Hoje vi uma reportagem na TVI sobre seniores activos e seniores que se encontravam sós mas que ao aderirem a um programa que consiste em alugar um quarto a estudantes a troco de companhia, contornaram sabiamente a situação.
Septagenários e octagenários famosos como Filipa Vacondeus ou o Prof Gentil Martins explicaram os benefícios de ainda se dedicarem ao trabalho e da insistência numa rotina diária activa. No entanto, foi um bancário reformado desconhecido do grande público que mais me impressionou, sobretudo quando explicou que todas as manhãs entra no primeiro autocarro que chega à paragem, decide um programa para se entreter, que pode consistir em ler um bom livro ou ouvir as música do seu Ipod (do qual anda sempre acompanhado) e ainda se dispõe a ajudar outros através de simples tarefas como a compra do passe a alguém mais idoso.
Estas histórias fizeram-me recordar uma outra, em tudo oposta. No Domingo passado vi uma senhora quase ser atropelada por um carro. O condutor apitou, ela acelerou o passo, caiu e a cabeça ficou a milímetros do lancil. A culpa, apenas dela. Estava a atravessar num sítio sem passadeira, sem qualquer semáforo, onde nunca o deveria ter feito. O carro parou, os ocupantes ajudaram-na. Infelizmente, já vi várias cenas assim. E não consigo compreender este desprezo pelo perigo, esta audácia que raramente é compensada, esta permanente pressa de se chegar a todo o lado. Apesar de também eu querer ser uma senior activa, pergunto-me se não é na 3ª idade que devemos descansar, abrandar o ritmo, chegar aos locais com um batimento cardíaco normal. Para quê a pressa se é após a reforma que temos todo o tempo do mundo ( ou pelo menos, supostamente ).



















