segunda-feira

Este fim de semana num jantar de anos, uma amiga minha mencionou que estava a ler a biografia da Agatha Christie. O facto mais curioso que tinha lido até ao momento era um hábito da sua infância. Quando a autora de Poirot ou Miss Marple tinha cerca de 5 anos, insistia sempre em vestir umas cuecas novas quando saía, não se desse o caso de ter um acidente e ter de ir parar ao hospital. A isto se chama dar prioridade àquilo que verdadeiramente interessa, o que neste caso não são os danos de um acidente, mas sim o estado e o aspecto da roupa interior. Cada um com a sua mania. Esta, confesso que nunca tinha ouvido mas é muito comum a história desta ou daquela avó que tem a roupa escolhida para vestir quando fizer a viagem para o eterno descanso. Ou o pijama ou a camisa de dormir de flanela por estrear que deverá ser usada quando ficarem doentes e um médico tenha de ir lá a casa. Ou o robe e os chinelos turcos que devemos evergar, caso haja uma fuga de gás ou uma inundação a meio da noite no prédio onde vivemos obrigando-nos a saltar da cama directos para a rua.
Acho piada a esta preocupação com a aparência caso a desgraça surja de repente, assim sem se fazer anunciar com a devida antecedência. Podemo-nos estar a contorcer de dores e quase a bater a bota mas não há dor maior que ser apanhado mal vestido.  

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