sábado

The Steve Jobs Way...

... foi o livro que esteve na minha mesa de cabeceira nos últimos dias. Acabei de o ler ontem à noite. Foi comprado na livraria da Universidade de Stanford onde por sinal, Jobs fez um dos melhores discursos que já ouvi na minha vida (obrigada ao Youtube por isso). Resultante de uma colaboração entre Jay Elliot, antigo Senior Vice President da Apple e o jornalista William L. Simon, o livro dá-nos um retrato mais profissional do que pessoal do homem que ficará para sempre associado à mais perfeita união da tecnologia com o design. O autor destaca sobretudo o estilo de liderança único de Steve Jobs, mas também nos dá a conhecer muitos episódios que passaram para o mundo através da imprensa mal contados ou outros que nem nunca foram do conhecimento geral. 
Uma história contada por Jay Elliot e que eu pelo menos desconhecia de todo, foi a do relógio da Porsche que Jobs usava no pulso e cujo design ele adorava. Sempre que alguém elogiava o relógio, ele tirava-o e oferecia-o à pessoa como que dizendo "parabéns por ter reconhecido excelente design". Alguns minutos depois retirava outro igual de uma gaveta cheia deles e repunha o que tinha oferecido.
As histórias que mais me interessaram foram todas as que se referiam a questões de Recursos Humanos. Segundo Elliot, Jobs era a favor de uma estrutura hierárquica simples e a sua convicção era a de que a Apple devia ser uma empresa onde qualquer colaborador podia entrar no gabinete do CEO e partilhar uma ideia. Jobs incentivava a discussão aberta. Era exigente e às vezes demasiado directo, capaz de perguntar a um colaborador "o que andas a fazer para mereceres o dinheiro que te pago?" mas era igualmente o primeiro a reconhecer ideias excelentes. Dava ordens mas ao mesmo fazia a equipa sentir que ele era "um deles". 
No que dizia respeito a recrutamento, também aqui Jobs foi um inovador. Se ouvia falar de alguém perito numa área que lhe interessava, não hesitava em contactá-lo. Contratava talentos e esses talentos tornavam-se depois os seus melhores recrutadores. Os bons RH conhecem sempre alguém com os melhores valores, o melhor estilo, a melhor atitude profissional.
No que dizia respeito a recompensas, estão aqui as atitudes que considero mais originais: a possibilidade de "os artistas assinarem o seu trabalho". Nos primeiros Macs as assinaturas dos engenheiros responsáveis foram gravadas no interior dos mesmos. Os utilizadores por certo nunca viram essas assinaturas mas a equipa sabia que estavam lá. Outro episódio interessante ocorreu quando os primeiros Macs foram colocados à venda. Jobs foi pessoalmente à fábrica entregar os bónus a cada colaborador. Além disso presenteou cada um com um Mac. Jay Elliot afirma que ainda tem o dele e que quando o iPhone foi introduzido no mercado cada empregado recebeu um.
Nos tempos que correm, dá-se cada vez mais importância à formação dos RH, ao recrutamento dos melhores mas sobretudo, à motivação das equipas. Fazer uma gestão eficaz de pessoas é talvez o principal ingrediente para garantir um aumento da produtividade e consequentemente, o sucesso de uma empresa. Será quase impossível manter sempre todos os colaboradores satisfeitos mas o que este livro me ensinou é que apesar de às vezes precisarmos de um líder firme mas competente que nos dê ordens constantemente ou que não aceite Não como resposta, é essencial que esse mesmo líder nos elogie, nos recompense de forma justa e nos faça sentir que todos nós contribuímos para a saúde e o êxito de um produto ou serviço.
É inegável a populariade de Steve Jobs. Penso que com excepção do Bill Gates, nunca nenhum CEO originou tanto interesse. A biografia do homem da Apple foi um sucesso de vendas. Ultimamente dei por mim a olhar com interesse para a do Warren Buffett. Acho que é o senhor que se segue. Talvez este também me dê a conhecer umas coisas interessantes sobre a gestão bem sucedida de pessoas. 

    
   

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