quinta-feira

Em Parte Incerta de Gillian Flynn...

... foi o terceiro livro que ocupou as minhas mãos durante estas férias. Há já uns bons anos que não lia um thriller e há já uns bons anos que não era surpreendida quanto ao vilão da história. Um desaparecimento que aparenta ser um homicídio, um casamento que aparenta ser feliz, um casal que aparenta mais virtudes que defeitos. Quem detém a verdade, quem espalha a mentira? 
Um livro que descreve o crime perfeito não fosse um episódio de pura má sorte mudar o rumo da acção.  
Em Parte Incerta tem acima de tudo dois personagens principais complexos que conferem a textura que uma boa história precisa. Há detalhes nas suas personalidades que compreendemos e aceitamos e outros que simplesmente desprezamos. No início do livro é muito difícil decidir de que lado estamos: team marido ou team mulher? Para dizer a verdade, chega-se ao fim do livro e a dúvida permanece se bem que um dos esposos consegue ganhar mais pontos em simpatia do que o outro.
Em Parte Incerta esteve na lista dos melhores do New York Times o que me obrigou a comprá-lo e agora, depois de o ter lido, sinto-me obrigada a aconselhá-lo. 

  

terça-feira

Escrever ou não escrever, eis a questão

Passei o ano inteiro à espera das férias de Verão para escrever qualquer coisa de "grande". E por "grande" quero dizer outro livro ou pelo menos o início dele. Ou algo mais modesto como um conto. Mas apesar do silêncio típico de uma aldeia onde não se passa nada, apenas interrompido pelo cantar de um cuco que tem morada fixa por estes lados, das caminhadas por locais onde o perfume dominante é o proveniente de pinheiros e eucaliptos, do pôr-do-sol espectacular que vi todos dia ao fim da tarde e da lua cheia das últimas noites - tudo elementos propícios a inspirarem-me ( note-se que a Isabel Allende também tem um ritual que inclui rodear-se de um certo ambiente) - a verdade é que as férias terminam amanhã e não escrevi uma única linha. Apesar das várias ideias - algumas baseadas em factos reais, outras totalmente fictícias - que já registei devidamente para não me esquecer delas caso decida dar-lhes uso posteriormente, nada foi feito. E sei que não é uma crise de inspiração. É ao invés disso uma crise de propósito. Para quê? é a pergunta que me tenho colocado ultimamente. Será que todos os escritores que se intitulam amadores e que nunca deixaram de ser isso mesmo, meros amadores, terão tido um momento em que se colocaram esta pergunta: Para quê?
Além disso deixou de parecer certo. Certo tornou-se limitar-me a ler os livros que os outros escrevem.  

As Esganadas de Jô Soares

Há livros que reservo religiosamente para ler nas férias. As Esganadas do mais famoso "Gordo" brasileiro, foram um presente de uma amiga que recebi por altura dos meus anos em Abril. Assim que li a síntese, achei que tinha potencial para me divertir agora em Agosto, no meu retiro anual numa aldeia onde não se passa nada. Não me enganei. Apesar de se tratar de uma trama que envolve um serial killer cruel, o livro arranca gargalhadas a qualquer sisudo. Todas as vítimas deste assassino têm em comum o facto de serem gordinhas e praticarem diariamente o pecado da Gula. Para as atrair, o monstro usa a melhor das iscas: os mais saborosos e famosos doces portugueses. Para que o criminoso seja devidamente apanhado, são destacados para o perturbador caso um delegado sempre de mau-humor e o seu assistente medroso e pouco inteligente. Felizmente, um ex-investigador português, desterrado no Rio de Janeiro por circunstâncias da vida que o fizeram mudar de país e de carreira, junta-se aos anteriores, proporcionando-lhes a sua experiência em casos passados na terra de Camões, os seus conhecimentos de lógica e filosofia e até, os seus ditados populares, sempre cheios de sabedoria. Os três iniciarão uma perseguição sem tréguas ao louco, que não terá o sucesso imediato desejado.
Existem várias referências a personagens reais como o nosso Fernando Pessoa ou Getúlio Vargas. Vários eventos verídicos são também mencionados misturando História dentro da ficção que Jô Soares tão bem conseguiu criar.  
Gostei tanto que estou a pensar comprar o livro mais famoso do cómico brasileiro: O Xangô de Baker Street. 

   

