quarta-feira

Liberdade de Jonathan Franzen

Agora que se acabaram as minhas leituras por obrigação posso finalmente dedicar-me às leituras por mero prazer. Alvo de contínuas interrupções, consegui finalmente terminar de ler o Liberdade de Jonathan Franzen no início desta semana. Primeiro comentário: um livro que mostra o que vai na alma das suas personagens como se uma câmara estivesse no seu interior, explorando e transmitindo tudo o que de bom e de mau ela contém. Por outras palavras, a mestria de Franzen nesta obra está acima de tudo nos defeitos e nas virtudes das personagens cujas vidas vamos acompanhar durante várias décadas. O que parece certo numa altura da vida, é totalmente errado noutra. Se numa certa idade, escolhemos um caminho, uns anos mais à frente damos-nos conta que deveria ter sido o oposto, o eleito. Se num determinado momento temos a certeza de que aquela pessoa é o amor da nossa vida, noutro descobrimos que nunca o foi. 
Liberdade não é um livro cheio de surpresas, nem sequer no final. É no entanto surpreendente no modo como retrata uma família que podia ser a de qualquer um de nós, com os seus conflitos, com os seus segredos, com as suas traições mas também com bastante amor. Não há vilões ou heróis. Todos agem de acordo com aquilo que acham ser o correcto.
Apesar de perder um pouco o ritmo quando entra na descrição de um projecto ambiental onde se encontra envolvido o protagonista, é um livro que se lê bem e rapidamente.
Aconselho para leitura de Verão. Não é ficção científica, não é terror, não é policial ou romance tórrido mas um bom drama familiar, não daqueles que fazem chorar as pedras da calçada mas daqueles que apela à nossa solidariedade para com esta família.      

   

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