Quase todos os dias, o núcleo duro do meu trabalho junta-se para almoçar na sala de reuniões. Os temas de conversa são por norma: filmes, séries, livros, política ou sexo. Às vezes, entramos em temas mais polémicos e cabeludos como religião, valores morais, relações, racismo ou pena de morte e aí normalmente acabamos todos aos gritos uns com os outros, cada um a tentar impor aos demais a sua opinião, como se fosse a correcta e única merecedora de crédito.
Ontem o tema debatido foi "que filmes mais nos fizeram chorar". Houve desde revelações expectáveis a outras bastante surpreendentes. Começo com os meus: The Hurricane (O Furacão) com Denzel Washington, a história verídica de um boxer, Rubin "Hurricane" Carter, que passou 30 anos na cadeia por um crime que não cometeu. Existe um diálogo entre a personagem de Rubin e a de Lesra que é simplesmente arrepiante e que termina com a frase " Hate put me in prison. Love is gonna bust me out". Outro filme que me provocou lágrimas bem gordas foi a Lista de Schindler. A destacar: o tema principal da banda sonora, um solo de violino executado por Itzhak Perlman da autoria de John Williams e a cena em que Oskar Schindler se despede dos funcionários que salvou ( "He who saves one life saves the world entire").
Entre as escolhas dos meus colegas, espantou-me a menção ao Toy Story 3 quando Andy, entretanto já crescido e a preparar-se para ir para a faculdade, decide desfazer-se dos seus brinquedos. Menos surpreendente foi a cena de Brokeback Mountain quando a personagem de Heath Ledger chora agarrado à camisa do seu amor entretanto falecido. Outro bom exemplo foi A Escolha de Sofia, com Meryl Streep, em que ninguém está preparado para o facto de que a escolha que ela terá de fazer não é entre dois homens como se pensa ao longo do filme mas que na verdade isso já ocorreu no passado quando ao entrar num campo de concentração, Sofia foi obrigada a escolher qual o filho que poderia entrar com ela no campo e qual o que deveria morrer, uma vez que não lhe permitiam levar os dois.
A realidade faz-nos chorar muitas vezes mas a ficção, quando bem feita, tem também esse poder. Há cenas inesquecíveis que nos fazem pensar, que nos levam a tomar atitudes ou que simplesmente nos levam a ir para a cama nesse dia com o coração angustiado.






















