segunda-feira

Mistérios de Lisboa

Ora aqui está um filme que devido às suas quase 5 horas teve de ser visionado não de uma assentada, mas por partes. E ao chegar ao fim, que ocorreu hoje, não consigo dizer que tenha ficado admiradora incondicional. Faltou ali um pouco de acção e de efeito surpresa. É claro que sendo um filme baseado na obra homónima do Camilo Castelo Branco, sabia já de antemão que ia haver amores impossíveis e donzelas em apuros, mas estava à espera de ser pelo menos ligeiramente surpreendida, o que não aconteceu. Aliás, a única coisa que teve esse efeito em mim foram as cabeleiras do Albano Jerónimo e do Afonso Pimentel, pouco abonatórias para a imagem destes dois actores portugueses tão bem parecidos. 
Não sou daquelas que passam a vida a falar mal do cinema português. Longe disso. Simplesmente não consigo tecer os mesmos elogios a Mistérios de Lisboa, que costumo tecer a O Mistério da Estrada de Sintra ( com um Ivo Canelas a desempenhar o papel de Eça de Queiroz de forma irrepreensível ), Coisa Ruim ( cuja música do genérico é fantástica e aconselho a ouvirem ), Adeus Pai ou Alice. 


Sendo a Páscoa o segundo acontecimento mais importante do ano para os Católicos e sendo eu Católica praticante assumida, lá fui eu esta manhã ter uma das minhas habituais conversas com o Divino. Correcção: conversa não será provavelmente a palavra mais indicada, melhor será substituí-la por monólogo. 
Numa altura em que até o Cardeal Pratiarca de Lisboa pede paciência aos portugueses tal é o estado das coisas, acredito que mais do que nunca as pessoas se têm virado para Deus: umas por Fé, outras porque sentem a necessidade de culpar Alguém com mais poder que o Passos Coelho. 
Há alguns anos atrás quando me passou essa fase tão docinha que é adolescência e a religião não era considerado algo "fixe" ou "cool", logo havia que mudar de passeio sempre que avistava uma igreja, eu pensei que se calhar, passada a barreira dos 20 anos, era uma boa ideia umas tréguas com os elementos celestes. Desde então acredito num Deus que tem humor, que fecha os olhos a alguns dos nossos pecados e que anda sobretudo, muito ocupado. Acredito que se Deus não atende aos nossos pedidos tão rapidamente como queríamos é porque a lista de espera deve ser bastante extensa. Se pensarmos que só em Portugal somos 10 milhões, dá logo para se formar uma ideia de quantos pedidos, alguns bem extravagantes, o Divino deve receber. Ganhar o Euromilhões deve ser a solicitação que figura no primeiro lugar do Top Ten. Eu sou a favor de solicitações nas quais é relativamente fácil colocar um visto ao lado: o casal com uma criança pequena que só pede que ela durma 6 horas seguidas pelo menos uma noite; o adolescente que desespera por um 5 a Matemática porque sabe que como recompensa os pais lhe vão dar um bilhete para o Optimus Alive; alguém que torce para encontrar uma nota de 20 Euros perdida no bolso de umas calças; o colaborador que reza para que o chefe se esqueça durante a manhã aquele relatório que lhe pediu ( e que ainda não está feito ) e só se lembre de o solicitar à tarde. 
Mais uma vez repito que sou a favor de pedidos execuíveis. Já fiz vários ao longo da minha vida. Uns realizaram-se, outros continuo à espera e outros foram-me definitivamente negados. E cada um deles, realizados ou não, formaram a minha personalidade e o rumo que tenho tomado.
É preferível poder-se agradecer algo pequeno ou simples que se concretizou, do que estar permanentemente de mãos vazias, à espera que algo de megalómano aconteça.    

terça-feira

Restaurante À Parte

Hoje foi dia de jantar no À Parte ao qual não me canso de voltar. Adoro a decoração. Cada sala recria a divisão de uma casa. Nunca consegui arranjar mesa na cozinha. Acho que vou ter de reservar com um mês de antecedência para conseguir apanhá-la. Ficam as imagens. Ah, é verdade e a comida é bem boa, sobretudo as sobremesas, nas quais abunda esse ingrediente maravilhoso que é o leite condensado. Quando éramos pequenas eu e a minha irmã comíamos latas inteiras à colher. Bons tempos!





segunda-feira

Hoje no Pavilhão do Conhecimento, descobri esta bela frase no chão de uma das salas. Perante as experiências gastronómicas a que me tenho dedicado ultimamente, não podia estar mais de acordo com ela:


domingo

E ainda no rescaldo dos Amigos Improváveis...

... vamos lá pessoal, esses braços no ar e a anca ora para o lado direito ora para o lado esquerdo. 'Tá a desenhar com o corpinho a musica inicial deste filme maravilhoso - September dos Earth Wind & Fire - que toda a gente já ouviu com certeza.




Intouchables - Amigos Improváveis...

... o melhor filme francês de sempre. Destronou O Fabuloso Destino de Amelie do meu coração. As críticas e os cartazes espalhados por Lisboa tinham-me deixado curiosa e ontem fui ver aquele que foi considerado o filme sensação de 2011 em França. Amigos Improváveis é acima de tudo o melhor exemplo da função prioritária do cinema: entreter. São cerca de 2 horas de puro entretenimento, obtido sobretudo através de contínuas piadas inteligentes e uma interpretação soberba dos dois protagonistas.
Baseado em factos reais, Amigos Improváveis conta a história de um aristocrata francês que ficou paraplégico num acidente de parapente. Para o ajudar, decide contratar o mais improvável dos assistentes, Driss, um jovem senegalês, proveniente de um bairro problemático de Paris e que inclusive, esteve preso durante alguns meses. Gostos, hábitos e educação poderiam impedir qualquer forma de relação entre duas pessoas tão diferentes. No entanto, ambos vão ensinar um ao outro o que os seus respectivos mundos têm de melhor para oferecer. 
Uma comédia perfeita que pode transformar um dia cinzento, num dia iluminado e que nos faz pensar que há pessoas que nos podem salvar da morte e outras que nos podem salvar da vida que levamos, devolvendo-nos o gosto pela mesma.
É bom saber que há histórias da vida real que têm o final justo que mereciam ter.