domingo

Pensão Amor

Há locais em Lisboa que eu descubro mais tarde do que devia. A Pensão Amor é o mais recente exemplo. Como pude eu desconhecer este antigo "antro de prazer" transformado em bar/ sex shop/ livraria até este fim de semana? Cinco sílabas para descrever o spot: ma-ra-vi-lho-so! Não sei do que gostei mais: se das paredes interiores do edifício que acompanham as escadas cheias de desenhos atrevidos e dizeres quentes; se da sala com o varão ao centro; se dos bibelots eróticos que decoram a mobília das salas; se das paredes forradas a tecido aveludado padrão tigresse; se da sala com a cartomante. Não conseguimos arranjar mesa para nos sentarmos a beber um copo porque estava apinhado sobretudo por clientela acima dos 50 anos. No entanto, só o tour deixou-me bastante satisfeita e com vontade de voltar. Local histórico e com cheiro a erotismo vintage é coisa que definitivamente desperta o meu interesse. Tanta história de alcova deve ali ter ocorrido. A tantas cenas escabrosas devem ter assistido aquelas paredes. A atmosfera não engana: houve ali milhares de romances de cordel.  
Uma noite destas a ver se consigo lá estar um bom par de horas e quem sabe conseguir assistir a um dos espectáculos de dança do varão que por lá costumam fazer. Dança do varão é coisa que me inspira respeito. Só moça muito adepta de ginástica acrobática é que consegue fazer um bom espectáculo. Daquelas em que metade da coreografia a artista está agarrada ao varão pelas pernas, cabeça para baixo, fazendo espargatas e elevações de toda a espécie e feitio. Não é coisa para qualquer uma não. 
Recomendo vivamente este local que defino como curioso, original e de certa forma romântico. 




  

sábado

Os sons de Lisboa uniram-se e o resultado foi um concerto ao ar livre

Ontem à noite e durante cerca de 7 minutos, os barcos que vão para a margem sul, os eléctricos que percorrem as 7 colinas, os sinos das igrejas, as buzinas dos bombeiros e dos comboios da linha de Cascais formaram uma Orquestra e tocaram para um vasto público que encheu o Terreiro do Paço. Este era o principal ponto de escuta do espectáculo que resultou da perfeita união dos sons típicos de Lisboa que nos são tão familiares. Outros pontos de escuta à disposição foram o Rossio, o Miradouro de S. Pedro de Alcântara e o Castelo. Apesar de achar que a divulgação na Imprensa foi modesta a verdade é que a Praça do Comércio estava cheia. De pessoas e de tecnologia pois no momento em que foi lançado o very light, sinónimo que o concerto ia começar, os tablets e os telemóveis surgiram aos milhares. Tudo para gravar e mais tarde recordar o singular momento que se viveu. O silêncio e o respeito foi bonito mas mais bonito ainda foi ver a lua cheia espelhada nas águas do Tejo. 
Não sei quem teve a original ideia. Não sei se isto saiu tudo da cabeça do António Costa. A verdade é que o evento suscitou-me curiosidade e admiração por quem o planeou e por quem o levou a cabo. 
Adorei e aposto que os turistas também adoraram pois muitos deles que por ali circulavam de certeza que nunca viram algo do género tal eram os sorrisos de satisfação. 
Para completar a noite percorremos o Passeio da Ribeira das Naus, a obra mais bonita feita na capital nos últimos tempos. Lisboa está cada vez mais bem apetrechada de locais de lazer. 

Os vestidos românticos da Fornarina

Durante esta semana tive a difícil missão de ajudar uma amiga minha a encontrar o vestido perfeito para um casamento. Ora sendo ela moça complicada e de colocar defeito em tudo, comecei logo a tremer antes de nos pormos a caminho das lojas. A peregrinação terminou ao fim de 3 dias quando já a esperança e a fé se desvaneciam. A nossa busca levou-nos à Fornarina do El Corte Inglês, marca italiana da qual reconheço que não tenho nada apesar de ver sempre por lá coisas bem engraçadas. Penso que o facto de não haver muitas lojas da Fornarina em Lisboa me faça esquecer dela. 
Pois foi na dita que se deu o milagre da multiplicação dos vestidos. A minha amiga gostou logo de três e disse-me que era ali que estava todo o potencial de sucesso. Pedi a intervenção divina. Já me doíam os pés, estava com fome e apesar do ar condicionado, estava com calor. Grande foi a minha satisfação quando ela assim que experimentou o primeiro me disse "encontrei O vestido"! ao que eu disse logo para a funcionário do El Corte Inglês "Deus seja louvado"! Ela vendo o meu ar de fatiga perguntou "já andavam à procura há muito tempo?" ao que eu só tive forças para acenar lentamente com a cabeça. 
A verdade é que a Fornarina tem uma série de vestidos românticos muito bonitos. E por românticos quero dizer que predominam os folhinhos, as flores, os plissados, as bolinhas e as cores suaves (no caso da minha amiga, a cor até que é bem forte). 
O preço não é para todas as carteiras mas se alguém gostar muito de alguma coisa é esperar pelas promoções que já não devem tardar muito. 








