Passei o ano inteiro à espera das férias de Verão para escrever qualquer coisa de "grande". E por "grande" quero dizer outro livro ou pelo menos o início dele. Ou algo mais modesto como um conto. Mas apesar do silêncio típico de uma aldeia onde não se passa nada, apenas interrompido pelo cantar de um cuco que tem morada fixa por estes lados, das caminhadas por locais onde o perfume dominante é o proveniente de pinheiros e eucaliptos, do pôr-do-sol espectacular que vi todos dia ao fim da tarde e da lua cheia das últimas noites - tudo elementos propícios a inspirarem-me ( note-se que a Isabel Allende também tem um ritual que inclui rodear-se de um certo ambiente) - a verdade é que as férias terminam amanhã e não escrevi uma única linha. Apesar das várias ideias - algumas baseadas em factos reais, outras totalmente fictícias - que já registei devidamente para não me esquecer delas caso decida dar-lhes uso posteriormente, nada foi feito. E sei que não é uma crise de inspiração. É ao invés disso uma crise de propósito. Para quê? é a pergunta que me tenho colocado ultimamente. Será que todos os escritores que se intitulam amadores e que nunca deixaram de ser isso mesmo, meros amadores, terão tido um momento em que se colocaram esta pergunta: Para quê?
Além disso deixou de parecer certo. Certo tornou-se limitar-me a ler os livros que os outros escrevem.
Querida Tininha, escrever é um acto de sacrifício. Escrever ficção é um processo doloroso, demorado, é olhar os nossos fantasmas de frente. Para quê escrever? Porque gostamos de fazê-lo e porque conseguimos fazê-lo, seja para os outros lerem, para fechar numa gaveta, para deixar no computador. Espero que as tuas palavras sejam motivadas pelo espírito de fim de férias e que venhas aqui publicar em breve um desmentido :P
ResponderEliminarEstou totalmente de acordo com o João. E podes não ter escrito o livro nem o conto que tinhas planeado escrever nas férias, mas não deixaste de fazê-lo. Já reparaste quantos textos publicaste no blog? E para quê? Para que nós possamos ter o prazer de continuar a ler-te. Beijinhos grandes
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