Há livros que não queremos que terminem nunca. Começamos a leitura numa noite. Lemos os dois primeiros capítulos. Achamos que a história se calhar vai ser um pouca morna mas insistimos. Uns tempos depois, já chegados quase a meio do livro, desejamos que as páginas por ler continuem por muitos e longos meses. Foi assim com este "O tempo entre costuras" da autora espanhola Maria Dueñas. Não sei por que motivo o comprei. Não me foi aconselhado por ninguém, não li qualquer crítica sobre ele mas vi-o várias vezes em destaque nas prateleiras das livrarias, inclusive numa viagem em Madrid e sempre gostei do título. Li a contracapa e depois de muito pensar, decidi dar-lhe uma oportunidade. Acho que foi a questão do enredo se passar entre Madrid, Marrocos e Lisboa que mais me atraiu. Ou de não se tratar de um romance sobre uma jovem que procura o já mais do que gasto príncipe encantado mas que a vida leva a tornar-se espia numa altura em que os nazis começavam a espalhar-se pela Europa.
Os pormenores históricos misturam-se com a ficção de forma muito confortável. Chega-se a pensar que se calhar a maior parte das personagens existiu mesmo. E há alturas em que uma vez terminado um capítulo, a vontade de ir investigar mais profundamente alguns detalhes aos livros ou sites de História, é irresistível.
Aconselho vivamente este primeiro romance de Maria Dueñas. E uma vez que este foi o primeiro, ficarei atenta na esperança de que outros publique.
Às vezes comprar um livro com poucas ou nenhumas referências transforma-se numa experiência agradavelmente positiva.

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