Não é segredo para ninguém que a A Sombra do Vento do Carlos Ruiz Zafón figura entre os meus livros preferidos de sempre e para sempre. Por essa razão, assim que vi este O Prisioneiro do Céu e li que dentro dele circulavam as personagens principais do anterior, nem pensei duas vezes e arrebatei-o de uma das prateleiras. O autor espanhol tem, acima de tudo essa capacidade para criar personagens fictícias que adoraríamos que existissem na realidade para termos o prazer de as conhecer. Nos seus livros podemos encontrar, por exemplo, as tiradas cheias de humor de Fermín, que fazem com que até o leitor mais triste e nostálgico, saia do seu estado negro e ria com vontade. Podemos ainda tomar contacto com o bom carácter de Sempere pai e Sempere filho, o tipo de pessoas de que o mundo precisa para ser melhor.
Outra qualidade da escrita de Zafón está presente na facilidade com que parece compor a estrutura das suas histórias. Recorrendo com frequência a analepses, os regressos ao Passado são, no entanto, feitos não de forma brusca mas como se fossem algo natural. Ritmo, é outra palavra de ordem. Nunca há momentos parados e até descrições de locais e pessoas parecem contribuir para a acção.
Com um enredo mais simples do que o de A Sombra do Vento, O Prisioneiro do Céu não deixa por isso, de nos prender e de não o querermos largar até conhecermos o fim, fim esse que aliás, deixa uma porta aberta para mais um livro que Zafón já deve ter em mente.
Esperemos, então, com paciência, mais uma história de Fermín e dos Sempere.












































