Em 2009 decidi arriscar e iniciar-me numa grande aventura que dura até hoje: escrever um livro. Sempre gostei de palavras e sempre gostei do facto de que, uma vez agrupadas de forma coerente, podem originar uma boa história e consequentemente, bons momentos de entretenimento. Quando me lancei às teclas , não só tinha uma ideia do que queria contar como a certeza absoluta de que era imperativo obter um resultado que me distanciasse do esteriótipo da escritora que só sabe escrever romances de cordel. Depois dos Jogos Olímpicos de 2008 na China e depois de repousar os olhos no irmão de uma amiga minha - o Pedro - decidi que ia contar a história de quatro paraolímpicos. Ao contrário do que inicialmente pensei, nunca me debati com dificuldades para criar as personagens, as suas falas ou os seus sentimentos. É claro que a pesquisa tem sido exaustiva e tenho-me socorrido sobretudo da Internet e de algumas reportagens que me foram parando às mãos nestes últimos três anos. Apesar de o Pedro praticar Boccia, sei que nunca foi aos Jogos Paraolímpicos, portanto como não conheço pessoalmente nenhum atleta que o tenha alcançado, tive de aliar à pesquisa, uma boa dose de imaginação.
Para minha surpresa, a dificuldade tem estado toda no facto de ter optado por 4 personagens principais masculinas. Inúmeras vezes têm surgido questões como: o que é que um homem diria ou pensaria disto? como é que um homem agiria nesta situação? o que é que um homem responderia a outro homem? Estes têm sido os meus problemas.
Os homens com quem passo mais tempo são, logicamente, os meus colegas de trabalho. Sem que o saibam, têm sido as cobaias cujo comportamento tenho vindo a observar. Alguns deles, mais do que colegas, são grandes amigos, logo, por vezes confronto-os com perguntas directas.
Do que tenho vindo a concluir, há determinados aspectos e características que me parecem próprios de pessoas e não apenas do sexo masculino ou do feminino. Alguns exemplos:
a) O mito, por exemplo, de que as mulheres são mais conflituosas no local de trabalho desfez-se para mim há seis anos atrás. Na altura trabalhava numa empresa onde vi dois cavalheiros envolvidos numa cena de faca e alguidar muito pouco cristã.
b) Também não é segredo para ninguém que as mulheres são constantemente apelidadas de mais emocionais, e mais dadas à lagrimita mas eu já conheci por aí muita cold hearted bitch cujo canal lacrimal está em seca severa há muito tempo.
c) Por fim, dizem que os homens são mais desarrumados mas eu já partilhei sala com um que nunca saía do local de trabalho sem deixar a sua secretária imaculadamente limpa e arrumada.
Os meus personagens podem não sair tão perfeitos como desejaria devido à minha falta de experiência de vida enquanto macho. E como mudar de sexo por uns tempos nunca foi hipótese, só me restou a imaginação. O que me tem bastado para me divertir muito.