Sempre que o dia do anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura se aproxima, instala-se entre o meu grupo de amigos do trabalho um intenso frenesim. No início desta semana chegámos mesmo a discutir entre todos na hora do almoço, a idade dos vencedores e o facto de que apenas os septuagenários ou pós-septuagenários deveriam ter o prazer de ver ser-lhes concedida tal honra. Chegámos a dizer "barbaridades" como " O Haruki Murakami não pode receber ainda pois só tem 64 anos, é um garoto!"
Por norma é o meu colega João o primeiro a tomar conhecimento do nome do feliz contemplado, indo anunciá-lo junto dos restantes com a frase "Habemus Nobel". Este ano, tal como nos anteriores, torcíamos por um escritor que nos fosse familiar. Por isso, foi com grande contentamento que recebemos a notícia de que a Academia Sueca em 2013, concedia o prémio dos prémios a Alice Munro, escritora canadiana que sempre privilegiou o conto.
Apesar de todos os anos torcer por Joyce Carol Oates ou por Philip Roth (ambos americanos e ambos, diz-se, eternos finalistas da tão cobiçada distinção), não pude deixar de esboçar um sorriso perante a escolha desta senhora de 82 anos autora de obras como O Amor de Uma Boa Mulher ou Amada Vida (uma edição da Relógio d'Água que comprei hoje).
Curiosidades a reter perante esta escolha: Alice Munro é a 13ª mulher a ser distinguida pela Academia Sueca (as últimas foram Doris Lessing em 2007 e Herta Müller em 2009) e em mais de 100 anos é a primeira vez que o Nobel da Literatura é entregue a alguém que só escreve este género de literatura. Sendo assim, penso que agora todos os géneros estão cobertos.


















































