Quando o desgaste semanal do trabalho se transforma num fardo demasiado pesado que só nos apetece mexer o estritamente necessário, recorro à terapia que designei de Maratona de Cinema. A pessoa embrulha-se numa manta no sofá, coloca à mão todos os objectos necessários à sua sobrevivência - a saber: bolachas, pacote de leite com chocolate, comandos da televisão e telemóvel no silêncio - e ataca o vídeoclube disponível na sua Box.
Ontem foram assim visionados 2 filmes já retirados das salas do cinema: "O Escritor Fantasma" do grande Roman Polanski (a quem os americanos desejam ardentemente deitar a mão, desde que o condenaram por suposta relação imprópria com uma adolescente) e "Amor Estúpido e Louco", uma comédia romântica com um elenco de actores de luxo como Steve Carell ou Julianne Moore. Ao fim da tarde ainda fui arrastada por uma amiga para ver "A minha semana com Marilyn" num cinema próximo.
Vamos lá aos comentários...
"O Escritor Fantasma" é, na minha humilde opinião, um thriller interessante mas às vezes um pouco lento. Gostei de ver Kim Cattrall ( a fabulosa Samantha de O Sexo e a Cidade ) numa personagem muito compostinha e gostei sobretudo da casa onde a maior parte da acção tem lugar. Salas com paredes de vidro que permitem uma vista priveligiada para o mar, são definitivamente my thing. Fiquei à espera de revelações mais surpreendentes no final mas aquilo que a personagem de Ewan McGregor nos mostra não me deixou muito surpreendida.
"Amor Estúpido e Louco" foi uma agradável surpresa. Mas agradável mesmo foi ver o corpinho cheio de saúde do Ryan Gosling. A personagem de Emma Stone chega mesmo a dizer-lhe quando o vê sem camisa: "are you photoshoped ?!" Não o poderia ter definido melhor. O homem não é normal.
Uma comédia simples com uma mensagem bonita e cenas onde surgem actores de gabarito reconhecido, mesmo quando desempenham papeis secundários e breves ( caso de Marisa Tomei ou Kevin Bacon ).
"A minha semana com Marilyn" é obrigatório ver. Já li muito sobre Marilyn Monroe e vi alguns filmes que ela protagonizou. Sempre tive a ideia de que se tratava de uma mulher algo perturbada pela sua enorme insegurança. O filme, se é de facto um fiel retrato da realidade, mostra-o detalhadamente, sobretudo quando Michelle Williams contracena com Judi Dench. Dame Sybil ( personagem de Dench ) elogia constantemente Marilyn e fá-lo de tal forma que por vezes, parece bajulá-la. Marilyn parece ficar sempre na dúvida perante estas palavras. Apesar de ouvir constantemente que é a mulher mais desejada do mundo e que tem um talento natural, demonstra não acreditar nestas afirmações. Como é que o ser mais sedutor do cinema nos anos 50 parece carecer de tanto amor próprio é mistério que não consigo perceber. No filme, fica claro a dependência de comprimidos, a relação pouco saudável com o recente marido, o desejo de não ser apenas uma grande estrela mas sobretudo uma grande actriz.
Michelle Williams tem uma prestação sem falhas. Conseguiu recriar os trejeitos da famosa loura bem como o tom da voz. Vale a pena acrescentar que se encontra muito bem amparada pelos actores que a rodeiam, nomeadamente Kenneth Branagh e Eddie Redmayne.