sábado

Califórnia III - em Alcatraz

Ir a uma prisão é passeio turístico que nunca pensei que um dia iria fazer. Mas a vida às vezes surpreende-nos e uma vez que Alcatraz é actualmente um dos pontos de visita obrigatório de todo o turista que passa por S. Francisco, lá fui eu e companhia ver onde Al Capone, aka Scarface, passou os seus piores anos. Assim que o barco que nos leva até à pequena ilha começa a aproximar-se da mesma dá para perceber porque é que lhe chamam O Rochedo. É de facto um imponente calhau. Mete respeito. Dali é difícil sair. E na realidade, só 3 detidos conseguiram a proeza. Apesar disso, desconhece-se se a dita proeza teve um final feliz. Nunca se soube o que aconteceu aos fugitivos sendo a tese de afogamento a que reúne mais credibilidade.
Alcatraz não é bonito de se ver. Afinal, é uma prisão. No entanto, não me deixou impressionada ou com o estômago às voltas. Pareceu-me ter o aspecto das prisões actuais. Aliás, não sei se comparada com as prisões da América Latina, não será até melhor. Quem como eu viu o filme Carandiru sabe que as celas brasileiras estão sobrelotadas. Pois fiquei com a ideia que em Alcatraz, ninguém partilhava cela com ninguém.  
O audio tour é perfeito. As vozes que ouvimos são as de antigos guardas prisionais e até de alguns presos. O senhor encarregue de nos entregar os auscultadores disse-nos que éramos o segundo grupo de portugueses que ele recebia ali. E perguntou-nos porque não iam mais portugueses a S. Francisco. Fiquei encantada por saber de onde éramos. Antes, já nos haviam colocado a pergunta: "Where are you ladies from?" e sempre que respondíamos "Portugal", as pessoas ficavam com aquele ar tipo "ah Portugal, onde é que é isso?"
Uma curiosidade que achei muito interessante acerca de Alcatraz é a questão de que os detidos à vezes conseguiam ouvir os risos, as conversas e os barulhos de S. Francisco dependendo dos ventos e das correntes. Na noite da pasagem de ano, ainda se ouvia tudo melhor. 





  

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