domingo

A mala que Oprah supostamente não tinha dinheiro para comprar

Uma das mulheres mais ricas e poderosas do mundo entrou numa loja de artigos de luxo em Zurique, pediu para ver uma mala cujo preço rondava cerca de 30 mil Euros e viu ser-lhe negado o pedido. A funcionária, não a reconhecendo e achando que estava perante uma qualquer pobretana, respondeu-lhe que aquela mala era muito cara e que tinha outras mais em conta que teria todo o gosto em mostrar-lhe. Oprah insistiu, visto ser apenas aquela mala que lhe interessava mas a zelosa funcionária argumentou que não queria ofendê-la com o preço e mais uma vez, sugeriu outros artigos.  
Oprah diz que foi racismo. Eu digo que acontece às melhores e pelos motivos mais ridículos. O ano passado uma amiga minha, a mãe e a irmã entraram numa loja de origem espanhola e que apesar de ser cara, está longe de ser considerada de luxo. Como tinham vindo da praia, estavam de havaianas, calções, tops de alças e sacos de praia. A mãe da minha amiga pediu para ver uma mala que estava na montra. Não custava 30 mil Euros mas cerca de 300 Euros. A funcionária olhou para elas e respondeu de imediato: "ah, aquela mala é muito cara". A mãe da minha amiga disse: "sim mas eu queria ver por favor". A funcionária voltou à carga com um: "é que sabe, é uma linha exclusiva, por isso é muito cara". Depois de um silêncio constrangedor e de alguns olhares de indignação por parte da minha amiga e da irmã, a mala foi retirada da montra mas aí o interesse das potenciais clientes já tinha passado perante a indelicadeza de quem as estava a atender.
Pergunto-me onde vão buscar este tipo de funcionários, a teoria de que só as pessoas com uma determinada cor de pele ou vestidas de uma determinada forma podem comprar artigos de marca caros. Será que para entrarmos em certas lojas temos de ter em atenção o dress code, escolhermos bem as palavras e os gestos, não vão eles pensar que a nossa conta bancária está a zeros?
Há lojas de luxo na Av. da Liberdade que alguns amigos meus já apelidaram de intimidantes e que parecem querer filtrar os clientes à entrada. Muitos, apesar de terem dinheiro para o fazer, já me disseram que fazem questão em não comprar lá nada.  
Será que a famosa cena do filme Pretty Woman em que a personagem de Julia Roberts entra numa loja da Rodeo Drive e é convidada a sair devido ao seu aspecto é mais realidade do que ficção? Infelizmente parece que sim, se até à Oprah o infeliz episódio aconteceu...    

sábado

A Gaiola Dourada

Todos sabemos que nas décadas de 60 e 70, milhares de portugueses rumaram a França para aí começarem uma vida com mais oportunidades de emprego, com maior estabilidade financeira, com melhores condições para oferecerem aos seus filhos.  Muitos permaneceram lá muitos anos, só regressando a Portugal por altura da reforma. Outros nunca mais voltaram de vez, fazendo-o apenas temporariamente durante as férias de Verão.
A Gaiola Dourada é um perfeito retrato das histórias desses portugueses. Realizado por Rúben Alves, filho de emigrantes em França, estão lá os sentimentos, os clichés, o bacalhau, o sonho de voltar à terra, o sonho de voltar à terra no melhor dos carros, os complexos dos filhos entretanto nascidos em França, a preocupação tão típica que nós temos do " meu Deus que vergonha, o que vão as pessoas dizer". Tudo isto envolto num ambiente cómico (apesar de uma ou outra cena que puxa pela lágrima), com diálogos onde o francês por vezes se mistura com a língua de Camões. 
Rita Blanco está extraordinária. Por vezes, não precisa de palavras para mostrar o que sente. A expressão dela e a linguagem corporal dizem tudo. Joaquim de Almeida óptimo também. Acho que há muito tempo não o via sem ser em papel de mafioso. Das situações mais cómicas está encarregue Maria Vieira que há muito não via no cinema.  
Um excelente filme neste Verão que não deve ser perdido. 



segunda-feira

A Pérola de John Steinbeck...

... foi o primeiro livro da lista deste Verão devidamente lido. É um livro pequeno que se lê bem e rapidamente. Um conto sobre valores familiares, sobre a ganância, sobre as escolhas que se fazem e sobre as consequências que resultam das mesmas. Uma história que tem como pano de fundo o velho sonho de enriquecer e de todos os desejos que poderão ser realizados quando se está na posse de uma fortuna. E de como às vezes o sonho se transforma em pesadelo e perdemos aquilo que na verdade era o que tinha mais valor na nossa vida. 
Steinbeck é um autor norte-americano que ganhou o Nobel em 1962. As suas obras mais conhecidas são A Leste do Paraíso e As Vinhas da Ira, as quais, confesso, nunca li apesar deste escritor ter sido mencionado centenas de vezes durante a minha passagem pela Faculdade de Letras nessa bela disciplina que foi Literatura e Cultura Norte-Americana. 
Para quem gosta de livros pequenos e histórias simples, A Pérola é sem dúvida uma boa aposta. 

  
  

domingo

Os bares rooftop...

... pelos vistos estão cada vez mais na moda em Lisboa. Os terraços com vista privilegiada sobre a capital estão a ser transformados e decorados para que seja possível beber um copo no meio de um cenário deslumbrante. O Sky Bar no Tivoli Lisboa, o Silk no Chiado e o Bar do Bairro Alto Hotel foram talvez os primeiros de que ouvi falar. Se no Verão passado pude constatar a beleza visual conferida por este último, ontem foi a vez de experimentar o Park que fica no terraço do silo automóvel da Calçada do Combro. Talvez por ter aberto no início de Julho e ser novidade, ontem à noite estava apinhado. Pessoas de todas as idades. Ambiente descontraído. Preços acessíveis. Único senão da noite foi o vento frio que circulava mas que não foi impeditivo para as centenas de mini-saias que vi passar por mim. Falta saber se as suas respectivas donas estavam tão incomodadas quanto eu que resolvi ir de calções curtos. Já tenho saudades daquelas semanas em que até à noite estavam 40 graus...
Decisão tomada quando me vim embora: estes locais merecem ser visitados também de dia. Um brunch + vista sobre Lisboa parece-me uma combinação perfeita. 
A visitar também nos próximos tempos o UpScaleBar no Hotel Epic Sana que além do bar, tem uma bela piscina e umas fantásticas espreguiçadeiras como principais atracções. 


Bar do Bairro Alto Hotel
Sky Bar
Park
Park