sexta-feira

Ontem foi noite de Vogue Fashion's Night Out...

... e a meteorologia foi amiga. Quem chegou a temer não poder levar aquele vestido mais curto ou aqueles calções ainda por estrear guardados para a ocasião, respirou de alívio ao verificar que as temperaturas altas que se haviam sentido durante o dia tinham permanecido no pós lusco-fusco. 
Este ano, cedo me apercebi que a adesão aumentou em relação a 2010. E o valor das malas que as senhoras trouxeram para a rua também. Uma Birkin da Hermés passou mesmo à minha frente. Das duas, uma: se era verdadeira, estamos a falar de 6.000 Euros de mala, se era falsa, era uma daquelas falsas bem boas comprada em Chinatown e que mesmo contrafeita, deve ter custado à sua respectiva dona o valor gordinho de 300 ou 400 dolars. Também passaram por mim saltos com 1 mm de espessura e 15 cm de altura. Palmas para as respectivas atletas. Andar na calçada portuguesa com sapatos assim merece criação de modalidade nos Jogos Olímpicos. 
Eu levei saia comprida. Tive de recorrer várias vezes ao chamado gesto vitoriano ( tradução: erguer a saia ligeiramente e com delicadeza usando uma ou ambas as mãos ) para não me estender ao comprido, tipo prancha de surf, nas escadas da Armani ou da D&G. Tralhar e partir os dentes no Fashion's Night Out, definitivamente, não é sexy. 
Este ano, a crise manifestou-se. Nada de brindes milionários. Mas foi divertido na mesma. Foi a verdadeira festa a céu aberto. E foi sobretudo para muitos, a oportunidade anual de entrar e sair de lojas onde às vezes é intimidante  pôr o pezinho. Foi a oportunidade de se verificar os preços de alguns luxos ( atenção, nunca perguntar: quanto custa? o correcto é: como se chama? ). Ah que bela noite! A gente bonita, os concertos nas lojas, as montras vivas. A beleza de uma indústria que movimenta milhões. 
Comprar luxo pode ser caro mas sonhar com ele é de borla e pelo menos por uma noite, todos podemos sonhar.  

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