Trabalhar e estudar não é fácil. O problema não são as aulas após 8 ou 9 horas de trabalho, mas os fins de semana que é necessário dispensar para se estudarem noções que um par de horas após um exame são devidamente esquecidas. Já me tinha esquecido que nos vemos obrigados a decorar uma série de coisas que depois, se não forem usadas diariamente são votadas ao esquecimento. O saber de facto não ocupa espaço mas há muito saber que é substituído constantemente ou esquecido.
Receber formação em Recursos Humanos para quem trabalha na área é essencial, daí o esforço a que estarei sujeita até Julho mas a verdadeira aprendizagem faz-se todos os dias no local de trabalho. RH é de facto uma "ciência" interessante e cheia de nuances. Lidar com pessoas é um desafio constante porque é impossível agradar a todos dentro de uma organização. Manter a distância, se numa empresa pequena, também não é fácil. Por muito que tentemos não ceder a emoções, há sempre o perigo à espreita de tomarmos as dores de um ou outro colaborador, de tomar partidos, de ficarmos deprimidos por causa de uma demissão ou de uma saída voluntária.
As pessoas são complexas. Nunca estamos contentes com o que temos, falamos bem de alguém num momento e mal, minutos depois. Às vezes consideramos o trabalho o inimigo e noutras, o único escape. Tentamos separar a vida profissional da pessoal mas a fronteira entre ambas é muito ténue porque basicamente é a profissão que temos e a remuneração que recebemos que nos permite ter um vida com mais ou menos luxos.
No meio dos trabalhadores e dos seus problemas, está o departamento de Recursos Humanos. E se antigamente para mim este significava apenas trabalho administrativo relacionado com processamento salarial, hoje acredito na importância que tem em persuadir os colaboradores a alinharem os seus objectivos com os objectivos da empresa, em manter a motivação, em fidelizar o capital humano que constitui uma equipa. E depois há a questão do confessionário. Um bom departamento de RH tem de ter sempre as portas abertas para ouvir as queixas, as reclamações por mais infundadas que sejam ou, pelo contrário, as demonstrações de contentamento (por norma, mais raras).
Sim, receber formação de académicos respeitados em RH é muito importante mas ouvir e observar as pessoas com quem trabalhamos todos os dias ainda é mais. Nenhum curso poderá ensinar um técnico de RH a perceber quando um colaborador tem problemas familiares ou de saúde ao ponto de afectar a sua produtividade, quando alguém está a ir a entrevistas porque quer sair, quando alguém acha que nunca será devidamente reconhecido e por isso não se esforça mais do que o estritamente necessário.
Sim, as pessoas são complexas mas são mais interessantes de trabalhar do que números, vendas ou produção.