domingo

Sapatos que matam ou a história da Cinderela com destaque para o sapato de cristal

É sobejamente conhecido o fetiche que 90% das mulheres por esse mundo fora têm por sapatos. Esta pequena tara é incutida aos elementos do sexo belo desde a infância ao contar-se-lhes o mais famoso conto de fadas / história de amor de todos os tempos,  Cinderela aka Gata Borralheira, em que um sapatinho de cristal resolve a vida amorosa da protagonista. Os Irmãos Grimm criaram o mito e o universo feminino mudou para sempre. Actualmente Manolo Blahnik, Jimmy Choo ou Christian Louboutin criam também eles arrebatadas histórias de paixão duradoura, não entre uma mulher e um suposto princípe encantado, mas entre uma mulher e um par de sapatos.
A paixão por vezes é tanta que, tal como num romance entre pessoas, a mulher está disposta a suportar tudo o que o seu sapato lhe faz. Ora veja-se esta minha história:
Tenho um par adquirido na Promod há já alguns anos. Usei-os tão poucas vezes que a sola está pouco ou nada beliscada. A última vez que os coloquei nos meus pés, cortaram-me de tal maneira os dedos que passados cerca de 2 meses ainda tinha sinais das feridas. Mas continuo a achá-los lindos. Tão lindos que os mantenho. Aguardo sempre por uma oportunidade do estilo -  entrar no carro à porta de casa, sair do carro à porta de um restaurante, levantar-me da mesa uma única vez para ir à casa de banho, sair do restaurante directa para o carro e sair do carro à porta de casa - para poder usá-los. 
A mulher mantém os seus sapatos preferidos mesmo quando os emprestou a outra mulher e esta os deformou. A mulher é-lhes sempre fiel mesmo quando deformados, pois não só continua a achá-los os mais bonitos de todos como tem boas recordações de todas as ocasiões em que os usou. 
A mulher chega a usar pouco os seus sapatos preferidos para não correr o risco de os estragar. Prefere contemplá-los a ter de sujeitá-los à calçada portuguesa que está sempre pronta para abocanhar um salto mais elegante. 
Aqui vai a foto dos meus killer shoes. São de cunha, até que dão um bom andar. O problema é que têm a personalidade de uma faca de serrilha. 


       

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