Ontem à noite, em get together cá em casa subordinado ao tema " Jantar Americano" - que é como quem diz, cachorros, hamburguers e batidos para todos - falou-se nesse grande impulsionador (ou destruidor) de relações sociais que é o Facebook. À mesa, além de mim só mais um amigo meu confessou que não tinha aderido ainda a essa grande invenção. Ele porque não tem qualquer interesse e eu... bem é complicado, os motivos são inúmeros. A verdade é que tive Facebook há cerca de 3 anos atrás mas acho que não chegou a durar um par de meses. Fechei a conta e nunca mais pensei sequer em reabri-la. É claro que os meus dados ficaram para sempre guardados lá nos arquivos da empresa do jovem bilionário Mark, mas daí a uma ressureição da página vai um grande passo.
Para mim, o que o Facebook tem de positivo é que o podemos considerar um diário dos tempos modernos. Antigamente o pessoal, sobretudo os elementos do sexo feminino, enchiam cadernos coloridos e perfumados com as suas confissões, os seus delírios, desenhos de corações a dizerem I love xxx, as suas melhores fotos ou ainda fotos de actores e cantores famosos retiradas dessas grandes revistas que eram a Bravo, a Teenager e a Ragazza. Actualmente, o diário é online, vai sendo preenchido pelo seu autor com o mesmo de sempre, isto é, confissões, pensamentos, comentários ou fotos mas há uma novidade que faz toda a diferença: é dada a possibilidade de intervenção a terceiros! Os amigos, familiares, colegas de trabalho ou meros conhecidos dos quais já nem nos lembramos muito bem, podem participar também, seja ele com um comentário, um Like, um insulto, uma revelação bombástica ou uma foto humilhante nossa. Até aqui nada a dizer. O meu problema com o Facebook tem a ver com informação, ou melhor o excesso dela. É que se por um lado concordo com a máxima de que "Informação é poder" por outro, admito que sou defensora acérrima que "Informação a mais é estar a pedi-las". Isto no que se refere ao foro amoroso, claro está. Quem não tem por aí uma amiga ou um amigo que se põe a investigar diariamente no Facebook se a ex-cara metade ou o actual alvo de desejo anda a adicionar possível concorrência? Ou a divertir-se à grande e a passar umas valentes férias ao passo que essa amiga ou esse amigo não tem dinheiro nem para ir ali a Carcavelos? Então não era mais vitamínico se desconhecêssemos certas questões? Então não era menos stressante se vivêssemos de acordo com aquilo que Skakespeare disse em tempos: "somos mais felizes vivendo na ignorância"? Apenas de certos factos, permitam-me que repita.
Tenho uma amiga que em tempos que já lá vão, todos os dias na hora do almoço ia averiguar o que o ex-namorado andava a fazer. O resultado era sempre uma boa dose de lágrimas. E quando eu lhe perguntava: mas porque é que tu vais ver essas coisas se sabes que te vão chatear? ela respondia como se a resposta fosse óbvia: porque eu preciso saber! Ao que eu perguntava então: e em que é que isso contribui para a tua felicidade? Resposta: não contribui, mas é mais forte do que eu! Tivemos este diálogo dezenas de vezes e ainda hoje, estando ela já curada do moço, pergunto-me porque é que só eu pareço nunca ter sido de insistir em voltar a provar coisas que já sei que não gosto. É que a minha relação com o Facebook no que toca a questões amorosas é assim semelhante à minha relação com espinafres ou com bróculos. Eu sei que não gosto deles e que nunca me vão saber bem, logo não os vou meter em contacto com as minhas papilas gustativas over and over again.
Ponde uma coisa simples na cabeça, meus amigos: a autoflagelação é desagradável.