sábado

Broadway Baby - A História do Musical Americano

Ontem foi noite de me sentar na plateia do Teatro Mário Viegas e assistir ao "Two men show" que é o espectáculo maravilhoso de e com Henrique Feist e Nuno Feist. Imaginem cerca de duas horas de entretenimento em que nos é contada a história de como um grupo de teatros com cartazes luminosos de uma zona de Nova Iorque se tornou nesse mundo mágico cheio de cor e musica que é a Broadway. Durante esse par de horas, Henrique Feist, acompanhado ao piano pelo seu irmão, canta mais de 70 canções dos musicais tão conhecidos do grande público (daí muitas vez os espectadores terem acompanhado o cantor). Estas canções, compostas por esses talentosos senhores como George Gershwin, Cole Porter, Irving Berlin ou Richard Rodgers, são conhecidas mesmo por quem não assistiu a todos os ditos musicais. A saber:
De Cole Porter cantada por Frank Sinatra: "I've got you under my skin, I've got you deep in the heart... "
De George Gershwin: "Summertime, And the livin' is easy, Fish are jumpin' And the cotton is high" 
De Irving Berlin: "There's no business like show business like no business I know"
Foi dado grande destaque a Richard Rodgers, talvez porque ele tenha composto cerca de 900 canções e 43 musicais. Quem não conhece toda a banda sonora do Musica no Coração? Pois é, aquelas canções como "Dó Ré Mi", "Sixteen going on Seventeen" ou "Edelweiss" é tudo deste senhor.
Pessoalmente a minha canção preferida deste compositor é a "Shall we dance" da banda sonora do "The King and I" de 1956 e que podemos ouvir também num filme mais recente que tem o mesmo título da canção e que é protagonizado por Jennifer Lopez e Richard Gere. 
Finalmente Henrique Feist passou para os musicais importados de Inglaterra todos saídos das mãos de Andrew Lloyd Weber. O público vibrou com as canções do Cats, do Fantasma da Opera, da Evita, do Jesus Cristo Superstar e tantos outros. 
Momento alto para a minha pessoa: quando ele cantou o I Dreamed a Dream do Les Miserables, canção que tornou famosa Susan Boyle quando ela encantou tudo e todos com a sua interpretação magnífica no Britain 's got Talent. 
O West End em Londres que me aguarde. Este Les Miserables anda a pedi-las. Que eu o veja, claro.
E para vós todos Shall We Dance:




   

A Mango e o azul e branco...

... (e uma pitada de preto no último), nestes vestidos e nestes jumpsuits...




quinta-feira

Desde que o Samba é Samba de Cláudio Lins

Segundo livro despachado estas férias. Há muito tempo que não lia nada de um autor brasileiro. Desde que o Samba é Samba é o mais recente romance do escritor de "Cidade de Deus". Acção passa-se nos anos 20 do século passado no Rio de Janeiro. História e personagens tão brasileiros, tão "alto astral". Vocabulário impossível de encontrar nos dicionários mas que nos levam às lágrimas de tanto rir. Uma protagonista feminina com o nome de Valdirene, " a cafetina mais linda da zona".
" - E você deixa ele em paz! Acabou a vingança. (...)  vamos parar com essa guerra! Tá integibilizado?"
"...(Validrene) pediu um copo de groselha, botou os olhos no movimento da rua. Viu Brancura butucolhando tudo através da janela."  
" - Sodré, meu nobre gostaria de ter uma conversa contigo no particulino."
" - Magia negra é a bunda da minha mulher."
Quem gosta de um livro cheio de humor, aconselho vivamente. Para os mais púdicos, fica uma chamada de atenção: muita descrição altamente pormenorizada daquilo a que os personagens chamam de "futucação". 


quarta-feira

O que tem de bom o fim das férias?

- Saber que descansámos e que com o descanso, desapareceu uma quantidade considerável de stress acumulado nos últimos meses;
- Descobrir que nos livrámos de algumas revoltas e que nos reconciliámos com os outros e com nós próprios;
- Perceber que há uma lista interminável do que de bom ainda nos falta fazer e uma lista terminável do que de mau não queremos mais fazer;
- Concluir que nos falta conhecer muito Portugal e muito do resto do mundo também;
- Ter muitas novidades para contar;
- Verificar que todos os livros e filmes planeados foram lidos e vistos;
- Descobrir que o regresso a algumas rotinas até é agradável;
- Chegar à conclusão que sonhos antigos podem facilmente dar lugar a sonhos novos;
- Agendar a concretização de algumas metas agora que reunimos novas forças;
- Perceber que com alguma imaginação se pode viver mais e melhor;
- Optar por dar continuação às férias depois do horário de trabalho pelo menos até ao fim do Verão.

Como?

Aproveitando o que de melhor têm as cidades onde vivemos. No meu caso, em Lisboa, uma valente caminhada na companhia de amigos no Parque das Nações junto ao rio. Em seguida, batido de gelado de morango e promessa de repetição do programa amanhã no Parque Eduardo VII. Dia seguinte, next stop: Belém.





There's no place like...

