Todos sabemos que nas décadas de 60 e 70, milhares de portugueses rumaram a França para aí começarem uma vida com mais oportunidades de emprego, com maior estabilidade financeira, com melhores condições para oferecerem aos seus filhos. Muitos permaneceram lá muitos anos, só regressando a Portugal por altura da reforma. Outros nunca mais voltaram de vez, fazendo-o apenas temporariamente durante as férias de Verão.
A Gaiola Dourada é um perfeito retrato das histórias desses portugueses. Realizado por Rúben Alves, filho de emigrantes em França, estão lá os sentimentos, os clichés, o bacalhau, o sonho de voltar à terra, o sonho de voltar à terra no melhor dos carros, os complexos dos filhos entretanto nascidos em França, a preocupação tão típica que nós temos do " meu Deus que vergonha, o que vão as pessoas dizer". Tudo isto envolto num ambiente cómico (apesar de uma ou outra cena que puxa pela lágrima), com diálogos onde o francês por vezes se mistura com a língua de Camões.
Rita Blanco está extraordinária. Por vezes, não precisa de palavras para mostrar o que sente. A expressão dela e a linguagem corporal dizem tudo. Joaquim de Almeida óptimo também. Acho que há muito tempo não o via sem ser em papel de mafioso. Das situações mais cómicas está encarregue Maria Vieira que há muito não via no cinema.
Um excelente filme neste Verão que não deve ser perdido.
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