"As Palavras" levaram-me ao cinema por causa do elenco e porque li algures que se tratava de um filme sobre um escritor que rouba o trabalho de outro. Ora quem almeja ver um dia uma obra sua publicada não poderia deixar de espreitar esta longa-metragem. Alguma desilusão pelo meio foi compensada com algumas deixas dos personagens nas cenas finais, nomeadamente quando a de Jeremy Irons - simplesmente, chamada de o Velho - diz: Todos fazemos escolhas, o complicado é viver com elas. Aqui está um agrupamento de palavras de que eu faço uso constantemente. Não concordo muito com a segunda parte, pois quando são feitas as melhores escolhas nunca é díficil lidar com elas. Muito pelo contrário. É um alívio, é uma sensação de dever e de desejo cumprido.
O filme fala sobretudo da angústia de se querer escrever algo que será aprovado primeiro por uma editora, depois pela crítica e a cereja no topo do bolo, aprovado pela crítica e pelo público. Algo que agrada aos chamados entendidos e às massas é coisa que não acontece todos os dias. Rory Jansen, interpretado pelo (muito) atraente Bradley Cooper é um escritor que tenta desesperadamente realizar o seu sonho. Um dia, algo perfeito chega-lhe às mãos e ao publicar esse algo cuja autoria não é sua, vê finalmente o sucesso e o reconhecimento bater-lhe à porta, assim como o verdadeiro autor.
A partir daí Rory vê-se confrontado com a velha questão do peso na consciência e a pergunta: Qual a atitude certa a tomar?
Um filme sobre valores, sobre escolhas e sobre as consequências boas ou más que elas trazem.
P.S - A voz do Jeremy Irons continua inconfundível...





