Terminei há minutos de ler "A Sombra do Vento" do espanhol Carlos Ruiz Zafón. Este exemplar belíssimo e irreprensível de Literatura tem elevadas probabilidades de se tornar no livro da minha vida. Sempre consegui dizer qual era o meu filme preferido sem hesitações. Durante mais de uma dezena de anos foi "Forrest Gump" o portador da faixa. Até que vi "Quem Quer Ser Milionário" e este veio destronar a história dos USA contada por um homem de QI baixo e coração enorme.
Na Literatura, foi-me sempre impossível destacar um. Na verdade, era-me inclusive difícil dar honras de favoritismo até mesmo a uns cinco ou seis. Conseguia, talvez, mencionar cerca de 10 que ocupavam um lugar ex-aequo no meu coração. A saber:
"Por favor não matem a cotovia" de Harper Lee;
"As Cinzas de Angela" de Frank McCourt;
"Terapia" de David Lodge;
"Cem Anos de Solidão" ou "Crónica de Uma Morte Anunciada" de Gabriel Garcia Márquez;
"O Velho que Lia Romances de Amor" de Luís Sepúlveda;
qualquer um de Isabel Allende ( excepto aquela trilogia que começa com "A Cidade dos Deuses Selvagens" que me fez pensar Isabel, filha, onde estavas com a cabeça quando te deu para escrever isto? );
qualquer um do Jorge Amado com destaque para "Os Capitães da Areia";
"A Cor Púrpura" de Alice Walker;
"O Crime do Padre Amaro" de Eça de Queiroz;
"Equador" de Miguel Sousa Tavares.
Quase todos muito comerciais, não são por isso, menos que excelentes.
A Sombra do Vento veio dar cabo desta comunidade de favoritos, onde todos eram iguais, onde o sentimento da inveja era desconhecido e onde não existiam ambições desmedidas, visto não existir qualquer possibilidade de promoção a O Livro.
A Sombra do Vento deixou-me um vazio quando o terminei. Queria que não terminasse nunca. Queria que continuasse aquela narrativa que não parava de me surpreender. Queria continuar a ler a voz de Fermin, personagem que me arrancou gargalhadas sonoras, que me fez desejar conhecer alguém assim na realidade. Queria que existisse, como na história de Carlos Ruiz Zafón, um Cemitério dos Livros Esquecidos, para eu poder frequentar.
Por todos estes motivos, foi decidido por unanimidade, que A Sombra do Vento vai ganhar local de destaque em prateleira de madeira de qualidade com holofote (economizador, claro) iluminando devidamente a obra.

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