domingo

Blue Jasmine

Quando o Midnight in Paris do Woody Allen estreou em Portugal, uma colega minha gostou tanto do filme que me perguntou se era possível encontrar a versão em livro. Respondi-lhe que isso era muito pouco provável senão impossível pois o Woody Allen não adapta livros ao grande ecrã. Muito pelo contrário. Ele não é apenas realizador, antes de chamar a si esse papel, ele é o argumentista. É por isso que o considero um génio, um génio com quase 80 anos e que à medida que vai ficando mais velho, vai-nos presenteando com produtos cada vez melhores.
Ontem foi a vez de experimentar Blue Jasmine. O melhor filme de Woody Allen? Não! A melhor interpretação de Cate Blanchett? Sem dúvida! Está encontrado o papel em que a actriz de origem australiana conseguiu superar o feito em Elizabeth. Neste, Jasmine não é rainha mas já o foi. Por outras palavras falamos de uma ex-dondoca que após perder tudo o que caracterizava a sua vida milionária, deixa a sua confortável casa de Nova Iorque e se vê obrigada a pedir guarida na modesta habitação da irmã em S. Francisco. Apesar de ostentar todo um guarda-roupa milionário, Jasmine não tem um tostão e tenta recuperar de um esgotamento nervoso, ao mesmo tempo que se esforça para recomeçar do zero. 
Jasmine é uma personagem que nos faz sofrer. É o tipo de pessoa que se conhecêssemos, iríamos querer consolar e sobretudo, forçar a entrada de algum juízo naquela cabeça. 
Ao contrário dos últimos filmes de Woody Allen, este de comédia não tem nada. Ou se era essa a intenção, eu não achei graça em momento algum. Não é coisa para nos fazer chorar copiosamente mas gargalhadas jamais provoca.  
Aconselho vivamente, sobretudo aos admiradores incondicionais de Allen. Entretanto, ficarei a torcer para que o famoso realizador se decida a filmar em Lisboa.


sábado

A crise e a ambição

Hoje, durante um almoço com uma amiga que está a tentar mudar para um emprego melhor, ela disse-me algo que me fez dedicar uns minutos a pensar na crise e no que ela nos está a fazer. As suas palavras foram: "eu não estou a queixar-me, ainda bem que tenho emprego sobretudo quando há tanta gente que não tem, mas queria algo melhor..." Para minha surpresa, a minha amiga parecia um pouco envergonhada da sua ambição, como se a ambição fosse algo de muito errado numa altura em que o desemprego continua a aumentar. Parece que a crise já anda a interferir nos nossos sonhos, nos feitos que queremos alcançar, nos desafios a que nos propomos. Já temos receio em dizer em voz alta que queremos progredir na carreira, receber um salário melhor, sentirmos-nos mais satisfeitos no trabalho. Pelos vistos o correcto, nos tempos cinzentos em que vivemos actualmente, é o de nos conformarmos com o que temos pois já é bem bom quando comparado com o que os outros têm. 
Ainda me parece incrível mas a conclusão a que cheguei depois desta conversa é que a crise não nos tem vindo a roubar apenas o bolso. Tem-nos roubado, pouco a pouco, a capacidade de sonhar e de querermos ser mais felizes.         

segunda-feira

O desfile do Nuno Baltazar na Moda Lisboa...

... é sempre " a sight for sore eyes". Nunca desilude. Pode haver um ou outro detalhe menos agradável mas no final o balanço é sempre positivo. Normalmente saio da sala a lamentar o facto deste senhor tão talentoso não ter uma loja em Lisboa e ontem não foi excepção. Lá estava a Catarina Furtado, a musa do designer usando uma das suas criações. Os fotógrafos não a largavam apesar de junto dela estarem outras famosas como Dalila Carmo, Sónia Brazão, Raquel Strada ou Iva Lamarão. 
Como de costume, o preto e o branco dominaram o desfile mas houve espaço para um verde vibrante, um azul muito suave e uma outra cor entre o castanho e o cinza à qual torci o nariz. Tal como na colecção Primavera Verão apresentada há um ano, as melhores peças foram, na minha humilde opinião, os jumpsuits.
Aqui ficam as (possíveis) fotos:












