sábado

Como resistir a um par de meias

As mulheres por norma têm uma tara. Há aquelas que têm tara por sapatos, há aquelas que vendiam a própria mãe por uma mala e essa mãe venderia a filha por um casaco. Há ainda aquelas que gastam metade do ordenado em cremes, tratamentos de beleza, cabeleireiros e afins. E depois há a minha amiga Filomena que não resiste a um par de meias, de preferência com risquinhas.
Hoje, no Chiado, entrámos na Blanco, a mais recente habitante da Rua Garrett. Adorei a colecção, sobretudo dos vestidos que são muito femininos, muito cintura marcada estilo anos 50. Ainda bem que a marca decidiu estar representada numa zona mais central de Lisboa além do Dolce Vita Tejo porque os preços são simpáticos e os artigos parecem ter bastante qualidade. 
Eu experimentei um casaco que teria levado para casa se fosse noutra cor que não branco. Estive para levar um vestido mas mais uma vez a cor traiu-me porque era azul escuro e o que eu tenho mais são vestidos azuis. 
A Filomena apaixonou-se por uma meias. Um parzinho às riscas cheios de cor e alegria que a encheram de uma felicidade pura, genuína. Claro que a Filomena reclamou para si a custódia das meias e depois de pagar o justo preço delas - 99 cêntimos - levou-as para casa. 
Estive a reflectir seriamente sobre o assunto e cheguei à inquietante conclusão que se todas as mulheres ficassem assim radiantes com um singelo par de meias, a Economia mundial sofreria um profundo e injusto golpe. Em Milão, por exemplo, a cidade do mundo onde mais se estragam cartões de credito e multibanco devido aos milhares de vezes que são usados nas lojas de luxo, essas mesmas lojas teriam de fechar portas. E com o fechar de portas, centenas de funcionários na rua, o aumento inevitável do desemprego. E as fábricas de texteis, calçado e marroquinaria?  Falência na certa com a súbita descida no número de encomendas.  
Mulheres deste mundo, não se intimidem e continuem a comprar. Façam o dinheiro circular. Sempre que alguém vos cansar a beleza com reprimendas sobre a quantia absurda com que contribuíram para o volume de negócios de um ou outro grupo têxtil, lembrem-se que estão a ajudar. Eu pelo menos penso sempre assim. É a reza que faço em silêncio sempre que chego a casa cheia de sacos e de culpa por os ter nas mãos. 
Cá vai uma foto das meias da Filomena:


E de alguns dos vestidos mais bonitos que vi na Blanco:




      

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