... é saber dar-lhe as doses certas de amor e carinho e por vezes comprar-lhe, não um presente, mas o presente! Ontem foi dia de provocar sorrisos de felicidade em duas crianças que fazem parte da minha existência. A filha de um casal meu amigo e o meu sobrinho receberam, respectivamente, um aquário com um peixinho dourado e uma bicicleta. Aqueles instantes em que se recebe o primeiro peixinho e a primeira bicicleta deveriam fazer parte do quadro de honra dos melhores primeiros momentos da vida de toda a gente. Na minha humilde opinião, deveriam constar outros como: a primeira ida à praia ver o mar, a primeira ida ao cinema, a primeira mousse de chocolate, a primeira paixão assolapada seguida do primeiro beijo (normalmente, não é uma boa experiência, não se ouvem sininhos, nem se vêm borboletas, é algo assim bizarro que é suposto ser romântico, só mais tarde, felizmente, é que a coisa se compõe), a primeira bebedeira, a primeira vez que se conduz um carro, o primeiro salário, a primeira vez apenas e tão só.
Lembro-me do meu primeiro peixe e da sensação relaxante que me dava a simples acção de observá-lo a nadar no seu T1 (o aquário era daqueles redondos e pequenos). Gostava tanto dele que estou convencida que o matei por amor excessivo. Ignorava na altura (e a minha mãe também, aliás a culpa é mais dela do que a minha porque eu era menor e ela não) que não se pode dar quantidades grandes ou mesmo pequenas de comida aos peixes. A quantidade certa deverá ser próxima da microscópica e só deve ser dada uma vez por dia. Alimentação em excesso é mortal para os peixitos.
A minha primeira bicicleta só me foi parar às mãos aos 12 anos e ainda vive. Era (e é) uma BMX amarela e vermelha e mal chegava com os pés ao chão. Aprendi a dominá-la nas férias de Verão em casa da minha avó. Ainda hoje, apesar de andar na minha Destemida todos os fins de semana, bicicleta é coisa que estará sempre associada a férias de Verão. O que me lembro melhor daquela altura é da vergonha que sentia quando caía e algum miudo passava por mim mesmo no momento do espalho. Era tão humilhante ver aquele sorrisinho de escárnio.
Duas crianças ganharam o dia ontem. Agora há que ganhar os que se seguirão desfrutando ao máximo do peixe dourado e do veículo de duas rodas.
Às vezes a felicidade está nas coisas mais simples.
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