sábado

Andam-me a negar o acesso ao divertimento...

Tentei comprar bilhetes para o concerto dos Mumford & Sons e está esgotadíssimo. Tentei comprar para o da Adriana Calcanhoto e esgotado está. Isto é muito desagradável.

terça-feira

Sempre que é dia de Carnaval recordo com saudade o ano em que, estando eu na 4ª classe, vesti um vestido amarelo de baile todo em tule da minha madrinha. De que estava eu mascarada? perguntam vocês assim como perguntaram aqueles que me viram naqueles propósitos. A resposta, cheia de orgulho, é a mesma de então: de Imperatriz Sissi! Sim, note-se que não era de Princesa ou de Rainha mas de Imperatriz Sissi. A influência da trilogia de filmes protagonizada por Romy Schneider, claro está. Devo tê-los visto umas quinhentas vezes quando era criança. Era tão bonita e romântica a Sissi. Mal sabia eu na altura que a vida dela como esposa do Imperador Austro-Húngaro não fora propriamente um mar de rosas. 

Romy Schneider como Sissi


A verdadeira Sissi


  

segunda-feira

Os Recursos Humanos

Trabalhar e estudar não é fácil. O problema não são as aulas após 8 ou 9 horas de trabalho, mas os fins de semana que é necessário dispensar para se estudarem noções que um par de horas após um exame são devidamente esquecidas. Já me tinha esquecido que nos vemos obrigados a decorar uma série de coisas que depois, se não forem usadas diariamente são votadas ao esquecimento. O saber de facto não ocupa espaço mas há muito saber que é substituído constantemente ou esquecido. 
Receber formação em Recursos Humanos para quem trabalha na área é essencial, daí o esforço a que estarei sujeita até Julho mas a verdadeira aprendizagem faz-se todos os dias no local de trabalho. RH é de facto uma "ciência" interessante e cheia de nuances. Lidar com pessoas é um desafio constante porque é impossível agradar a todos dentro de uma organização. Manter a distância, se numa empresa pequena, também não é fácil. Por muito que tentemos não ceder a emoções, há sempre o perigo à espreita de tomarmos as dores de um ou outro colaborador, de tomar partidos, de ficarmos deprimidos por causa de uma demissão ou de uma saída voluntária. 
As pessoas são complexas. Nunca estamos contentes com o que temos, falamos bem de alguém num momento e mal, minutos depois. Às vezes consideramos o trabalho o inimigo e noutras, o único escape. Tentamos separar a vida profissional da pessoal mas a fronteira entre ambas é muito ténue porque basicamente é a profissão que temos e a remuneração que recebemos que nos permite ter um vida com mais ou menos luxos. 
No meio dos trabalhadores e dos seus problemas, está o departamento de Recursos Humanos. E se antigamente para mim este significava apenas trabalho administrativo relacionado com processamento salarial, hoje acredito na importância que tem em persuadir os colaboradores a alinharem os seus objectivos com os objectivos da empresa, em manter a motivação, em fidelizar o capital humano que constitui uma equipa. E depois há a questão do confessionário. Um bom departamento de RH tem de ter sempre as portas abertas para ouvir as queixas, as reclamações por mais infundadas que sejam ou, pelo contrário, as demonstrações de contentamento (por norma, mais raras). 
Sim, receber formação de académicos respeitados em RH é muito importante mas ouvir e observar as pessoas com quem trabalhamos todos os dias ainda é mais. Nenhum curso poderá ensinar um técnico de RH a perceber quando um colaborador tem problemas familiares ou de saúde ao ponto de afectar a sua produtividade, quando alguém está a ir a entrevistas porque quer sair, quando alguém acha que nunca será devidamente reconhecido e por isso não se esforça mais do que o estritamente necessário.
Sim, as pessoas são complexas mas são mais interessantes de trabalhar do que números, vendas ou produção.  
  

domingo

Doutora no Alabama...

... é o título que deram à série norte-americana Hart of Dixie que tenho seguido religiosamente. Chamo-lhe o meu momento de Missa domingueira visto dar no AXN White aos Domingos às 21h00. Love it! Hoje é o final da primeira temporada. Não é uma série com grande ciência mas é engraçada talvez por retratar uma zona dos EUA que não aparece muitas vezes no pequeno ecrã. Personagens deliciosas e constantes momentos de humor. Depois há o facto de adorar o estilo da protagonista representada por Rachel Bilson ( a Summer do O.C - Na Terra dos Ricos ). Tanto trapinho bonito já ela envergou. Tanto calção, tanto vestido romântico, tanta malinha de mão delicada. Andei à procura de fotos na Net e consegui fazer uma boa compilação para ilustrar as minhas palavras. 










