quarta-feira

Tenho seguido com interesse o tema Duarte Lima. Pelo que pude até ao momento apurar sem grande esforço, estamos a falar de um senhor advogado, que já foi ministro durante o Governo de Cavaco Silva e que já teve a infelicidade de enfrentar uma leucemia, batalha que venceu. Até aqui, nada a apontar. Não sei se devido à doença quase fatal ou se porque foi sempre assim e só agora é que se lhe descobriu a careca (literalmente, ou não brilhasse aquela cabeça como um diamante lapidado), a verdade é que Duarte Lima resolveu tornar-se um rebelde. Primeiro, alegadamente, matou uma velhota achando que como foi do outro lado do Atlântico, não era importante. O móbil, parece, era deitar a mão às quantias astronómicas de dinheiro que a senhora tão religiosamente guardava nas suas contas bancárias. Mais recentemente, eis que é acusado de ter desviado 40 milhões do BPN. Ora, 40 milhões parece-me muito dinheiro. Mas perante todas as notícias que enchem as páginas dos jornais, concluo que, pelos vistos, para Duarte Lima não era suficiente. Vai daí e toca a encher a idosa de balázios para ver se cai mais algum.
A pergunta que me coloco é: quanto é que preciso amealhar de forma ilegal, isto é, quantos golpes são precisos até se achar que é tempo de parar e pedir a reforma? Ou será que isto não é uma questão de montantes, mas antes uma questão de adrenalina? Do tipo, se este golpe me correu tão bem, porque não um próximo mais ousado?
Isto lembra-me uma história que ocorreu tinha eu uns 13 anos. Numa viagem da minha escola a Paris, a cereja no topo do bolo deu-se quando chegámos às portas da Eurodisney. Foi a histeria total e durante horas, adultos e graúdos não pararam de se divertir. O problema começou quando alguns desses miudos resolveram deixar as montanhas russas e os carrosseis e dirigir-se às lojas dos brinquedos. Naquela altura, os artigos ainda não possuíam alarmes individuais e perante empregados distraídos, muitos resolveram aproveitar-se da situação. Bonecos foram trazidos para fora das lojas sem terem passado pelas caixas registradoras. Houve quem tenha chegado ao ponto de colocar um peluche bem grande debaixo do braço e sair descontraidamente. O mais espantoso disto tudo é que os objectos furtados não interessavam minimamente aos cleptómanos. Era tudo apenas pelo prazer de praticar um pequeno delito. 
Terá sido também a busca do prazer o principal motivo que levou Duarte Lima a cometer algumas falcatruas ou será que o que o moveu foi um imensurável desejo de figurar na lista dos 100 mais ricos do Mundo da revista People? 
No caso dos peluches furtados tudo foi devolvido umas horas mais tarde às prateleiras das lojas. A discreta devolução foi mais uma fonte de adrenalina. Bonecada saiu e entrou sem que ninguém tenha notado algo de estranho. E Duarte Lima, será que vai devolver tudo? Voluntariamente?

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