Quando era pequena passava os cerca de 3 meses de férias de Verão na mesma aldeia em que ainda este Agosto estive. Como as aulas só começavam em Outubro havia tempo para participar em pelo menos uma vindima ou uma desfolhada. Apanhar uva sempre me agradou. Descascar milho, nem por isso. Por isso, quando uma amiga minha mencionou que o namorado dela estava a convocar amigos para a vindima do terreno que a família tem no Alentejo, nem hesitei em oferecer os meus préstimos. Sabia que podia ser duro sobretudo se estivesse muito calor. Sabia que era para começar a tarefa de madrugada. Sabia que podia desgraçar as mãos e as costas. No entanto, às vezes uma pessoa tem de se meter numa "aventura".
Assim, no fim de semana passado, um grupo de meninos da cidade pôs-se a caminho de um monte alentejano. No sábado acordámos pouco depois das seis da manhã. O mata-bicho foi torradas, galões e bolo. Cheios de energia partimos para junto das videiras. A formação foi: cortem tudo, vale tudo, só não cortem os ramos grandes.
Resultado: cerca de 7 horas depois, estava exausta mas feliz. A experiência foi quase terapêutica. Quando se trabalha há anos, fechada num escritório 9 a 10 horas diárias, sabe bem trabalhar ao ar livre mesmo que a função nos deixe com dores lombares, as unhas pretas e o corpo coberto de pó. Não é preciso pensar, não é preciso esforçar o cérebro. É só trabalho físico. E a verdade é que se não precisássemos de trabalho físico para manter a sanidade mental, os ginásios não estariam cheios de gente.
É impressionante a mudança que ocorreu em mim nos últimos anos. Eu, uma admiradora incondicional da cidade, um ser que sempre desprezou o campo, agora corro para ele sempre que posso.
O que se seguiu ainda foi melhor. Um mergulho na piscina, secar ao sol na relva, beber limonada, um jantar com comida tipicamente alentejana e um grupo de amigos que sabe conduzir uma conversa cómica, agradável, acolhedora.
Fui das primeiras a avisar que no próximo ano lá estarei novamente. Experiências que se adoram são sempre para repetir.
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| O sino para chamar os trabalhadores para as refeições |
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| A flor do maracujá |