti alguma vergonha no início. No entanto, a coisa passou-me rápido. Gosto de mergulhar numa boa história romântica irreal, daquelas que têm menos credibilidade que uma mala falsa da Louis Vuitton. Gosto de pensar que ainda há autores que conseguem ter imaginação suficiente para criar algo que está tão distante da vida real como a minha conta bancária está de um apartamento de luxo no Chiado.  
Adorei o Robert Pattinson a falar português nas cenas gravadas no país do samba. Não gostei tanto foi das cenas finais. Um pouco violento para o público juvenil por vezes ainda muito tenrinho para ver tanta mordidela e sangue. 
Chegada a casa, eis que no Fox Movies, está a dar o Pretty Woman. Achei graça à coincidência, daí falar de ambas as longas metragens neste post. 
Um aviso à navegação feminina: a ver o recente e a rever o antigo, mas atenção, há que manter os pézinhos bem assentes na terra, nada de andar por aí a sonhar com seres míticos. 


       

O mesmo vestido: dois preços muito diferentes

Avistei o vestido abaixo numa loja perto da minha casa. O seu nome de baptismo: 60 Euros redondinhos. Por mera casualidade, encontrei um irmão gémeo do modelito no catálogo da La Redoute. O seu nome de baptismo: 29,95 Euros. E a sua alcunha ainda é bem mais barata ( isto é, como está em promoção ): 18,96 Euros ( já com os portes de envio ). Volto a referir que são irmãos gémeos, talvez separados à nascença, mas ainda assim, iguais como duas gotas de água.
A pergunta que urge colocar é: na loja, não estarão a ser demasiado ambiciosos, ou é só impressão minha?


quinta-feira

As críticas ao consumismo são do melhor que há!

Hoje aconteceu-me uma situação no mínimo caricata. Ia a minha pessoa calmamente a passear-se pela Av. da Liberdade quando passa por mim uma senhora de estatura reduzida, largura igualmente reduzida mas de lingua bem grande. Observa-me e diz com desprezo: "olha já nas prendas de Natal e ainda por cima o saco é da Benetton". A minha pessoa nem se deu ao trabalho de lhe responder convenientemente. E porquê, perguntam-me vocês:
- Primeiro, porque o saco continha umas botas que mandei arranjar no sapateiro. Eu cá sou como o Salazar no que respeita a botas, nunca as deito fora, o segredo é mandá-las para a devida cirurgia plástica.
- Segundo, mesmo que o saco estivesse cheio de prendas para mim ou para outrém, sempre é dinheiro mais bem gasto do que aquele que a dita senhora deve gastar. É que não querendo ser má língua mas vendo-me obrigada a sê-lo, o aspecto da despeitada fez-me crer que as suas principais compras são feitas nos grandes supermercados de produtos ilícitos.
- Terceiro, recuso-me a dar tempo de antena a críticas ao consumismo porque é rara aquela que não me soa a falso moralismo. 
Não me parece que consumir já esteja incluído na lista dos 7 pecados mortais, mas como não gosto de falar à toa, vou perguntar a um Padre qual a posição da Igreja Católica sobre este tema. Além disso, acho que muita gente se esquece que ao comprarmos na loja A, B ou C estamos a ajudar que o emprego da pessoa X, Y e Z se mantenha. Porque o/a X prefere com certeza ganhar o ordenado mínimo em vez do ordenado zero. E o Y também quer ter a possibilidade de gastar na loja B. Vamos deixar todos de ir à Zara para ver o que acontece`aos vários funcionários por lá circulam. Vamos deixar de entrar na Bertrand, uma das, senão a mais antiga de Portugal, que é para não termos tentações e não trazermos de lá um livrinho por mais barato que seja. É que se o fizermos, uma fogueira da Inquisição estará com certeza à nossa espera.
A Europa está mergulhada numa crise. É preciso poupar, evidentemente que é, mas se todos deixarmos de consumir, se calhar as consequências ainda vão ser piores não?
Todos, privados e públicos, acabámos de levar com cortes no subsídio de Natal. Quem trabalha a recibos verdes, nem sequer sabe o que são isso de subsídios. Para todos, penso que o caminho melhor a seguir, tal como tudo na vida, é o do meio termo, o do equilíbrio. Se antes podíamos gastar 10 e poupar outros 10, agora se calhar o correcto é gastar 5 e poupar outros 5. 
Para mim consumir e poupar não são opostos, são verbos que se complementam. Verbos que temos de tentar que permaneçam nas nossas vidas. 

