Tenho tentado acompanhar os Jogos Olímpicos todos os dias. Normalmente apanho a natação e já vi, tal como o resto do mundo, o Phelps a subir ao pódio quinhentas vezes. No outro dia revelaram as medidas do homem e o que come ao pequeno-almoço. Bastou-me tomar conhecimento das 3 sandes de ovos mexidos e da omelete feita com outros 5 para ficar chocada. Nem precisei ouvir o resto da ementa matinal. No entanto, apesar do burburinho à volta da natação por causa do americano recordista de medalhas, o que eu gosto mais são os saltos para a água, a ginástica artística e os trampolins. Em 2004, nos Jogos Olímpicos de Atenas, Nuno Merino conquistou um 6º lugar com uma rotina espectacular em trampolim individual. Na altura todos comentaram o quão injusto foi o facto de não ter conseguido uma medalha. Há pouco vi Diogo Ganchinho não se sair tão bem. Ele, que também compete em trampolim sincronizado com Nuno Merino, não foi além de um 15º lugar. A dupla já chegou a conquistar a Taça do Mundo. Resta-nos agora a Ana Rente.
Os saltos para a água e a ginástica artística causam-me mais que espanto, assombro. Em relação aos primeiros, há saltos triplos e quadráduplos que a mim, que sou uma leiga, me parecem para lá de perfeitos. Mas depois, logo um comentador revela esta ou aquela falha e fico sem perceber em que é que consiste a perfeição nesta modalidade. Na ginástica artística, a minha preferência vai para as "acrobacias" femininas na trave e nas barras assimétricas. Aquilo nunca parece fácil. E sempre que vejo as atletas exibirem-se, recordo com pouca saudade, as aulas de Ed. Física nos tempos da escola e em particular um episódio onde fui protagonista. Pois que uma vez, o nosso professor lembrou-se de dar uso ao mini-trampolim. As opiniões dividiram-se. Os que tinham notas de 4 e 5 na disciplina ficaram logo muito entusiasmados mas os que normalmente se ficavam por um tímido 3,o meu caso, torceram o nariz. No entanto, lá fomos nervosos, mas nunca dispostos a dar parte de fracos. Quando chegou a minha vez, preparei-me para dar o meu melhor e assim conquistar o meu momento dourado. Aliás, enquanto corria para o mini-trampolim com a esperança de fazer um salto decente, quase que conseguia ouvir a célebre musica dos Vangelis que faz parte da banda sonora do filme "Momentos de Glória".
Não correu bem.
Os deuses do olimpo acharam por bem fazerem-me escorregar e cair de forma aparatosa. A queda foi muito dramática pois bati com as costelas e o diafragma em cheio na única zona dura do mini-trampolim. O resultado foi a dor mais intensa que já senti e uma total falta de ar que, contam os que assistiram à desgraça, até me fez revirar os olhos. O cenário deve ter sido tão negro que duas colegas minhas mais sensíveis começaram a chorar e os rapazes, que inicialmente se tinham desmanchado a rir, colocaram um ar sério, quando viram a coisa ficar feia.
É por isso que tenho grande respeito e até alguma inveja, pelas atletas que competem em ginástica artística. Cair na trave, por exemplo não deve ser agradável. Um grande bem haja para todas elas.
E só para recordar, aqui vai a prova na final de Trampolins em 2004 de Nuno Merino.


















