domingo

Guia para um Final Feliz

As nomeações para os Oscars em todas as categorias de representação levaram-me ao cinema para ver este Guia para um Final Feliz. O título também teve o seu mérito. Gosto de finais felizes, sobretudo na vida real, se bem que aí, na maior parte das vezes, os autores das histórias não estão virados para essa coisa da felicidade.  
Primeiro facto a mencionar: este é sem dúvida o ano de Bradley Cooper. O actor é brilhante no papel de Pat, um bipolar tardiamente diagnosticado que perdeu o emprego, a casa e a mulher devido a um incidente. Recentemente saído de uma instituição psiquiátrica, regressa a casa dos pais onde luta por se manter positivo e assim reconquistar a mulher. Destaque para as cenas entre Cooper e Robert DeNiro, pai e filho nesta comédia que surpreendeu tudo e todos ao arrebatar nomeações e críticas excelentes. Jennifer Lawrence, prova mais uma vez que apesar dos seus 22 anos, é actriz para se encontrar pela segunda vez no leque das cinco senhoras que vão disputar a célebre estatueta dourada. A sua personagem, uma mulher também ela com distúrbios que vai ajudar Pat a reconciliar-se com a mulher, poderia não apaixonar o público se Lawrence não tivesse sabido conferir-lhe a dose certa de loucura que ela precisava. 
Destaque para a personagem de Danny, representada por Chris Tucker, um amigo de Pat que também carece de alguma sanidade mental.      
Guia para um Final Feliz é filme que faz qualquer um sair da sala de cinema com aquilo que o psiquiatra de Pat o aconselha a construir: uma estratégia para a vida.
A ver o quanto antes.

  

Mumford & Sons

Pois que ando numa de bandas folk rock e tenho pena que o concerto destes senhores já esteja esgotado porque se assim não fosse eu marcaria presença certamente. Para quem gosta de correr, esta canção é perfeita. É impossível uma pessoa permanecer imóvel ao ouvi-la tal é o ritmo alucinante.


terça-feira

Às vezes atendemos o telefone e do outro lado há alguém que nos dá uma notícia maravilhosa. Ontem, por exemplo, uma das minhas melhores amigas telefonou-me para me dizer que eu ia ser madrinha visto ela estar grávida. Ao que eu respondi que não ia ser madrinha mas fada-madrinha que é um upgrade dessa condição. Estou muito feliz. Aí vem mais um ser humano pequenino para eu "amadrinhar". É o terceiro. Mais um ou dois e já poderei formar um pequeno coro infantil. 

domingo

Os Miseráveis

Há escritores que escrevem histórias que estão destinadas a nunca serem esquecidas. A obra de Victor Hugo é com certeza uma delas. Musical de sucesso tanto na Broadway como no West End, já foi adaptada ao cinema pelo menos duas vezes. Ainda recentemente vi na televisão a versão protagonizada por Liam Neeson e Uma Thurman nos papeis de Jean Valjean e Fantine, respectivamente. Ontem foi a vez de experimentar a versão de Tom Hooper, vencedor do Oscar para Melhor Realizador com o Discurso do Rei. Já sabia que desta vez iria ver um musical. Já sabia igualmente que os actores cantavam acompanhados pela orquestra no momento em que gravavam as cenas. Nada de gravações à parte em estúdio e playback nas cenas. Não, aqui a ideia era cantar e representar ao mesmo tempo. O resultado é um filme que não tem diálogos que não sejam cantados. Pode haver uma frase ou outra no meio das canções mas é só. Até Russell Crowe ( o temível Javert) canta sempre que surge em cena. E mesmo não se saindo tão bem quanto Hugh Jackman, a verdade é que a tarefa não lhe corre assim muito mal. Quem se porta melhor são, no entanto, as representantes femininas do elenco. Anne Hathaway levou às lágrimas todas as mulheres que se encontravam comigo na sala do cinema ao cantar a mais célebre canção de Os Miseráveis - I Dreamed a Dream - assim como Éponine com On My Own. 
Além do elenco fabuloso, é a caracterização e sobretudo o som, com origem numa orquestra arrebatadora, que faz deste filme mais uma obra de que Tom Hooper se pode orgulhar.
Quem gosta de musicais tem de ver obrigatoriamente Os Miseráveis. 

