segunda-feira

Aquilo em que Helena Sacadura Cabral acredita

Aquilo em que Acredito de Helena Sacadura Cabral foi o primeiro livro devidamente despachado nestas férias de Verão. Aguardava há já algum tempo deitar-lhe a mão desde que vi a autora no programa do Daniel Oliveira, Alta Definição. Entrevista fabulosa. Ouvi-la falar transformou aquele que deveria ter sido um dia banal como os outros, num dia inspirador. Se para muitos é apenas a mãe de Paulo e Miguel Portas, para mim há muito que é uma das nossas melhores escritoras (anteriormente já tinha lido dela "As Nove Magníficas") e uma mulher que se destacou numa altura em que as mulheres ainda não eram muito destacáveis em Portugal. Economista de formação, foi professora e a primeira mulher a entrar para os quadros técnicos do Banco de Portugal. 
À medida que ia avançando no livro dei por mim a lê-lo cada vez mais espaçadamente numa tentativa de fazê-lo durar o mais tempo possível. O livro é uma reunião de textos simples, mas quase sempre cheios de humor, inteligência e pragmatismo. Os temas, tão reais e tão de todos nós: desde as alegrias e amarguras do amor, aos benefícios e tragédias da solidão, as vantagens das novas tecnologias, as atitudes dos nossos políticos, a crise no nosso país e na Europa, a dor da perda de alguém que nos é querido, o orgulho em Portugal e no trabalho de alguns portugueses reconhecido cá dentro e no estrangeiro. Deparei-me neste livro com o melhor argumento contra o Acordo Ortográfico que já li até ao momento, argumento este que é tão simples que não compreendo como é que nunca ninguém à minha volta se lembrou dele.
Em Aquilo em que Acredito é notório o prazer que a escrita confere a Helena Sacadura Cabral e só de facto quem adora escrever consegue deixar transparecer no papel ou online, esse dito prazer, essa imensa satisfação. Quem o faz por obrigação não agrada nem a si próprio nem aos seus leitores.    


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