quinta-feira

Restaurante Book

Hoje, numa ida ao Porto em trabalho surgiu-me a oportunidade de entrar em mais um local original: o restaurante Book, que fica no espaço onde durante muitos anos foi a Livraria Aviz. Obras literárias e comida sempre me pareceram uma boa combinação. Os livros estão presentes ainda em todo o lado, não apenas na decoração mas até nos menus ou na conta que são entregues dentro de edições antigas.  Apesar de termos ficado na zona exterior, pude examinar com a devida atenção todo o interior do restaurante. De facto, cada vez mais chego à conclusão que há espaços que têm potencial para serem muito mais do que aquilo para que foram inicialmente criados. Quem diria que uma livraria um dia podia ser um restaurante. Pelos vistos alguém achou que sim e ainda bem que assim foi. O atendimento foi pleno daquela simpatia genuína que tanto se encontra no Norte. Mas o melhor mesmo foi a sobremesa, uma mousse de chocolate soberba que eu poderia ter repetido uma e outra vez sem me cansar ou enjoar. A regressar, sem dúvida, de preferência com o meu grupo de amigos que comigo estudou Literatura na Faculdade de Letras. Ou o meu amigo Joãozinho, a única pessoa que conheço que nunca compra menos de 35 obras em cada edição da Feira do Livro. Assim de repente, penso que estes seriam a melhor companhia para comigo desfrutarem em pleno de um local assim.


   

   

quarta-feira

O top que toda as mulheres parecem ter

Hoje aconteceu-me por duas vezes aquilo que as mulheres mais temem no que diz respeito a trapos. Usar uma peça de roupa, chegar a um determinado local e verificar que se encontra lá outra mulher com idêntica peça. Aconteceu no trabalho e aconteceu na Faculdade. No trabalho admito que teve piada. Foi a minha amiga Carla a imitadora. O pior é que não só o top era igual. Verificámos incrédulas e perdidas de riso que a cor das calças era a mesma, a cor das unhas, a cor da mala e até, pasme-se a cor da roupa interior. A única diferença era que eu levava o cabelo apanhado e ela não. Mostrámos-nos aos nossos colegas e a gargalhada foi geral. A verdade é que esta não é a única peça que temos igual. É o que dá frequentar as mesmas lojas e partilhar os mesmos gostos e estilo.  
Ao fim da tarde, quando achava que a brincadeira não poderia repetir-se, eis que me cruzo no bar da Faculdade com uma jovem com o dito top. Muito deve a Zara ter vendido este belo artigo. É da colecção do ano passado e está provado que agradou a muitas moças. Já cheguei a vê-lo numa foto de uma qualquer senhora espanhola famosa na revista Hola. 
Em tempos tive um vestido da Mango que me causou idênticos dissabores. Lembro-me de uma vez estar a passear pelas Amoreiras e eis que uma rapariga passa por mim com um gémeo. Como ainda por cima era estampado e comprido, o acontecimento não passou despercebido a ninguém que por ali circulava. 
No entanto, mau, mau foi aquilo que uma vez presenciei num casamento.  O vestido da madrinha da noiva era igual ao de uma das convidadas. As protagonistas do embaraçoso episódio chamaram a si o centro das atenções que por norma é atribuído aos noivos.
Aqui vai uma foto do famoso top:

   

domingo

Pensão Amor

Há locais em Lisboa que eu descubro mais tarde do que devia. A Pensão Amor é o mais recente exemplo. Como pude eu desconhecer este antigo "antro de prazer" transformado em bar/ sex shop/ livraria até este fim de semana? Cinco sílabas para descrever o spot: ma-ra-vi-lho-so! Não sei do que gostei mais: se das paredes interiores do edifício que acompanham as escadas cheias de desenhos atrevidos e dizeres quentes; se da sala com o varão ao centro; se dos bibelots eróticos que decoram a mobília das salas; se das paredes forradas a tecido aveludado padrão tigresse; se da sala com a cartomante. Não conseguimos arranjar mesa para nos sentarmos a beber um copo porque estava apinhado sobretudo por clientela acima dos 50 anos. No entanto, só o tour deixou-me bastante satisfeita e com vontade de voltar. Local histórico e com cheiro a erotismo vintage é coisa que definitivamente desperta o meu interesse. Tanta história de alcova deve ali ter ocorrido. A tantas cenas escabrosas devem ter assistido aquelas paredes. A atmosfera não engana: houve ali milhares de romances de cordel.  
Uma noite destas a ver se consigo lá estar um bom par de horas e quem sabe conseguir assistir a um dos espectáculos de dança do varão que por lá costumam fazer. Dança do varão é coisa que me inspira respeito. Só moça muito adepta de ginástica acrobática é que consegue fazer um bom espectáculo. Daquelas em que metade da coreografia a artista está agarrada ao varão pelas pernas, cabeça para baixo, fazendo espargatas e elevações de toda a espécie e feitio. Não é coisa para qualquer uma não. 
Recomendo vivamente este local que defino como curioso, original e de certa forma romântico. 




