Ontem fiz o último exame da Pós-Graduação que iniciei há 10 meses. Durante o jantar de comemoração com os meus colegas senti um sabor doce e amargo ao mesmo tempo. Doce porque finalmente acabaram os fins de semana a estudar horas seguidas. Amargo porque infelizmente terminaram as aulas onde adquiri conhecimentos interessantes e sobretudo, práticos. É claro que houve uma ou outra disciplina onde a teoria abundou, teoria essa que sei já de antemão que nunca a irei aplicar no trabalho a sério, mas no geral, a prática teve mais destaque. Amargo também por causa da questão da minha turma. Não há adjectivos suficientemente bons para descrever os meus colegas. A solidariedade, sobretudo na altura dos exames, foi sempre surpreendente. Toda a gente ajudava com o que tinha. Apontamentos circularam, pessoas estudaram juntas, partilharam-se dúvidas, explicações e testes de anos anteriores. Até os professores comentaram e elogiaram o nosso comportamento.
Ter convivido com estas pessoas durante estes meses faz-me ficar descansada quanto a esse tema delicado que é a gestão de recursos humanos, aliás o tema central da dita Pós-Graduação e a área onde quase todos trabalhamos. Se fomos assim tão solidários e bons colegas uns para os outros durante o ano lectivo que passou, ouso acreditar que o somos ou poderemos ser também para os nossos colegas no nosso local de trabalho todos os dias.Ouso acreditar que iremos tratar sempre os colaboradores com respeito e simpatia. Que estaremos dispostos a ajudar ou pelo menos a ouvir o que têm para dizer.
E agora que já acrescentei mais saber à minha memória e agora que sei que há por aí pessoas muito decentes nos Recursos Humanos em Portugal, esta é a pergunta que me imponho: que fazer a seguir? Ficar-me por aqui? Preciso continuar a aprender? E que tal parar? Por que não apenas ler, ver filmes, séries, peças de teatro e espectáculos ou assistir a concertos? Ou substituir o alimento do espírito pelo alimento do corpo e dedicar-me a um desporto?
Quando termina a nossa sede de conhecimento, a nossa curiosidade? tenho-me questionado cada vez mais ultimamente. Será que a idade pede abrandamento de ritmo ou pelo contrário, visto que sentimos o tempo a passar mais rápido, achamos que agora é o momento de fazermos as coisas, de colocarmos em prática os nossos planos antes que tudo acabe?
Arrisco dizer que a minha curiosidade não tem limites. Posso não voltar e meter-me num projecto desta dimensão, até porque estudar está cada vez mais caro, mas há certamente por aí muitos outros projectos menos ambiciosos (e mais baratos) que pedem a minha participação.
Enquanto tiver memória livre no disco rígido que é o meu cérebro, enquanto gostar de conhecer pessoas novas e rir com elas, enquanto gostar de ser surpreendida, continuarei a minha formação. Para poder ouvir histórias e partilhá-las, para poder continuar a exercitar a minha imaginação porque tal como já disse várias vezes neste blog e tal como continuarei a dizer, a imaginação é o melhor ingrediente para se viver bem em vez de apenas sobreviver.
Ah bons (agora velhos) tempos, vou sentir falta das aulas das 18h30 às 23h30 todas as segundas e quartas-feiras!
Hum, nunca pensei dizer isto...