domingo

O Nobel de Alice Munro

Sempre que o dia do anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura se aproxima, instala-se entre o meu grupo de amigos do trabalho um intenso frenesim. No início desta semana chegámos mesmo a discutir entre todos na hora do almoço, a idade dos vencedores e o facto de que apenas os septuagenários ou pós-septuagenários deveriam ter o prazer de ver ser-lhes concedida tal honra. Chegámos a dizer "barbaridades" como " O Haruki Murakami não pode receber ainda pois só tem 64 anos, é um garoto!" 
Por norma é o meu colega João o primeiro a tomar conhecimento do nome do feliz contemplado, indo anunciá-lo junto dos restantes com a frase "Habemus Nobel". Este ano, tal como nos anteriores, torcíamos por um escritor que nos fosse familiar. Por isso, foi com grande contentamento que recebemos a notícia de que a Academia Sueca em 2013, concedia o prémio dos prémios a Alice Munro, escritora canadiana que sempre privilegiou o conto. 
Apesar de todos os anos torcer por Joyce Carol Oates ou por Philip Roth (ambos americanos e ambos, diz-se, eternos finalistas da tão cobiçada distinção), não pude deixar de esboçar um sorriso perante a escolha desta senhora de 82 anos autora de obras como O Amor de Uma Boa Mulher ou Amada Vida (uma edição da Relógio d'Água que comprei hoje). 
Curiosidades a reter perante esta escolha: Alice Munro é a 13ª mulher a ser distinguida pela Academia Sueca (as últimas foram Doris Lessing em 2007 e Herta Müller em 2009) e em mais de 100 anos é a primeira vez que o Nobel da Literatura é entregue a alguém que só escreve este género de literatura. Sendo assim, penso que agora todos os géneros estão cobertos.


    

segunda-feira

O Mordomo

Há filmes que nos levam ao cinema devido ao seu elenco de luxo. Outros, devido ao seu trailer promissor. O Mordomo conquistou-me pelos dois motivos. Além disso, sempre considerei que um filme que retrata uma parte importante da história dos EUA nunca é de desprezar. 
O Mordomo é Cecil Gaines ( Forest Whitaker), personagem baseada em Eugene Allen que serviu oito Presidentes Norte-Americanos na Casa Branca durante os 34 anos que lá trabalhou. Gaines é a personagem principal à roda da qual giram os acontecimentos relacionados como o Movimento dos direitos civis dos negros entre 1955 e o início dos anos 70. 
Relativamente à performance de Forest Whitaker, penso que nunca ninguém teve dúvidas que o resultado seria um desempenho sem falhas. Já a participação de Oprah preocupou muitos antes de verem a mais recente longa metragem de Lee Daniels (realizador de Precious). Ouvi várias vozes a manifestarem a sua desconfiança. No entanto, quero acreditar que só aqueles que não viram a mulher mais famosa do mundo em A Cor Púrpura no papel de Sofia, puderam temer que ela não estivesse à altura. Pela minha parte, afirmo sem medos que ela está muito convincente. Em duas ou três cenas, precisamente onde era necessário, atinge mesmo a excelência.
Apesar de vários factos descritos no filme não fazerem parte da vida de Eugene Allen, tais como a morte de um filho no Vietname ou a luta contra o racismo do outro (na verdade, Allen só teve um filho que ainda está vivo), acho que Lee Daniels fez bem em inseri-los no argumento. Mais do que a história d'O Mordomo, contam-se acontecimentos passados de um país que ainda hoje surpreende muitos.
O Mordomo é um daqueles filmes que nos leva a investigar o que realmente aconteceu. 
Para terminar, Rodrigo Leão e a sua banda sonora deixam todos os portugueses orgulhosos. Destaque para a melodia que acompanha as últimas cenas quando Gaines aguarda para conhecer Obama pessoalmente. 

O verdadeiro Mordomo


  
   

quinta-feira

O estilo das actrizes baixinhas 3

Ora há já algum tempo que não se publicava aqui nada sobre este tema. Desta vez a senhora em destaque é Shenae Grimes, a Annie de 90210 cuja altura atinge 1,60m. Primeiro facto que deverá ser mencionado sobre esta jovem: muito gosta ela de preto e seus derivados. Gosta tanto que foi aliás essa a cor que escolheu para o seu vestido de noiva. Sim, esta moça não optou pelo branco virginal como a maioria das demais. Ela ousou ao optar pelo tom oposto e não é possível dizer que o resultado tenha sido mau. Muito pelo contrário. Diferente mas bonita como poderão ver na primeira foto abaixo.
No dia a dia assim como na passadeira vermelha, Shenae Grimes é fiel ao seu estilo: cabelo longo solto, peças escuras a apontar para o grunge chic. Às vezes, um apontamento de vermelho. O estilo dela faz-me lembrar o de uma amiga minha que, apesar de numa ou noutra ocasião sair da sua zona de conforto, sempre regressa ao preto. 













terça-feira

E o que é que uma mulher tem de vestir obrigatoriamente em dias de chuva...

... como os últimos que temos suportado? Um Trench Coat ou uma Parka, claro está. E onde é que podemos encontrar estas peças com nomes esquisitos? Nas lojas do costume, claro está igualmente. 
Tentei fazer uma selecção que não tivesse apenas o creme, o beje ou o camel - as cores típica dos trench coats - e lá consegui desencantar outras tonalidades. A minha preferência este ano vai para a combinação beje / preto da qual a Burberry tem um lindo exemplar mas a Mango e a Stradivarius também, com a vantagem de apresentarem preços mais convidativos.  
Aqui vão as fotos para vos inspirarem. Há rumores de que os dias cinzentos da chuva molha parvos vieram para ficar uns tempos. Sendo assim, quem não tem um destes é melhor começar a pensar em fazer um pequeno investimento. 

Mango

Mango

Mango


Massimo Dutti

Stradivarius

Stradivarius

Zara