segunda-feira

Um Método Perigoso de David Cronenberg

Um filme interessante sobre as origens desse tratamento considerado inovador no início do século XX e que ainda hoje se mantém: a psicanálise. Uma forma de curar os males da mente à base de uma simples conversa entre médico e paciente em que nada deve ser mantido em segredo. Segundo o filme - que retrata a História - o tratamento foi criado por Freud mas foram os seus discípulos, nomeadamente Carl Jung e Sabina Spielrein, que o aplicaram e desenvolveram. Em "Um Método Perigoso" abundam os diálogos entre estas três personagens principais sobre a mente humana, por vezes muito difíceis de acompanhar, ou não fosse o tema tão complexo. Além de Keira Knightley e Michael Fassbender no elenco, David Cronenberg escolheu um dos seus actores preferidos: Viggo Mortensen ( o Aragorn de O Senhor dos Aneis ). Nos filmes imediatamente anteriores de Cronenberg foi o protagonista de Uma História de Violência e de Promessas Perigosas. Neste, foi no entanto, uma segunda escolha pois o cobiçado papel de Freud havia sido atribuído primeiramente a Christoph Waltz. 
Keira Knightley tem neste filme um dos melhores papeis da sua carreira, mas a mim não me conseguiu convencer, sobretudo nos ataques de histeria no início da história. Diz-se que esteve quase para recusar o papel devido a uma fortíssima cena de sexo sadomasoquista. A cena não me pareceu assim tão polémica. Aliás, muito fraquinha, quando comparada com algumas com que o realizador canadiano já nos habituou. Promessas Perigosas, por exemplo, está cheio delas.   
O último trabalho de Cronenberg mostra-nos sobretudo a relação romântica entre Jung e Sabina Spielrein e a relação de amizade, académica e quase paternal entre Jung e Freud. Ambas as relações se deteoram, sobretudo entre os dois médicos, uma vez que para Freud todas as neuroses tinham origem em traumas sexuais e Jung considerava outras hipóteses.
Um filme com informação histórica, bons actores e alguns bons momentos de humor concedidos pela presença de Vincent Cassel em algumas cenas. 


domingo

6ª feira foi dia de Black Friday nos EUA...

... e aquilo é que se pode chamar de consumo desenfreado. Nós por aqui também tivemos a Fnac a oferecer 10% de desconto aos que possuem Cartão Aderente e a Worten a oferecer 20% em talão mas não me parece que tenha havido pessoas a aguardar desde a noite anterior em tendas para serem as primeiras a entrar nas lojas e agarrar nos objectos de desejo. Melhor ainda, não me parece que alguém tenha chegado ao ponto de ir munido de gás pimenta com o intuito de afastar a concorrência.
São assim as histórias dos grandes armazéns americanos, onde aplicar placagens parece não ser suficiente.
Só tenho pena que a senhora do gás pimenta não tenha sido apanhada pelas autoridades. Já estou a imaginar o interrogatório:
O Agente da Autoridade: - Minha senhora, qual era a sua intenção ao transportar gás pimenta para dentro do estabelecimento comercial?
A senhora louca por compras: - Auto-defesa! Podiam querer roubar a Barbie que ia comprar para as minhas filhas! Ninguém tira o pão da boca delas!


quarta-feira

Tenho seguido com interesse o tema Duarte Lima. Pelo que pude até ao momento apurar sem grande esforço, estamos a falar de um senhor advogado, que já foi ministro durante o Governo de Cavaco Silva e que já teve a infelicidade de enfrentar uma leucemia, batalha que venceu. Até aqui, nada a apontar. Não sei se devido à doença quase fatal ou se porque foi sempre assim e só agora é que se lhe descobriu a careca (literalmente, ou não brilhasse aquela cabeça como um diamante lapidado), a verdade é que Duarte Lima resolveu tornar-se um rebelde. Primeiro, alegadamente, matou uma velhota achando que como foi do outro lado do Atlântico, não era importante. O móbil, parece, era deitar a mão às quantias astronómicas de dinheiro que a senhora tão religiosamente guardava nas suas contas bancárias. Mais recentemente, eis que é acusado de ter desviado 40 milhões do BPN. Ora, 40 milhões parece-me muito dinheiro. Mas perante todas as notícias que enchem as páginas dos jornais, concluo que, pelos vistos, para Duarte Lima não era suficiente. Vai daí e toca a encher a idosa de balázios para ver se cai mais algum.
A pergunta que me coloco é: quanto é que preciso amealhar de forma ilegal, isto é, quantos golpes são precisos até se achar que é tempo de parar e pedir a reforma? Ou será que isto não é uma questão de montantes, mas antes uma questão de adrenalina? Do tipo, se este golpe me correu tão bem, porque não um próximo mais ousado?
Isto lembra-me uma história que ocorreu tinha eu uns 13 anos. Numa viagem da minha escola a Paris, a cereja no topo do bolo deu-se quando chegámos às portas da Eurodisney. Foi a histeria total e durante horas, adultos e graúdos não pararam de se divertir. O problema começou quando alguns desses miudos resolveram deixar as montanhas russas e os carrosseis e dirigir-se às lojas dos brinquedos. Naquela altura, os artigos ainda não possuíam alarmes individuais e perante empregados distraídos, muitos resolveram aproveitar-se da situação. Bonecos foram trazidos para fora das lojas sem terem passado pelas caixas registradoras. Houve quem tenha chegado ao ponto de colocar um peluche bem grande debaixo do braço e sair descontraidamente. O mais espantoso disto tudo é que os objectos furtados não interessavam minimamente aos cleptómanos. Era tudo apenas pelo prazer de praticar um pequeno delito. 
Terá sido também a busca do prazer o principal motivo que levou Duarte Lima a cometer algumas falcatruas ou será que o que o moveu foi um imensurável desejo de figurar na lista dos 100 mais ricos do Mundo da revista People? 
No caso dos peluches furtados tudo foi devolvido umas horas mais tarde às prateleiras das lojas. A discreta devolução foi mais uma fonte de adrenalina. Bonecada saiu e entrou sem que ninguém tenha notado algo de estranho. E Duarte Lima, será que vai devolver tudo? Voluntariamente?