Sendo a Páscoa o segundo acontecimento mais importante do ano para os Católicos e sendo eu Católica praticante assumida, lá fui eu esta manhã ter uma das minhas habituais conversas com o Divino. Correcção: conversa não será provavelmente a palavra mais indicada, melhor será substituí-la por monólogo.
Numa altura em que até o Cardeal Pratiarca de Lisboa pede paciência aos portugueses tal é o estado das coisas, acredito que mais do que nunca as pessoas se têm virado para Deus: umas por Fé, outras porque sentem a necessidade de culpar Alguém com mais poder que o Passos Coelho.
Há alguns anos atrás quando me passou essa fase tão docinha que é adolescência e a religião não era considerado algo "fixe" ou "cool", logo havia que mudar de passeio sempre que avistava uma igreja, eu pensei que se calhar, passada a barreira dos 20 anos, era uma boa ideia umas tréguas com os elementos celestes. Desde então acredito num Deus que tem humor, que fecha os olhos a alguns dos nossos pecados e que anda sobretudo, muito ocupado. Acredito que se Deus não atende aos nossos pedidos tão rapidamente como queríamos é porque a lista de espera deve ser bastante extensa. Se pensarmos que só em Portugal somos 10 milhões, dá logo para se formar uma ideia de quantos pedidos, alguns bem extravagantes, o Divino deve receber. Ganhar o Euromilhões deve ser a solicitação que figura no primeiro lugar do Top Ten. Eu sou a favor de solicitações nas quais é relativamente fácil colocar um visto ao lado: o casal com uma criança pequena que só pede que ela durma 6 horas seguidas pelo menos uma noite; o adolescente que desespera por um 5 a Matemática porque sabe que como recompensa os pais lhe vão dar um bilhete para o Optimus Alive; alguém que torce para encontrar uma nota de 20 Euros perdida no bolso de umas calças; o colaborador que reza para que o chefe se esqueça durante a manhã aquele relatório que lhe pediu ( e que ainda não está feito ) e só se lembre de o solicitar à tarde.
Mais uma vez repito que sou a favor de pedidos execuíveis. Já fiz vários ao longo da minha vida. Uns realizaram-se, outros continuo à espera e outros foram-me definitivamente negados. E cada um deles, realizados ou não, formaram a minha personalidade e o rumo que tenho tomado.
É preferível poder-se agradecer algo pequeno ou simples que se concretizou, do que estar permanentemente de mãos vazias, à espera que algo de megalómano aconteça.