... foi o tema de conversa ontem durante a hora do almoço lá no trabalho. A febre aqui em Portugal e no país de origem da maior parte delas, isto é, nos EUA. Li algures que as salas de cinema estão a perder espectadores não só por causa do preço dos bilhetes, dos serviços de videoclub da Meo, Zon e Vodafone ou ainda, dos downloads da Internet. Parece que a culpa se deve também ao interesse cada vez mais crescente pelas séries de televisão. Algumas tornaram-se um culto e/ou um vício. Há os que discutem acesamente se The Walking Dead é uma série de zombies ou uma série sobre o desespero humano. Há os que discutem se o Brody do Homeland é na verdade o bom ou o vilão. Há os que se aventuram a adivinhar quem se vai sentar no Iron Throne em The Game of Thrones. E depois há as mulheres que atentam no guarda-roupa do Revenge. Ou no guarda-roupa (e nos abdominais perfeitos do Wade) de The Hart of Dixie. Ou ainda nos outfits da Olivia Pope de Scandal. Há ainda os que, apesar de dizerem que já estão fartos, não perdem um episódio da Anatomia de Grey ou como eu lhe chamo, o Dramalhão.
Penso que tudo deverá ter começado há muito mais tempo mas recuando até 2000 e pouco, lembro-me do frenesim que gerou o Sexo e a Cidade, os Sopranos ou o Lost. Quando os Sopranos terminaram, recordo-me bem da revolta de alguns amigos meus quanto ao último episódio. Todos eram unânimes em dizer que tinha sido uma desilusão. E quanto ao Lost, toda a gente tinha uma teoria, quase sempre tão complicada como o argumento de cada temporada.
Uma série para manter a qualidade do princípio ao fim necessita, a meu ver, de dois ingredientes essenciais: que os actores principais se mantenham sempre, isto é, nada de se matar personagens assim à maluca e sobretudo, de uma boa equipa de argumentistas que saiba estar atento ao que atrai e mantém fiéis as audiências. Há erros que se cometem e que depois dificilmente conseguem ser corrigidos. Eu era admiradora incondicional do House. Quando no fim da 7ª temporada a personagem da Cuddy saiu, disse cá para comigo que a série para mim tinha acabado. Não vi um único episódio da 8ª e última temporada. Disseram-me mais tarde que as últimas cenas foram o House e o Wilson montados nas suas melhores motos a partirem numa aventura para que Wilson gozasse bem os seus últimos dias de vida. Fraquinho. Uma série que também tem vindo a cair em desgraça nos últimos tempos é o Revenge. Ainda só está na 2ª temporada e já se tornou numa salganhada. Pelo contrário, um bom exemplo de uma série que soube manter a qualidade durante cerca de 10 anos foi o Friends. Boa comédia e boa evolução dos personagens. Penso que o How I Met your Mother está nesse bom caminho mas já vai sendo tempo de sabermos quem é a Mother... se é que há uma Mother!
Para se ter noção do quão se leva a sério as séries nos EUA, o ideal é fazer uma pesquisa pela Internet. Ele há blogues, ele há comentários no site respectivo, ele há uma quantidade imensurável de vídeos com as melhores cenas no Youtube. Quando um casal agrada ao público, então aí é a loucura. Que não separe o argumentista aquilo que o próprio argumentista uniu uns episódios antes. Vive-se intensamente as peripécias das séries preferidas. E os actores assíduos do cinema já se aperceberam da galinha dos ovos de ouro que é a televisão. Muitos não se têm importado em mudar de equipa como é o caso de Claire Danes (Homeland), Kerry Washington (Scandal) ou Kate Hudson (Glee).
Parece que actualmente é este o formato do sucesso e as estações norte-americanas parecem não querer abandoná-lo tão cedo.