The Script no Campo Pequeno

Desde que fui ao Optimus Alive no Verão passado, recuperei o hábito de ir a concertos, coisa que durante aí uns 10 anos deixei de fazer, nem sei bem porquê. Ontem à noite foi a vez de ir ver os irlandeses The Script ao Campo Pequeno cuja primeira parte esteve a cargo duma banda, também ela irlandesa, de seu nome The Original Rude Boys. Durante meia-hora estes meninos de sotaque bem vincado aqueceram o público que os recebeu como se fossem eles os cabeça de cartaz.
Após um intervalo considerável, lá se apresentaram Danny O'Donoghue, Mark Sheehan e Glen Power perante um público em êxtase. Muito simpáticos, aprenderam umas palavras da língua de Camões como o Obrigado ou o Bonitos (que à primeira nem percebi). Disseram-nos que éramos um público fucking amazing e que you kick Madrid's ass ao que uma amiga me respondeu " não sei se Madrid vai gostar de saber disto :) ". Danny O'Donoghue provou mais uma vez que não é só uma cara bonita. A sua potente voz encheu o Campo Pequeno sempre acompanhada, claro, pelas vozes dos que conheciam todas as letras de cor. Misturou-se com o público, tendo sido certamente bastante apalpado apesar dos seguranças que o rodeavam. 
Todos os êxitos foram cantados, desde Breakeven a We Cry, passando por If you ever come back e terminando com For the first time e Hall of Fame. As expectativas de todos, ou pelo menos as minhas, não foram defraudadas. 


segunda-feira

Não sei a que se deu o fenómeno. Não sei se foi porque as pessoas receberam o primeiro salário do ano já  com os devidos cortes brutais; não sei se foi porque os que antes só precisavam comprar o passe do metro, viram-se agora obrigados a pagar 35 euros por um tal de Navegante, que lá porque engloba Carris, CP e Metropolitano, não significa outra coisa que não mais um aumento nos transportes; não sei se foi porque muita gente tomou a mesma decisão para 2013. A verdade é que hoje entre a Av. Fontes Pereira de Melo, o Marquês de Pombal e a Av. da Liberdade, as artérias com mais trânsito de Lisboa, contei 23 pessoas a deslocarem-se em bicicleta. Sim, esteve bom tempo mas nem no Verão passado vi tanta gente a usar este meio de transporte, que pelo menos por enquanto, ainda não paga imposto de circulação. 
Estamos mesmo a recorrer a alternativas mais baratas. Esta tem todo o meu apoio. Só gostava era de ver mais ciclovias para também eu me aventurar que isto de andar no meio do trânsito desenfreado não me seduz.       

sábado

Seis Sessões

Gosto de filmes baseados em factos reais que terminam bem. Gostei do francês "Amigos Improváveis" e agora gostei deste "Seis Sessões" baseado na vida de Mark O'Brien, poeta e jornalista paralisado do pescoço para baixo que se via obrigado a passar a maior parte do seu dia num "pulmão de aço" para poder respirar. Decidido a perder a virgindade e após pedir conselho junto do seu padre confessor, contacta uma terapeuta sexual que o inicia nos prazeres carnais. 
Brilhantemente interpretado por John Hawkes, o jornalista é um homem que apesar das suas enormes limitações físicas não perdeu o humor ou a capacidade de amar e ser amado. Ao longo do filme relaciona-se com três mulheres que conseguiram ter a capacidade de ver para além da paralisia. Não sei se é verdade mas foi-me dito que era para ter sido o próprio Mark O'Brien a interpretar o papel no cinema mas que ele faleceu antes do início das filmagens. 
Que não se assustem os mais púdicos com a nudez total de Helen Hunt. Não está a mais ou é desnecessária. É simplesmente a devida ou a adequada à história. 
Um filme bonito com boas doses de humor, sobretudo nas cenas em que O'Brien se confessa ao seu padre (William H. Macy) que prova aquilo que estou constantemente a dizer: é possível ser-se feliz mesmo em condições pouco propícias a isso. Basta ter um pouco de imaginação.