quinta-feira

O efeito calmante do Oceanário

Fui muito recentemente ao Oceanário no Parque das Nações. Não foi a primeira vez mas a verdade é que já há muito tempo que lá não ia. Infelizmente já me tinha esquecido do que este lugar maravilhoso tem de melhor para oferecer: a possibilidade de poder ficar durante horas sentada em frente ao aquário principal desfrutando de uma sensação de pura tranquilidade. Não sei o que é que aquele aquário tem mas a verdade é que, mesmo apesar das pessoas que estão constantemente a circular por ali a elevar a voz de excitação (sobretudo as crianças), é possível experimentar uma sentimento de descontracção e conforto a que chamo o efeito calmante. Uma vez uma amiga minha comentou comigo que quando a mãe dela teve uma depressão, tinha por hábito sentar-se em frente a um aquário com peixes dourados que tinha no quarto e ficar ali, simplesmente a olhar para eles. Dizia que isto a deixava mais calma. Agora percebo. Gostamos de olhar para um universo onde a existência de stress é quase ou totalmente nula. Onde predomina a cor, a beleza natural, o silêncio. De certa forma, onde predomina a magia. Sim, se há adjectivo que podemos aplicar correctamente ao oceanário será o de mágico. 
Acho que não levarei tantos anos até lá regressar outra vez. 13 Euros por um bilhete para uma sessão de terapia não me parece caro. 




terça-feira

As vantagens de ser invisível

Há filmes fabulosos cuja existência poderíamos para sempre desconhecer. Ou então visualizar o trailer, pouco revelador do seu potencial e achando-o sem grande interesse, votá-lo ao esquecimento. Para que isto nunca aconteça há que seguir o conselho deste ou daquele amigo que nos diz: vê este filme pois foi um dos melhores que vi na minha vida. E nós, uma vez que confiamos nesse amigo cegamente, damos uma oportunidade à obra. Assim foi com "As vantagens de ser invisível". Uma história bonita e simples, com um protagonista que só nos apetece abraçar e proteger. O melhor amigo, o melhor irmão, aquele que gostaríamos que tivesse sido o nosso primeiro amor. Passado nos anos 90, o invisível é Charlie, um adolescente tímido que ao tentar ganhar novos amigos na sua entrada para essa fase da vida complicada que é a fase do liceu, é acolhido num grupo de finalistas com fortes laços de amizade entre eles. 
Esta é uma história sobre a amizade mas também sobre o amor. Destaque para o diálogo entre Charlie (Logan Lerman) e Sam (Emma Watson) em que ela lhe pergunta "porque será que eu e as pessoas que amo são sempre tratadas como lixo?" ao que ele lhe responde "aceitamos o amor que achamos que merecemos".
Destaque também para a prestação de Ezra Miller, aqui adorável, ao contrário do terrível Kevin de "Temos de falar sobre o Kevin".



segunda-feira

As calças largas estão em força

Lisas ou estampadas, em cores fortes ou mais discretas, as calças largas e fluídas estão aí em força em tudo o que é loja. Já as vi a assentarem bem em mulheres de todas as estaturas e pesos se bem que as lisas de cores mais escuras adequam-se melhor às silhuetas mais largas. Para quem odeia saias ou vestidos, este tipo de calças, desde que em seda ou em material semelhante, são o ideal para um casamento. 
Aqui vão uns bons exemplos para serem devidamente analisados. 

Lanidor

Zara

Zara

Mango

Blanco

Cortefiel

Velocidade Furiosa 6

Às vezes a vontade de ver um filme de pura acção tem de ser atendida. Vi o trailer do 6º filme que reúne Vin Diesel, Paul Walker e carros velozes e um desejo incontrolável tomou conta de mim. Não que eu seja fanática por carros, mas havia ali qualquer coisa que pedia para ser vista. Ontem não resisti. O destino queria pois um amigo meu desafiou-me para irmos ver os rápidos e furiosos. E não é que não me desiludi? Cenas de pancada das boas. Corridas alucinantes. Carros estampados. Comédia e até uma pitada de romance. Montagem e efeitos especiais tão bem feitos que não dava para perceber onde acabava o trabalho dos duplos e começava o dos actores. Tenho de confessar que gostei. Gostei tanto que até vou ver se arranjo o 5º filme que tem como cenário principal as favelas do Rio de Janeiro.  
Às vezes uma pessoa tem de se deixar de intelectualidades e ver algo que nos aumente as arritmias.