... the beach. A Praia de S. João na Caparica está cada vez melhor. Pena foi a bandeira vermelha. Muito atarefados andaram hoje os nadadores-salvadores. E a senhora das bolas de berlim também. Ninguém lhe desamparava a loja, ou melhor, o carrinho.




terça-feira

Reencontros com paixonetas do passado

Ainda a propósito do livro mencionado abaixo, sinto-me na obrigação de destacar um texto intitulado "Trinta Anos de Vida...". Basicamente fala de como amámos esta ou aquela pessoa numa determinada época da nossa vida e das surpresas (agradáveis ou não) proporcionadas por um reencontro anos mais tarde. Na história descrita pela autora uma sua amiga não conseguiu deixar de ficar chocada ao rever o homem por quem estava ininterruptamente apaixonada há 30 anos. O galã com uma promissora carreira profissional que ele fora outrora e que ela ainda julgava ser, daí talvez a persistência nos seus sentimentos nobres, não passava agora de um senhor com ar desmazelado que se havia visto a braços com problemas com a justiça no estrangeiro. Esta história fez-me recordar um menor mas semelhante choque que tive há cerca de dois anos atrás quando revi um amigo meu dos tempos do secundário por quem 90% do universo feminino da escola onde andávamos teve uma acesa paixão ( note-se, eu incluida). Aos 32 anos, ele estava já completamente careca (o homem cujo principal cartão de visita tinha sido em tempos o cabelo loiro comprido), um excesso de peso gritante que colocava mais em destaque a sua baixa estatura e um olhar sem o brilho de antes. Enquanto estivemos à conversa, fez umas piadas com o seu próprio aspecto mas eu, ainda anestesiada pela imagem actual dele, nem me consegui rir. Onde estava o rapaz tão seguro de si pelo qual as raparigas mendigavam amor, esquecendo a compostura e a própria auto-estima? Lembro-me que após o curto diálogo, liguei a uma amiga minha, também ela uma das suas admiradoras no passado, para lhe tentar descrever o assombro que me tinha provocado aquele reencontro. Não sei se ainda algumas das minhas antigas colegas mantém uma paixão platónica pela figura que se julga que ele ainda é. Eu há muito que o arquivei nas paixonetas dos 16 anos. Promovi-o a amigo era ele ainda um moço detentor de grande charme mas que já não me provocava mossa. Bons tempos, fartávamo-nos de rir quando estávamos à conversa. 
Outra história que vale a pena mencionar e que já nada tem a ver com o aspecto exterior de alguém mas do seu interior, é a da minha paixoneta de Verão dos 18 anos. Vejo-o anualmente na festa de anos de uma amiga minha. Está magro como antes e deve ter exactamente o mesmo número de cabelo. No entanto, se aos 18 anos a sua conversa me parecia interessante, agora parece-me insípida, repetitiva e de quem desperdiçou a inteligência algures pelo caminho da sua existência. 
A pergunta que surge então é: porque é que uma pessoa nos é tão especial numa altura específica ou numa certa idade e depois revendo-a, passado um intervalo de tempo considerável, não nos diz nada? Porque é que as palavras que fazem eco na nossa cabeça nessas situações são por norma "oh meu Deus mas como é que eu pude gostar daquilo?" Será que são os outros que mudam ou será que somos nós que mudamos? Quero acreditar que talvez a mudança se dê em todos os elementos da equação à medida que vamos envelhecendo. Uns para melhor e outros para pior.     

segunda-feira

Aquilo em que Helena Sacadura Cabral acredita

Aquilo em que Acredito de Helena Sacadura Cabral foi o primeiro livro devidamente despachado nestas férias de Verão. Aguardava há já algum tempo deitar-lhe a mão desde que vi a autora no programa do Daniel Oliveira, Alta Definição. Entrevista fabulosa. Ouvi-la falar transformou aquele que deveria ter sido um dia banal como os outros, num dia inspirador. Se para muitos é apenas a mãe de Paulo e Miguel Portas, para mim há muito que é uma das nossas melhores escritoras (anteriormente já tinha lido dela "As Nove Magníficas") e uma mulher que se destacou numa altura em que as mulheres ainda não eram muito destacáveis em Portugal. Economista de formação, foi professora e a primeira mulher a entrar para os quadros técnicos do Banco de Portugal. 
À medida que ia avançando no livro dei por mim a lê-lo cada vez mais espaçadamente numa tentativa de fazê-lo durar o mais tempo possível. O livro é uma reunião de textos simples, mas quase sempre cheios de humor, inteligência e pragmatismo. Os temas, tão reais e tão de todos nós: desde as alegrias e amarguras do amor, aos benefícios e tragédias da solidão, as vantagens das novas tecnologias, as atitudes dos nossos políticos, a crise no nosso país e na Europa, a dor da perda de alguém que nos é querido, o orgulho em Portugal e no trabalho de alguns portugueses reconhecido cá dentro e no estrangeiro. Deparei-me neste livro com o melhor argumento contra o Acordo Ortográfico que já li até ao momento, argumento este que é tão simples que não compreendo como é que nunca ninguém à minha volta se lembrou dele.
Em Aquilo em que Acredito é notório o prazer que a escrita confere a Helena Sacadura Cabral e só de facto quem adora escrever consegue deixar transparecer no papel ou online, esse dito prazer, essa imensa satisfação. Quem o faz por obrigação não agrada nem a si próprio nem aos seus leitores.