Sempre que vejo um filme com a Meryl Streep e o comento ou aqui ou a alguém, fico com a sensação que estou a ser repetitiva. Repito sempre os mesmos adjectivos elogiosos. Não tenho culpa. A mulher é mesmo fantástica. Recordo-a em "África Minha" a pedir de joelhos um pedaço de terra para o seus kikuius; em "A Escolha de Sofia" tendo de fazer a opção mais complicada com que uma mãe se pode deparar; mais recentemente, em "O Diabo Veste Prada" mostrando o seu mais profundo desagrado apenas com um leve franzir dos lábios, em "Amar é Complicado" dizendo a célebre frase "Turns out I'm a bit of a slud" e em "Julie & Julia" fingindo uma voz aguda e uma altura que não são as suas.
Hoje foi dia de a ver transformada na mulher que ficou registada na História com o cognome de A Dama de Ferro.
O filme permite a Meryl Streep fazer duas representações de Thatcher: enquanto Primeira-Ministra, forte e determinada e enquanto viuva, já bastante idosa e lutando para se manter lúcida. Ao lado de Streep, um Jim Broadbent à altura. Vale a pena mencionar que é a segunda vez que vejo o actor britânico fazendo de companheiro de uma mulher cheia de talento que acaba por perder o contacto com a realidade. Antes, já havia desempenhado em "Iris", o papel de marido da conhecida escritora Iris Murdoch que sofreu de Alzheimer.
De resto "A Dama de Ferro" é um filme algo monótono. Fica um pouco aquém das expectativas. Dá-nos a conhecer alguns factos históricos, é certo, mas diria que explora mais o seu lado privado, o da família, o da relação saudável com Denis Thatcher, do que o seu lado político e público, que fizeram dela uma das mulheres mais poderosas do mundo nos anos 80.
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