Há filmes que nos levam ao cinema devido ao seu elenco de luxo. Outros, devido ao seu trailer promissor. O Mordomo conquistou-me pelos dois motivos. Além disso, sempre considerei que um filme que retrata uma parte importante da história dos EUA nunca é de desprezar.
O Mordomo é Cecil Gaines ( Forest Whitaker), personagem baseada em Eugene Allen que serviu oito Presidentes Norte-Americanos na Casa Branca durante os 34 anos que lá trabalhou. Gaines é a personagem principal à roda da qual giram os acontecimentos relacionados como o Movimento dos direitos civis dos negros entre 1955 e o início dos anos 70.
Relativamente à performance de Forest Whitaker, penso que nunca ninguém teve dúvidas que o resultado seria um desempenho sem falhas. Já a participação de Oprah preocupou muitos antes de verem a mais recente longa metragem de Lee Daniels (realizador de Precious). Ouvi várias vozes a manifestarem a sua desconfiança. No entanto, quero acreditar que só aqueles que não viram a mulher mais famosa do mundo em A Cor Púrpura no papel de Sofia, puderam temer que ela não estivesse à altura. Pela minha parte, afirmo sem medos que ela está muito convincente. Em duas ou três cenas, precisamente onde era necessário, atinge mesmo a excelência.
Apesar de vários factos descritos no filme não fazerem parte da vida de Eugene Allen, tais como a morte de um filho no Vietname ou a luta contra o racismo do outro (na verdade, Allen só teve um filho que ainda está vivo), acho que Lee Daniels fez bem em inseri-los no argumento. Mais do que a história d'O Mordomo, contam-se acontecimentos passados de um país que ainda hoje surpreende muitos.
O Mordomo é um daqueles filmes que nos leva a investigar o que realmente aconteceu.
Para terminar, Rodrigo Leão e a sua banda sonora deixam todos os portugueses orgulhosos. Destaque para a melodia que acompanha as últimas cenas quando Gaines aguarda para conhecer Obama pessoalmente.
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| O verdadeiro Mordomo |

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