Antes de desempenhar um doente com Sida em Filadélfia e apenas um ano depois, um pouco inteligente Forrest Gump, Tom Hanks limitava-se a agarrar papeis em comédias românticas que o mantinham longe dos prémios. Em 1993 tudo mudou. O actor mostrou a Hollywood e ao mundo a matéria-prima de que era feito.
A história repete-se agora com Matthew McConaughey. Quem o viu em Como Perder um Homem em 10 Dias, Como Despachar um Encalhado, Tesouro Tropical ou mais recentemente Magic Mike não contava com a possibilidade de uma performance brilhante quando lhe dessem um papel de peso. E começando precisamente pela questão do peso, é impressionante os quilos que o actor perdeu para desempenhar, tal como Hanks em 1993, um doente infectado com o vírus do HIV, ao qual dão apenas 30 dias de vida. Mas a coisa não fica por aqui. À extrema magreza, McConaughey adicionou a linguagem corporal exacta de um homem que apesar de estar a morrer, usa o pouco tempo de vida e forças que lhe restam para se ajudar e para ajudar os outros (no início, em troca de bastante dinheiro). A dar-lhe suporte, um Jared Leto também ele quase anoréctico que protagoniza, na minha opinião, as duas cenas mais angustiantes do filme. Após 6 anos de ausência do cinema para se dedicar totalmente aos 30 Seconds to Mars, eis um regresso em grande.
Por fim, Jennifer Garner, a médica carinhosa que só quer o melhor para os seus pacientes e que sofre junto com eles.
Fazendo minhas as palavras de Matthew McConaughey quando recebeu o Golden Globe, este não é um filme sobre a morte mas sim, sobre a vida e mesmo os mais sensíveis o deveriam ver.
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