Uma das mulheres mais ricas e poderosas do mundo entrou numa loja de artigos de luxo em Zurique, pediu para ver uma mala cujo preço rondava cerca de 30 mil Euros e viu ser-lhe negado o pedido. A funcionária, não a reconhecendo e achando que estava perante uma qualquer pobretana, respondeu-lhe que aquela mala era muito cara e que tinha outras mais em conta que teria todo o gosto em mostrar-lhe. Oprah insistiu, visto ser apenas aquela mala que lhe interessava mas a zelosa funcionária argumentou que não queria ofendê-la com o preço e mais uma vez, sugeriu outros artigos.
Oprah diz que foi racismo. Eu digo que acontece às melhores e pelos motivos mais ridículos. O ano passado uma amiga minha, a mãe e a irmã entraram numa loja de origem espanhola e que apesar de ser cara, está longe de ser considerada de luxo. Como tinham vindo da praia, estavam de havaianas, calções, tops de alças e sacos de praia. A mãe da minha amiga pediu para ver uma mala que estava na montra. Não custava 30 mil Euros mas cerca de 300 Euros. A funcionária olhou para elas e respondeu de imediato: "ah, aquela mala é muito cara". A mãe da minha amiga disse: "sim mas eu queria ver por favor". A funcionária voltou à carga com um: "é que sabe, é uma linha exclusiva, por isso é muito cara". Depois de um silêncio constrangedor e de alguns olhares de indignação por parte da minha amiga e da irmã, a mala foi retirada da montra mas aí o interesse das potenciais clientes já tinha passado perante a indelicadeza de quem as estava a atender.
Pergunto-me onde vão buscar este tipo de funcionários, a teoria de que só as pessoas com uma determinada cor de pele ou vestidas de uma determinada forma podem comprar artigos de marca caros. Será que para entrarmos em certas lojas temos de ter em atenção o dress code, escolhermos bem as palavras e os gestos, não vão eles pensar que a nossa conta bancária está a zeros?
Há lojas de luxo na Av. da Liberdade que alguns amigos meus já apelidaram de intimidantes e que parecem querer filtrar os clientes à entrada. Muitos, apesar de terem dinheiro para o fazer, já me disseram que fazem questão em não comprar lá nada.
Será que a famosa cena do filme Pretty Woman em que a personagem de Julia Roberts entra numa loja da Rodeo Drive e é convidada a sair devido ao seu aspecto é mais realidade do que ficção? Infelizmente parece que sim, se até à Oprah o infeliz episódio aconteceu...