   

sábado

A Vida de Pi...

... que ganhou o Man Booker Prize em 2002, foi um livro que quando o li, dois anos mais tarde, correspondeu a todas as minhas expectativas. Logo no início é dito ao leitor, através de um personagem, que se trata de uma história que nos fará acreditar em Deus. Uma história de um rapaz de 16 anos que após um naufrágio, sobrevive mais de 200 dias em alto mar tendo por companhia no pequeno barco onde se encontra, uma zebra, um orangotango fêmea, uma hiena e um tigre de Bengala. Digamos que de facto não estão reunidas as melhores condições para se conseguir sobreviver. Por isso acredito que só uma intervenção divina, através dessa manobra que é o milagre, poderá ter permitido tal façanha.
Quase toda a acção do livro se passa em pleno Oceano Pacífico. O protagonista não tem com quem falar ou com quem interagir para além dos animais que com ele se encontram a bordo. E digamos que um diálogo com uma hiena, por exemplo, não deve ser agradável ou frutífero. Devido a estas questões, tinha algumas reservas quanto ao filme. Achei que poderia ser um pouco parado. No entanto, Ang Lee, o realizador (O Segredo de Brokeback Mountain ou O Tigre e o Dragão) soube dar a volta ao problema e fazer um filme que faz jus ao livro em que se baseia. O actor que dá a vida ao jovem Pi, penso que desconhecido do grande público, foi um óptima escolha de casting. Irrfan Khan, mais conhecido devido às suas participações em Quem quer ser Bilionário e o Bom Nome, tem a missão de representar Pi na idade adulta. Ambos estão irrepreensíveis. 
Quanto aos efeitos especiais, estes não estão exagerados ou desajustados. Ninguém consegue perceber que as filmagens decorreram num tanque gigante ou, exceptuando um par de cenas, se os animais são reais ou saídos de um computador. As primeiras imagens, do zoo onde Pi vivia com a sua família, são de uma beleza visual que chega a emocionar os mais sensíveis.  
Aconselho a todos. Um filme que nos faz pensar em que é que acreditamos e no que é que nos faz continuar a ter ou não esperança. 

      

quarta-feira

Downton Abbey - a morte do protagonista

Há já muito tempo que a ficção não me deixava tão revoltada. Como a realidade - na figura dos telejornais - tem sido tão eficiente a consegui-lo achei que nenhuma série de televisão me deixaria em igual estado. Pois que o episódio de ontem do Downton Abbey, há tanto tempo aguardado, conseguiu a proeza. Eu já tinha lido algures que o Dan Stevens, o actor que dá vida a Matthew Crawley, andava com ideias de largar o drama britânico para tentar a sua sorte por terras de Uncle Sam. A verdade é que lhe deve ter tomado o gosto desde que subiu aos palcos da Broadway, ao lado de Jessica Chastain na peça The Heiress. Vai daí, e o que é que se sucede? O homem morre num acidente de carro, depois de ter experimentado a suprema felicidade de pegar no seu primeiro filho. Várias nações estão em lágrimas. Aposto que até a Michelle Obama, que segundo consta, mexeu os cordelinhos para antecipar a estreia nos EUA, se emocionou a valer.  Algumas amigas minhas ligaram-me logo a informar que não voltam a ver nem mais um episódio. Eu estou de acordo. Cortei relações com o House, quando a Cuddy saiu da série e agora vou fazer o mesmo com a Downton Abbey.
A isto se chama "uma falta de respeito para com o espectador fiel".