  

sábado

Os sons de Lisboa uniram-se e o resultado foi um concerto ao ar livre

Ontem à noite e durante cerca de 7 minutos, os barcos que vão para a margem sul, os eléctricos que percorrem as 7 colinas, os sinos das igrejas, as buzinas dos bombeiros e dos comboios da linha de Cascais formaram uma Orquestra e tocaram para um vasto público que encheu o Terreiro do Paço. Este era o principal ponto de escuta do espectáculo que resultou da perfeita união dos sons típicos de Lisboa que nos são tão familiares. Outros pontos de escuta à disposição foram o Rossio, o Miradouro de S. Pedro de Alcântara e o Castelo. Apesar de achar que a divulgação na Imprensa foi modesta a verdade é que a Praça do Comércio estava cheia. De pessoas e de tecnologia pois no momento em que foi lançado o very light, sinónimo que o concerto ia começar, os tablets e os telemóveis surgiram aos milhares. Tudo para gravar e mais tarde recordar o singular momento que se viveu. O silêncio e o respeito foi bonito mas mais bonito ainda foi ver a lua cheia espelhada nas águas do Tejo. 
Não sei quem teve a original ideia. Não sei se isto saiu tudo da cabeça do António Costa. A verdade é que o evento suscitou-me curiosidade e admiração por quem o planeou e por quem o levou a cabo. 
Adorei e aposto que os turistas também adoraram pois muitos deles que por ali circulavam de certeza que nunca viram algo do género tal eram os sorrisos de satisfação. 
Para completar a noite percorremos o Passeio da Ribeira das Naus, a obra mais bonita feita na capital nos últimos tempos. Lisboa está cada vez mais bem apetrechada de locais de lazer. 

Os vestidos românticos da Fornarina

Durante esta semana tive a difícil missão de ajudar uma amiga minha a encontrar o vestido perfeito para um casamento. Ora sendo ela moça complicada e de colocar defeito em tudo, comecei logo a tremer antes de nos pormos a caminho das lojas. A peregrinação terminou ao fim de 3 dias quando já a esperança e a fé se desvaneciam. A nossa busca levou-nos à Fornarina do El Corte Inglês, marca italiana da qual reconheço que não tenho nada apesar de ver sempre por lá coisas bem engraçadas. Penso que o facto de não haver muitas lojas da Fornarina em Lisboa me faça esquecer dela. 
Pois foi na dita que se deu o milagre da multiplicação dos vestidos. A minha amiga gostou logo de três e disse-me que era ali que estava todo o potencial de sucesso. Pedi a intervenção divina. Já me doíam os pés, estava com fome e apesar do ar condicionado, estava com calor. Grande foi a minha satisfação quando ela assim que experimentou o primeiro me disse "encontrei O vestido"! ao que eu disse logo para a funcionário do El Corte Inglês "Deus seja louvado"! Ela vendo o meu ar de fatiga perguntou "já andavam à procura há muito tempo?" ao que eu só tive forças para acenar lentamente com a cabeça. 
A verdade é que a Fornarina tem uma série de vestidos românticos muito bonitos. E por românticos quero dizer que predominam os folhinhos, as flores, os plissados, as bolinhas e as cores suaves (no caso da minha amiga, a cor até que é bem forte). 
O preço não é para todas as carteiras mas se alguém gostar muito de alguma coisa é esperar pelas promoções que já não devem tardar muito. 








quinta-feira

O efeito calmante do Oceanário

Fui muito recentemente ao Oceanário no Parque das Nações. Não foi a primeira vez mas a verdade é que já há muito tempo que lá não ia. Infelizmente já me tinha esquecido do que este lugar maravilhoso tem de melhor para oferecer: a possibilidade de poder ficar durante horas sentada em frente ao aquário principal desfrutando de uma sensação de pura tranquilidade. Não sei o que é que aquele aquário tem mas a verdade é que, mesmo apesar das pessoas que estão constantemente a circular por ali a elevar a voz de excitação (sobretudo as crianças), é possível experimentar uma sentimento de descontracção e conforto a que chamo o efeito calmante. Uma vez uma amiga minha comentou comigo que quando a mãe dela teve uma depressão, tinha por hábito sentar-se em frente a um aquário com peixes dourados que tinha no quarto e ficar ali, simplesmente a olhar para eles. Dizia que isto a deixava mais calma. Agora percebo. Gostamos de olhar para um universo onde a existência de stress é quase ou totalmente nula. Onde predomina a cor, a beleza natural, o silêncio. De certa forma, onde predomina a magia. Sim, se há adjectivo que podemos aplicar correctamente ao oceanário será o de mágico. 
Acho que não levarei tantos anos até lá regressar outra vez. 13 Euros por um bilhete para uma sessão de terapia não me parece caro. 




terça-feira

As vantagens de ser invisível

Há filmes fabulosos cuja existência poderíamos para sempre desconhecer. Ou então visualizar o trailer, pouco revelador do seu potencial e achando-o sem grande interesse, votá-lo ao esquecimento. Para que isto nunca aconteça há que seguir o conselho deste ou daquele amigo que nos diz: vê este filme pois foi um dos melhores que vi na minha vida. E nós, uma vez que confiamos nesse amigo cegamente, damos uma oportunidade à obra. Assim foi com "As vantagens de ser invisível". Uma história bonita e simples, com um protagonista que só nos apetece abraçar e proteger. O melhor amigo, o melhor irmão, aquele que gostaríamos que tivesse sido o nosso primeiro amor. Passado nos anos 90, o invisível é Charlie, um adolescente tímido que ao tentar ganhar novos amigos na sua entrada para essa fase da vida complicada que é a fase do liceu, é acolhido num grupo de finalistas com fortes laços de amizade entre eles. 
Esta é uma história sobre a amizade mas também sobre o amor. Destaque para o diálogo entre Charlie (Logan Lerman) e Sam (Emma Watson) em que ela lhe pergunta "porque será que eu e as pessoas que amo são sempre tratadas como lixo?" ao que ele lhe responde "aceitamos o amor que achamos que merecemos".
Destaque também para a prestação de Ezra Miller, aqui adorável, ao contrário do terrível Kevin de "Temos de falar sobre o Kevin".