segunda-feira

Regressar a casa...

... depois de uma grande e fantástica viagem é o final feliz que sempre desejo alcançar cada vez que saio de Portugal. Não me interpretem mal. Viajar, desde que não seja por motivos profissionais, é na minha opinião, a actividade mais benéfica e enriquecedora para a alma de sempre e provavelmente, para sempre. Ao sairmos do nosso lar, do nosso quotidiano e/ou da nossa rotina, é possível olharmos para a nossa vida como se estivéssemos fora dela e analisá-la ao detalhe. Observando-a do exterior, conseguimos perceber mais facilmente o que está bem, o que está mal, o que devemos mudar, o que devemos manter, os planos de que devemos desisitir e os novos que devemos elaborar. Viajar é contactar com a existência que deixámos para trás no nosso país apenas aqueles 4 minutos diários em que pegamos no telefone para informar que "está tudo bem, já fui a este sítio, já comi aquilo, já comprei isto, o hotel é bom/ mau/ mais ou menos". Viajar é estar de corpo inteiro em locais para onde anteriormente a mente já se transportou muitas vezes de borla. 
No entanto, pelo menos para mim, até ao dia de hoje, o regresso a casa tem sido sempre a melhor parte. Não há como o conforto e os cheiros do home sweet home. 
(A partir de amanhã fotos de terras californianas e relato pormenorizado)     

segunda-feira

A única coisa boa nessa actividade espectacular que é limpar o pó, é descobrir CDs que estavam esquecidos atrás de outros nas prateleiras. Depois é pô-los a tocar e recordar-nos porque é que apenas ouvimos esta ou aquela musica over and over again. Tenho um CD com algumas das canções que fizeram parte das bandas sonoras dos filmes do Pedro Almodóvar. O CD - b.s.o almodóvar - tem quase 30 faixas e eu insisto em ouvir unicamente uma: "volver" do filme com o mesmo nome. Se em Volver é Penélope Cruz que a interpreta ( ou um playback irrepreensível ) na realidade a senhora que lhe dá voz é Estrella Morente. Tenho de arranjar coragem e ouvir todas as canções, até porque há algumas do Caetano Veloso. Quem sabe na próxima vez que tiver de limpar o pó.
Aproveito para acrescentar que o filme é um dos melhores do realizador espanhol. Talvez porque marca o regresso não só da Penélope como também da Carmen Maura aos trabalhos por ele escritos e realizados. Se alguém por aí quiser ver bons filmes antigos do Almodóvar com a Carmen Maura, que vá em busca do Que Fiz Eu para Merecer Isto? do início dos anos 80 e Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.  

   

domingo

Descaradamente Infiéis- Les Infidèles

Mais uma boa comédia francesa que merece ser vista. Várias histórias, sempre protagonizadas - excepto duas, as mais curtas - por Jean Dujardin ( que ganhou este ano o Oscar para Melhor Actor ) e Gilles Lellouche. A partir de uma ideia do próprio Dujardin, vários escritores e realizadores uniram-se e criaram um filme sobre homens que não conseguem ser fiéis às suas companheiras. Resultado: abundam as carnes desnudadas, a ginástica sexual e as mentiras do costume. Há cenas hilariantes, diálogos fascinantes de tão absurdos que são e um final brilhante mas sobretudo imprevisível. A destacar toda a cena da reunião dos Infiéis Anónimos, que se de facto existem na vida real, não podem estar muito distantes deste momento de ficção. O cinema francês está cada vez melhor. Venha o próximo!

    

A beleza que uma mala contém em si...

... pode ser avassaladora. Hoje estive diante desta Hermés e a perfeição ( e vá, o preço! ) dela causou em mim um efeito que normalmente só a tensão arterial muito baixa me causa: tonturas. 


quinta-feira

Ontem entrei pela primeira vez na Monceau Fleurs para comprar um ramo de flores. Já tinha esquecido o quão agradável é estar num local assim repleto de aromas e de cores. A curta experiência fez-me pensar que se calhar era uma boa ideia arranjar uma planta de estimação como room mate. Depois de regressar da Califórnia, esta orquídea vem viver cá para casa. Ou então uma azul que por lá vi. Como não é propriamente barata, vou estar duplamente empenhada para que não morra ou entre em coma. No que depender de mim esta natureza viva nunca passará a natureza morta.  



   

quarta-feira

A questão Pingo Doce deixou-me confusa...

Durante anos pensei, na minha infinita ingenuidade, que isso de se oferecer uma promoção de 50% ao consumidor era coisa boa. Sempre me arrancou um sorriso a informação "Tudo a 50%" nas montras da Zara, da Mango, da Massimo Dutti e de outras lojinhas do ramo. Ora qual não é o meu espanto quando hoje ao ver as notícias ( é desta que eu desisto de ver telejornais ) me deparo com o debate aceso na Assembleia sobre a inesperada, infame e diabólica promoção do Pingo Doce que teve o descaramento de fazer um mega desconto a quem fizesse compras acima dos 100 Euros. Então mas agora comprar algo mais barato passou a ser pecado? E a parte de que estamos em crise, já toda a gente se esqueceu? Se os combustíveis ou a electricidade baixarem para metade, vamos portanto protestar, correcto? Sim, há a questão do possível dumping e a questão de que alguns trabalhadores das lojas da Jerónimo Martins estiveram a trabalhar no 1º de Maio ( que by the way vão ter salário a dobrar e uma folga para compensar ). No entanto, mesmo assim não compreendo as faíscas de ódio no discurso de alguns deputados. Tivemos um dia de Black Friday, tão típico nos EUA com direito a placagens, intervenção da Polícia, aluguer de carrinhos de compras e outros comportamento insólitos de consumidores histéricos. No fim, muita gente encheu as despensas. Estou aqui a matutar sobre o assunto e ainda não consegui ver os pontos negativos. Alguém por aí me faz uma lista de pontos negativos para que eu, para a próxima, já possua alguma sapiência nestes assuntos?